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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Brasil Terá Escola Para Gays


Em 2010 será inaugurada em Campinas, SP, a primeira instituição educacional voltada para lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBTTT), colocando o homossexualismo no currículo. O projeto, com verba governamental federal e estadual, tem o apoio da ONG gay E-Jovem. Além da visibilidade à cultura gay, a Escola Jovem LGBTTT pretende ajudar jovens a se aceitar. Pretende divulgar a “cultura gay” e atacar os “setores retrógrados e fundamentalistas da sociedade”.

Os alunos deverão ser homossexuais de 12 a 20 anos, se aceitando heterossexuais e de outras faixas etárias em havendo vagas. Bolsas serão oferecidas para os de fora de Campinas. Estarão disponíveis, dentre os cursos, a maioria na área das artes, um em “formação de drag queens". A matéria não informa se reconhecido pelo MEC.

Fonte: Diário de Pernambuco, 24.01.2010

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ajuda Para o Haiti


Donativos Canalizados Via

Paróquia Anglicana do Espírito Santo

Diante da situação dramática porque passa o Haiti (um terço da população protestante, forte Igreja Anglicana) o Bispo Diocesano apela para que todas as nossas comunidades canalizem os seus donativos para a Paróquia Anglicana do Espírito Santo (PAES), em Jaboatão dos Guararapes, PE, que já está funcionando como centro de arrecadação.

Oremos e apoiemos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Zilda Arns A Morte de Uma Cristã


Guilherme Parizio


O terrível terremoto que atingiu o Haiti e a República Dominicana provocou o desaparecimento da figura admirável de Zilda Arns. Uma verdadeira cristã, empenhada na tarefa da caridade. Pessoa dotada de muitos dons, com o mais importante deles conseguiu levar conhecimento e salvar as vidas daqueles que mais esquecidos são pela sociedade e pelos governos. Sua voz calou-se nesse plano, mas, se Deus quiser, muitas outras influenciadas pela sua irão ser ouvidas nos rincões desse nosso país. Seu legado irá continuar. Como os mártires da história da Igreja, seu sangue será verdadeira semente e a colheita não será pequena. Não devemos esmorecer, pois tenho certeza que não é esse espírito que ela gostaria que sua vida e sua morte suscitasse.


Ela partiu fazendo o que mais gostava. Foi uma perda, mas devemos fazer com que essa lacuna seja preenchida o mais rápido possível. Quem sabe você que lê essas despretenciosas linhas não seja tocado por seu exemplo e a partir de agora não comece a fazer alguma coisa em a favor de seu próximo?



Adeus Zilda Arns, que suas “obras lhe acompanhem”.


(Antes que me chamem de pelagiano, “Soli Deo Gloria!”)


sábado, 9 de janeiro de 2010

Bispo Gay Casa Pastora Lésbica


O primeiro Bispo a ser sagrado na condição de homossexual praticante, V. Gene Robinson, da Diocese de New Hampshire, da Igreja Episcopal (TEC) dos Estados Unidos, realizou no último dia 02.01 o primeiro casamento de pessoas do mesmo sexo, depois da entrada da nova Lei em vigor naquele Estado norte-americano no dia anterior. New Hampshire seguiu Connecticut, Vermont, Massachussets e Iowa com esse tipo de legislação.



As "noivas" foram a ministra (pastora) episcopal aposentada Revda. Eleonor McLaughlin, doutora em História Medieval pela Universidade de Harvard, e Elizabeth Hess, uma psicóloga clínica com doutorado na Universidade de Montana. A Revda. Hess havia sido Deã da Paróquia de St. Barnaba's, quando já vivia, com o apoio do seu bispo de então, o Revmo. Douglas Theuner, com a sua parceira, e foi sucedida naquela paróquia por um reverendo também gay. As "noivas" haviam se casado na véspera no Civil, diante do Tabelião e do Juiz de Paz.



No sermão, o Bispo Gene Robinson falou de que, ao contrário dos tempos coloniais, não é o Estado obrigado a seguir a moral ditada pela Igreja, mas pela sociedade, que Deus crê no amor, e que bem-aventurados são os perseguidos, além de enfatizar o valor do casamento como companheirismo. Após o juramento e a troca das alianças, o Bispo, que considerou aquele um "dia santo" as abençoou e celebrou o Rito Eucarístico para uma congregação de cerca de 100 pessoas, que aplaudiu várias vezes a cerimônia.



Fatos como esse, que contrariam as deliberações dos Instrumentos de Unidade (Conferência de Lambeth, Encontro dos Primazes e Conselho Consultivo) tornam cada vez mais agudas as diferenças e as rupturas, tidas como irreversíveis, no interior da Comunhão Anglicana, de maioria teologicamente conservadora, e levou a criação, em junho último, de uma Província anglicana doutrinariamente ortodoxa naquele país, denominada de Igreja Anglicana na América do Norte (ACNA), com quem a Diocese do Recife mantém comunhão.



Fonte: Anglican-Mainstream.net

sábado, 2 de janeiro de 2010

Mário Soares alerta para "falsas religiões" em Portugal


"Testemunhas de Jeová são coisas do tipo comercial", disse o antigo Presidente no 5º Fórum Interdisciplinar de Professores, em Braga.


Mário Soares, presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, alertou para a existência em Portugal de "religiões que não são religiões, mas sim seitas", referindo "as Testemunhas de Jeová, que me afligem muito, porque são coisas do tipo comercial, mais do que religioso".

Falando em Braga a título pessoal e nunca enquanto presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, o antigo Presidente da República salientou que "as pobres das pessoas não percebem, mas está é que é a verdade, as pessoas perdem muito dinheiro com essas seitas".

Mário Soares falava sobre a religião nas sociedades contemporâneas durante o 5º Fórum Interdisciplinar de Professores, na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica, a convite da Pastoral Universitária da Arquidiocese de Braga.

Invasão de 'religiões'

"A invasão de 'religiões' verifica-se sobretudo através da imigração brasileira vêm essas 'confissões' e muitas outras coisas", afirmou o antigo secretário-geral do Partido Socialista, acrescentando que "os protestantes evangélicos são muito fanatizados".

Mário Soares considera "mau" e "de mau gosto" a colocação de minaretes em templos religiosos islâmicos, "como em Portugal parece que vai acontecer", porque "é uma questão de bom senso".

Soares afirmou que "em hospitais e sobretudo em escolas, que são laicas, não é correcto que estejam símbolos religiosos, mas nas escolas e hospitais privados, ninguém tem nada a ver com isso e põem os símbolos que quiserem".

"D. António Ribeiro concedeu-me audiências secretas"

Mário Soares revelou em Braga que durante o PREC (Processo Revolucionário em Curso) que se seguiu ao 25 de Abril e 1974, o então cardeal-patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, concedeu-lhe audiências secretas, nunca na sede do Patriarcado de Lisboa, mas num convento próximo do Chiado".

"No momento mais difícil do PREC, o senhor patriarca ajudou-nos, eu pedi-lhe várias audiências e tive algumas, parte delas secretas", disse Soares, destacando que "ele prestou-nos grandes serviços" a nível da estabilização do país. Uma das ajudas foi "ter dado ordem aos católicos para naquela célebre manifestação [a da Alameda, em Lisboa] comparecerem em força e isso foi de extrema importância".

Amizade intensificada em assalto

"A nossa amizade começou quando por insistência minha eu o então primeiro-ministro, Adelino da Palma Carlos, apresentamos cumprimentos ao cardeal-patriarca, mas "a amizade intensificou quando tentaram assaltar o Patriarcado de Lisboa e além de alertar os mais altos representantes do Estado promovi uma manifestação a favor do Patriarcado, contra essa ideia do assalto, que era a pior coisa que nos poderia acontecer, seria uma coisa trágica e de uma inconsciência incompleta, que se conseguiu evitar".

D. António Ribeiro teve depois "um amuo comigo", aquando de um congresso do PS, em que eu me distraí meia hora quando fui fumar um cigarro e foi aprovada a ideia de avançar para a lei do aborto", disse Mário Soares, explicando que "ainda tentei evitar a aprovação da moção, mas já não consegui apaziguar tal confusão e votaram a favor da liberalização do aborto".

A zanga de D. António Ribeiro com Mário Soares durou até que o secretário de Estado do Vaticano, Agostinho Casaroli, numa visita a Portugal, apertou as mãos de ambos no final de um jantar oferecido pelo então primeiro-ministro.

Fonte: Expresso

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/553299

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Teólogo critica duramente ao papa e Vaticano contesta realidade de argumentos


Cidade do Vaticano - O teólogo dissidente Hans Küng criticou duramente seu antigo amigo Bento XVI por haver aberto as portas aos anglicanos, afirmando que se trata de "uma tragédia", provocando uma resposta do Vaticano que disse que as acusações estão "muito longe da realidade".


Küng, de 81, em artigo publicado hoje nos diários "The Guardian" (Reino Unido) e "La Repubblica" (Itália), intitulado "Esse papa que pesca nas águas da direita", afirmou que a decisão de Joseph Ratzinger de acolher na Igreja Católica a todos os anglicanos que o desejem é uma "tragédia".


Segundo o teólogo suíço, se trata de uma "tragédia" que se une "às já ocasionadas (por Bento XVI) aos judeus, aos muçulmanos, aos protestantes, aos católicos reformistas e agora à Comunhão Anglicana, que fica debilitada perante a astúcia vaticana".


"Tradicionalistas de todas as igrejas, unir-vos sob a cúpula de São Pedro. O Pescador de homens pesca, sobretudo na margem direita do lago, embora ali as águas sejam turvas", escreveu Küng que acusa o papa de querer restaurar "o império romano, em vez de uma Commonwealth de católicos".


Segundo Küng, "a fome de poder de Roma divide o cristianismo e danifica sua Igreja" e o atual arcebispo de Canterbury, o chefe da Igreja Anglicana, Rowan Williams, "não esteve à altura da astúcia vaticana".


Para o teólogo dissidente, as consequências da "estratégia" de Roma são três: "o enfraquecimento da Igreja Anglicana, a desorientação dos fiéis dessa confissão e a indignação do clero e o povo católico", que veem - diz - como se aceitam sacerdotes casados enquanto se insiste de maneira "teimosa" no celibato dos padres católicos.


O diretor do jornal vespertino vaticano "L'Osservatore Romano", Giovanni María Vian, respondeu hoje que "mais uma vez, uma decisão de Bento XVI volta a ser pintada com rasgos fortes, preconceituosos e, sobretudo, muito afastados da realidade".


"Infelizmente Küng faz outra das dele, antigo colega e amigo com quem o papa em 2005, só cinco meses após sua escolha, se reuniu, com amizade, para discutir as bases comuns éticas das religiões e a relação entre razão e fé", escreveu Vian.


O diretor do jornal assegurou que Küng voltou a criticar seu antigo companheiro na Universidade de Tübingen (Alemanha) "com aspereza e sem fundamento".


O gesto do papa, segundo Vian, tem como objetivo "reconstituir a unidade querida por Cristo e reconhece o longo e fatigante caminho ecumênico realizado neste sentido".


"Um caminho que vem distorcido e representado enfaticamente como se tratasse de uma astuta operação de poder político, naturalmente de extrema direita", acrescentou Vian, que ressaltou que "não vale a pena ressaltar as falsidades e as inexatidões" de Küng.


O representante vaticano criticou as acusações vertidas contra o líder da Igreja Anglicana e expressou sua "amargura" perante este "enésimo ataque à Igreja Católica Apostólica Romana e a seu indiscutível compromisso ecumênico.


No último dia 20, o Vaticano anunciou a disposição do papa a acolher na Igreja Católica todos os anglicanos que o desejem e a aprovação, com esse objetivo, de uma Constituição Apostólica (norma de máxima categoria) que prevê, entre outras, a ordenação de clérigos anglicanos já casados como sacerdotes católicos.


No mundo são cerca de 77 milhões fiéis anglicanos e nos últimos anos sua igreja viveu momentos de crise e de forte divisão interna, devido à ordenação de mulheres e homossexuais declarados como bispos e a bênção de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.


Por enquanto se desconhece o número exato de anglicanos que desejam rumar à Roma, embora segundo fontes do Vaticano esse número pode estar na casa de meio milhão, entre eles meia centena de bispos.





Fonte: G1

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ateucracia e Heterofobia


Dom Robinson Cavalcanti ([i])

A humanidade conviveu e tem convivido com regimes não-democráticos: monarquias absolutas, teocracias, ditaduras, aristocracias, oligarquias, que privilegiam famílias, etnias, religiões, partidos ou classes. Com a substituição do poder personalizado pelo poder institucionalizado, surgiram os Estados Nacionais, as constituições e a democracia, como “o povo politicamente organizado”. Na maioria das vezes, o formalismo democrático e a liturgia das eleições apenas legitimam grupos, que controlam os aparelhos do Estado. Ao povo cabe apenas escolher periodicamente, entre os escolhidos, os seus senhores. Presencia-se no Ocidente, sob a fachada da democracia, uma nova autocracia: a dos ateus e agnósticos e materialistas secularistas – netos do Iluminismo – contra a maioria religiosa dos cidadãos. Essa ideologia aparece mais nítida com o término da Guerra Fria, e pretende confundir Estado laico com Estado secularista. Por Estado laico se entende aquele legalmente separado das igrejas, sem religião oficial, com a igualdade perante a lei, que se constitui um avanço para a civilização, e que foi uma das bandeiras do protestantismo histórico no Brasil. O Estado secularista expressa uma ideologia militante de rejeição da religião, de sua negação como fato social, cultural e histórico, ou a considerando intrinsecamente negativa. No passado, tivemos a influência da filosofia positivista que, com sua “lei dos três estados”, advogava a marcha inexorável da história de uma etapa religiosa inferior para uma etapa superior, pretensamente científica ou positiva. Essa filosofia marcou grande parte das ideologias contemporâneas, inclusive o marxismo, cujos regimes, oficialmente ateus, procuravam “colaborar” com esse processo histórico perseguindo implacavelmente a religião e tornando compulsório o ensino do ateísmo. O que essa elite iluminada tem dificuldade de aceitar é o fato de que, no século 21, a religião em vez de diminuir está aumentando, no que Giles Kepel denomina “a revanche de Deus”, e que dá o título do novo “best-seller” de John Micklethwait e Adrian Wooldridge, “Deus Está de Volta”. Há todo um malabarismo intelectual para “explicar” essa anomalia, e, por outro lado, se procura promover um combate sistemático para contê-la. O antirreligiosismo teve como epicentro a Europa Ocidental, estendeu-se para a América do Norte, e se espalha pela periferia do sistema mundial, chegando até nós. Há uma prioridade de se atacar as religiões monoteístas de revelação, porque julgam que o monoteísmo promove a intolerância e a revelação traz conceitos e preceitos autoritativos retrógrados (o pecado, por exemplo) que se chocam com as visões tidas como superiores da autonomia das criaturas. Mais particularmente, esse ataque se centra contra o cristianismo. A intolerância para com a religião implica impossibilitar sua expressão nos espaços públicos ou que seus seguidores ajam publicamente por motivações religiosas. A religião, para seus adversários secularistas, deveria apenas ficar confinada às quatro paredes dos templos e dos lares, à subjetividade de cada um, condenada à irrelevância. Essa elite se sente iluminada, superior, com o papel histórico de proteger as pessoas delas mesmas, de corrigir seus “atrasos” e de “educar” a humanidade, seja pelo apropriação dos aparelhos ideológicos do Estado (educação, mídia), seja pelo uso do aparelho coercitivo do Estado (leis, justiça, polícia). Na esteira desse movimento temos tido a chatice do “politicamente correto” (moralismo de esquerda), a luta por retirar símbolos religiosos dos espaços públicos, acabar com os dias santificados, proibir a saudação “Feliz Natal” (deve-se apenas desejar “Boas Festas”), e a defesa de bandeiras como a liberação sexual, o aborto (no lugar do direito à vida, o direito da mulher a dispor do “seu” corpo), a eutanásia e a licitude das “orientações sexuais” – a chamada agenda GLSTB (gays, lésbicas, simpatizantes, transgêneros e bissexuais). Por sua mobilização política (e não por “descobertas científicas”) se promoveu a retirada dessa anomalia do rol das enfermidades e dos ilícitos – e se instituir o casamento homossexual -- e se parte para proibir os que querem deixá-la, cassar o registro de psicoterapeutas, forçar a maioria a mudar seus padrões morais e criminalizar os que não aderirem. Enquanto a Europa e a América do Norte já evidenciam um novo ciclo de perseguição religiosa, corre no Congresso Nacional um projeto de lei que faria o autor desse artigo ser condenado a até cinco anos de prisão por escrevê-lo. Enquanto a minoria materialista tenta forçar uma ateucracia e a minoria homossexual tenta fomentar uma heterofobia – ódio aos que insistem no seu direito de afirmar a normatividade da heterossexualidade, e de não aceitar a normalidade do homoerotismo – eles recebem o apoio (cavalo de troia) de outra minoria: o liberalismo teológico. A nós, a maioria, cabe, democraticamente, o direito à resistência!
[i] Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política – teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo – desafios a uma fé engajada e Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios. http://www.dar.org.br/

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O culto à prosperidade

Os evangélicos, e em especial os da vertente pentecostal,
ajudaram a criar na América Latina um ambiente social
favorável à ética do trabalho e da conquista pessoal



Os escândalos envolvendo a Igreja Universal do Reino de Deus são apenas uma face feia de um movimento religioso que, em pouco mais de 100 anos, construiu na América Latina uma história inspiradora, estendendo a mão àqueles que buscavam conforto espiritual em uma nova fé. Os evangélicos são herdeiros de uma tradição protestante que encontrou solo fértil nos Estados Unidos, baseada no comprometimento pessoal com Cristo e na adesão estrita à Bíblia. A vertente evangélica mais bem-sucedida no subcontinente é a pentecostal, que une a ortodoxia bíblica à ênfase na salvação por meio de milagres. Dois em cada três evangélicos latino-americanos são pentecostais ou neopentecostais – subcorrente que inclui a Igreja Universal. Na América Latina, aonde chegaram por meio de missionários americanos e europeus, as igrejas evangélicas difundiram a ética do trabalho e da realização pessoal e deram um senso de comunidade aos migrantes rurais que vinham para as cidades. A flexibilidade na hierarquia religiosa – qualquer um pode ser pastor, mesmo sem estudos – também ajudou a conquistar adeptos, principalmente entre as massas iletradas. Nos últimos quarenta anos, a população evangélica na América Latina pulou de 15 milhões para mais de 60 milhões de fiéis. Elas seguem uma grande variedade de denominações, algumas autóctones, outras filiais de igrejas brasileiras e americanas.

O pentecostalismo, com sua doutrina do bem-estar econômico indissociável da espiritualidade religiosa, teve o mérito de barrar o avanço de ideologias revolucionárias de esquerda na América Latina. As novas fés protestantes abordam o descontentamento social de maneira radicalmente diferente das teorias marxistas. Para os pentecostais, a pobreza é resultado do fracasso pessoal, não de um sistema econômico injusto. Na década de 70, quando as igrejas pentecostais começaram a crescer mais rapidamente na América Latina, o foco no conforto espiritual e na realização material serviu como contraponto à Teologia da Libertação, aquela estranha concepção marxista de catolicismo que transformou Jesus Cristo numa espécie de Che Guevara da Antiguidade.
Fonte: Revista Veja (19/08/09)

domingo, 2 de agosto de 2009

Gays farão ´beijaço` contra Mórmons

San Diego, EUA) Os grupos de defesa dos direitos dos homossexuais, em San Diego, estão planejando um "beijaço" em frente ao templo Mórmon, onde um casal gay foi detido por seguranças ao se beijar.



Os dois tinham saído de um show e voltavam para casa e estavam passando pelo local quando foram detidos.



A praça por onde eles passavam é propriedade da Igreja dos Mórmons e fica em frente ao templo.



O beijaço será o terceiro este ano contra atos de discriminação para com os homossexuais.



O porta-voz da Igreja disse que o casal tinha sido detido por se recusar a deixar a propriedade (a praça) e por conta do comportamento considerado inapropriado.


(Da Redação do Toda Forma de Amor com informações do Advocate)



quinta-feira, 30 de julho de 2009

Arcebispo de Cantuária Escreve Sobre as Decisões da Igreja Episcopal (dos EUA)






O Serviço de Notícias da Comunhão Anglicana (ACNS) divulgou, em 28.07.2009, o documento denominado “Comunhão, Pacto e o Nosso Futuro Anglicano”, com 26 parágrafos, e o subtítulo: “Reflexões sobre a Convenção Geral da Igreja Episcopal, de 2009, pelo Arcebispo de Cantuária para os Bispos, Clérigos e Fiéis da Comunhão Anglicana”.



No texto, o Arcebispo de Cantuária faz referência às Resoluções dos episcopais norte-americanos de aprovar a Ordenação de clérigos homossexuais praticantes às três Ordens (Diáconos, Presbíteros e Bispos) e de autorizar a redação de ritos para a união de pessoas do mesmo sexo. Embora aquela Convenção Geral tenha reiterado o seu desejo de permanecer no interior da Comunhão Anglicana, e que as referidas resoluções eram apenas “descritivas” e não “normativas”, o fato é que já havia antes uma forte tensão entre a Província dos EUA e as demais Províncias, e que, mesmo com essas ressalvas, o fato é que essas tensões apenas se agravaram. Para Rowan Williams, os episcopais norte-americanos não podem ignorar, em uma perspectiva ecumênica, o conjunto da Cristandade, e, muito menos, o conjunto da Comunhão Anglicana, e que essa pertença não pode se dar com uma autonomia absoluta de cada Província, mas sob o princípio da mutualidade.



O Arcebispo de Cantuária diz que o que está em jogo não é uma questão de direitos civis, ou da dignidade da pessoa dos homossexuais, ou a sua inclusão na Igreja, mas a ruptura com a herança apostólica e o consenso dos fiéis em termos de não se aceitar alguma equivalência das uniões homoeróticas ao casamento, e, muito menos, a adoção desse estilo de vida para os lideres ordenados.



Rowan Williams reconhece a gravidade da situação, e as tendências à descentralização ou ao centralismo, e que ele espera que as Províncias subscrevam o Pacto Anglicano, mas, se algumas não o fizerem, o que poderia acontecer? Provavelmente uma profunda alteração na natureza dessa Comunhão, com um novo modelo, de “dois trilhos”, ou “duas expressões”: os que subscreverem e os que não subscreverem o Pacto, com níveis diferentes de relacionamento entre si, o que leva a inquietação sobre a possível conflitividade entre ambos os grupos.



Em suma: o Arcebispo de Cantuária reconhece que a Igreja Episcopal (dos EUA) é responsável pela atual crise, que há um ensino histórico adotado pela Comunhão Anglicana sobre a Sexualidade Humana, que a questão central não é de direitos civis, dignidade ou membresia, mas de ruptura com essa crença e com os que continuam a assim crer, que isso vai afetar o futuro do desenho institucional da Comunhão, e que, a partir da assinatura ou não do Pacto, vamos conviver (e como?) com duas expressões de Anglicanismo.



Fonte: Anglican Communion News Service

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Do Dogmatismo Evolucionista




Por Dom Robinson Cavalcanti, ose (*)



Com a celebração dos 200 anos do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação de sua obra “A Origem das Espécies”, o debate criacionismo vs. evolucionismo voltou a ocupar amplos espaços na imprensa, quase sempre marcado pela falta de imparcialidade, e uma boa dose de sensacionalismo. O legado da Idade Contemporânea inclui uma forte herança do cientificismo, ou cienticismo, sistematizado no Positivismo de Augusto Comte (a Teologia e a Filosofia como fases “inferiores” do saber vs. a fase “superior” da Ciência), que influenciou várias teorias, inclusive o marxismo.


Há uma amnésia histórica em relação ao fato de que todas as Universidades do mundo, desde seus primórdios no século IX ao século XIX (cuja exceção foi a Escola Politécnica de Paris, fundada por Napoleão) foram criadas pelas instituições religiosas, com a presença curricular da Teologia, da Filosofia e das Ciências (Da Natureza, Sociais e as ditas Exatas). Enquanto vivemos hoje sob um novo surto de Secularismo (pseudo-Laicismo) que quer empurrar a Religião para fora da esfera pública (Política, Academia), restringindo-a ao subjetivismo individual e ao espaço fechado dos lares e dos templos, vamos testemunhando uma nova valorização da multidisciplinaridade e da interdisciplinaridade (quebrando do departamentalismo estanque), a revalorização do saber Teológico e Filosófico, e a compreensão dos seres humanos como além-cerebrais, e que o conhecimento inclui o afetivo, o erótico, o místico, o estético, etc., e não somente o racional e o sistemático-verificacional.


O mundo do saber deve ser eminentemente plural. Em cada disciplina há diversidade de escolas e teorias, nenhuma sendo monolítica, e, muito menos, estática, pois todo saber tem um quê de provisoriedade. A liberdade de cátedra, com espaço para a exposição e a crítica, para novas sínteses e novas propostas, é uma marca central da vida acadêmica. Na história do debate entre criacionismo e evolucionismo, tivemos entre judeus e cristãos propostas de evolucionismos teístas e de criacionismos evolutivos, como Telhard Chardin, entre os católicos romanos e Bernard Ramm entre os protestantes.


Enquanto se critica alguns fundamentalistas norte-americanos por serem contrários à inclusão do evolucionismo nas escolas públicas daquele país, no Brasil (e em outros países), são os criacionistas que de forma arrogante, intolerante e dogmática, lutam para proibir, de forma absoluta, a presença do ensino criacionismo em nossas escolas. É a mesma atitude, com sinais trocados.


Não se pode negar que o criacionismo teve rebatimentos além da biologia, com pensadores no campo sociológico e político defendendo um “darwinismo social” (a sobrevivência dos mais fortes e mais aptos), e, com a ausência da intervenção divina e da revelação, resulta em um relativismo moral, com a dificuldade de se condenar a delinquência.


Os criacionistas precisam, urgentemente, de um “choque de humildade”, permitindo uma crítica aos seus postulados na sala de aula, precisam recuperar o valor concreto da liberdade acadêmica, e, mais ainda, o respeito a docentes e alunos, em sua capacidade de investigar, discernir e escolher.


Nós, os retrógrados religiosos, apenas estamos exercendo a nossa cidadania, os nossos direitos humanos, e a nossa defesa da liberdade de expressão e do retorno da Universidade à proposta original que motivou a sua criação por homens e mulheres de fé.



* Dom Robinson Cavalcanti, ose, Bispo Anglicano da Diocese do Recife e escritor, é ex-coordenador do Curso de Mestrado em Ciência Política e ex-diretor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

sábado, 3 de janeiro de 2009

A Virgem sob suspeita


Por
Adriana Dias Lopes

As aparições de Nossa Senhora de Medjugorje estão na mira do Vaticano. A Igreja desconfia da veracidade dos relatos dos seis videntes que, desde 1981, dizem receber mensagens da Virgem. Além disso, o líder espiritual deles foi acusado de "manipular consciências" e de "imoralidade sexual"

O maior fenômeno de devoção católica surgido nos últimos trinta anos teve início em junho de 1981, quando os adolescentes Vicka, Ivan, Ivanka, Mirjana, Jakov e Marija afirmaram ter visto Nossa Senhora no céu de Medjugorje, vilarejo no sul da Bósnia-Herzegovina. Desde então, as aparições nunca mais cessaram, segundo eles. Por causa disso, a cidadezinha recebe peregrinos vindos de diversas partes do mundo. Calcula-se que 2 milhões de pessoas viajem anualmente ao vilarejo, em busca do conforto espiritual e das graças de Nossa Senhora de Medjugorje. No Brasil, a fé na Virgem da Bósnia é compartilhada por 1 milhão de pessoas. Elas se reúnem em grupos de oração, rezam o terço e fazem jejuns semanais. Tamanha devoção, no entanto, sofreu recentemente um golpe duro – e aplicado pela própria Igreja. O papa Bento XVI ordenou, no início do ano, o confinamento do padre franciscano Tomislav Vlasic, o líder espiritual dos videntes, em um monastério da Ligúria, na Itália. O religioso é apontado como "manipulador de consciências", "herege" e acusado de "doutrina dúbia e imoralidade sexual", entre outros crimes previstos pelo código canônico. Até que o processo seja concluído, o padre Vlasic permanecerá proibido de exercer suas funções eclesiásticas. Para muitos especialistas em Vaticano, no instante em que a Santa Sé colocou sob suspeita a idoneidade de Vlasic, ela passou a questionar com mais força a veracidade das aparições em Medjugorje. As autoridades da Igreja mantêm uma posição de reserva sobre o assunto. "Por enquanto, o Vaticano não aprova nem desaprova o fenômeno Medjugorje", diz Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé.

Os malfeitos de Vlasic datam de antes do início das visões em Medjugorje. Em 1976, seis anos depois de se tornar padre, ele engravidou uma freira chamada Rufina. Para evitar o escândalo, convenceu-a a partir para a Alemanha, sob o argumento de que, tão logo abandonasse o hábito, ele se juntaria a ela. Os meses passavam e nada de Vlasic cumprir a promessa. Inconformada, Rufina cobrou a palavra do padre por meio de cartas. Em resposta, ele desconversava, chegando a pedir à freira grávida para "seguir o exemplo de Nossa Senhora e aceitar seu destino em terras estrangeiras, comportando-se com discrição". História mantida em sigilo, Vlasic foi transferido da cidadezinha de Capljina para Medjugorje em setembro de 1981, quase em seguida à primeira aparição da Virgem, em junho. Orador hábil, pertencente à Renovação Carismática, movimento católico caracterizado por grupos de oração animados, missas coreografadas e cenas de transe místico, Vlasic transformou-se em conselheiro espiritual dos seis jovens videntes, também de famílias carismáticas. Coincidência ou não, foi a partir dessa aproximação que as visões adquiriram teatralidade. "Um exemplo: no momento em que afirmam falar com Maria, movem a boca como se falassem por ela", diz Cecília Mariz, professora de sociologia da religião da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

O sucesso de Vlasic em Medjugorje durou relativamente pouco. De acordo com uma reportagem assinada por Simon Caldwell na revista inglesa The Spectator, em 1984, algumas das cartas enviadas pelo padre à freira Rufina foram lidas pela locatária do apartamento onde ela vivia. Indignada, a mulher enviou a correspondência a Pavao Zanic, bispo da diocese de Mostar, na Bósnia, em cuja jurisdição está Medjugorje. Zanic, por sua vez, remeteu-a a um prelado alemão no Vaticano – ninguém menos do que o cardeal Joseph Ratzinger, que viria a se tornar o atual papa Bento XVI e então presidia a Congregação para a Doutrina da Fé. Em seu notório estilo blitzkrieg, Ratzinger mandou transferir Vlasic para a cidade italiana de Parma. Apesar de mais perto dos olhos de Roma, o padre continuou a divulgar as mensagens de Nossa Senhora de Medjugorje. No fim dos anos 80, ele criou a comunidade Rainha da Paz, Completamente Vosso. Sob sua liderança, integrantes do grupo passaram a relatar visões. Não só da Virgem, como de Jesus e até de extraterrestres.

Para além do comportamento suspeito de Vlasic, há outro motivo para a desconfiança da Igreja em relação ao fenômeno de Medjugorje. As aparições tiveram início um ano depois da morte de Josip Broz Tito, o ditador comunista que mantinha com mão-de-ferro a unidade da então Iugoslávia. Seu desaparecimento alimentou ainda mais as ambições de independência das repúblicas que compunham o país, entre elas a Bósnia. O que Nossa Senhora tem a ver com as confusões nos Bálcãs? Talvez não fosse essa a intenção da santa, mas o fato é que as visões no começo da década de 80 foram oportuníssimas do ponto de vista político: serviram para fortalecer os franciscanos locais, naquele momento fonte de apoio de grupos nacionalistas croatas de extrema direita que desejavam ampliar sua influência na Bósnia. Ou seja, num primeiro instante, as aparições levaram a que todo o esforço do Vaticano para enfraquecer os franciscanos na região fosse por água abaixo. "A notícia das aparições ajudou os integrantes da ordem a ganhar prestígio junto à população. Isso tornou tudo mais delicado para a Igreja", diz Carlos Steil, antropólogo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Como se não bastassem as estripulias do padre Vlasic e a oportunidade política das visões, Nossa Senhora de Medjugorje contraria a tradição que cerca a Virgem – o que redobra a desconfiança da Igreja em relação ao fenômeno. Em primeiro lugar, a Nossa Senhora de Medjugorje aparece (e fala) demais. A levar a sério os relatos dos seis videntes, ela já teria dado o ar de sua graça mais de 40 000 vezes nos últimos 27 anos – e em vários lugares, não só no vilarejo bósnio. "Maria, no Evangelho, é um exemplo de discrição e acolhimento", diz o vaticanista italiano Giancarlo Zizola. "Essas aparições em Medjugorje são um imbróglio." Discrição não é força de expressão: para se ter uma idéia, no Novo Testamento inteiro, há apenas seis frases atribuídas à mãe de Jesus, mais uma saudação a Santa Isabel.

Há outro elemento estranho: boa parte das mensagens de Nossa Senhora de Medjugorje está em desacordo com a imagem de Maria talhada por séculos de história. A santa bósnia pede que os videntes rezem pela paz, como as de Fátima e Lourdes, mas freqüentemente menciona um nome estranho ao universo da mãe de Jesus: Satanás. E de maneira bastante amedrontadora. Em 1917, por exemplo, quando Nossa Senhora de Fátima apresentou o inferno – um mar de fogo sobre o qual flutuavam e gemiam formas humanas –, as três crianças que descreveram a visão não ficaram aterrorizadas. Sentiram-se protegidas pela santa. No caso de Medjugorje, quando o mal é o tema das aparições, ele invariavelmente causa medo. Num dos relatos mais célebres, a vidente Mirjana mostrou-se horrorizada com as feições de Nossa Senhora. De acordo com ela, por alguns segundos, os olhos da Virgem permaneceram vazios de expressão. A explicação é que ela queria que Mirjana percebesse a diferença entre o mal e o bem. "A participação de Maria no Evangelho é sempre uma manifestação de amor e agradecimento, nunca de medo", diz Afonso Murad, professor de teologia do Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus, em Belo Horizonte.

Hoje, Vicka, Ivan, Ivanka, Mirjana, Jakov e Marija estão na faixa dos 40 anos. Quatro deles permaneceram na Bósnia. Marija vive em Monza, na Itália, e Ivan, em Boston, nos Estados Unidos. Todos se casaram (Ivan com uma ex-miss Massachusetts), tiveram filhos e engordam a renda familiar com palestras sobre a Nossa Senhora de Medjugorje. Como algumas visões acontecem com hora marcada, é possível promover espetáculos em torno delas – que rendem a videntes e organizadores um bom dinheiro. Em 1997, durante uma visão na Califórnia, Ivan conseguiu arrecadar 70 000 dólares sob a forma de doações voluntárias.

Há três anos, formou-se um grupo de estudos, cujo núcleo é composto de trinta pessoas, entre leigos e religiosos, para analisar a veracidade do fenômeno. Conduzidos pela Pontifícia Academia Mariana Internacional (Pami), instituição ligada ao Vaticano, os trabalhos correm em segredo e estão previstos para acabar até o fim de 2009. "É extremamente remota a probabilidade de o veredicto ser favorável às aparições em Medjugorje", diz um dos vários consultores da Pami. A conclusão do grupo de estudos é peça fundamental para uma posição definitiva da Santa Sé em relação às visões de Medjugorje. O Vaticano, ressalte-se, é muito cuidadoso em relação a aparições em geral. Mesmo os fenômenos reconhecidos oficialmente só têm lugar para homenagens nos calendários nacionais da Igreja – o dia de Nossa Senhora Aparecida, por exemplo, é comemorado apenas no Brasil. Nenhum católico é obrigado a acreditar em aparições de santos. "Mas elas têm o papel fundamental de alimentar a fé", diz Afonso Soares, presidente da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Mariano ardoroso – creditava à intercessão de Nossa Senhora de Fátima o fato de ter saído com vida do atentado na Praça de São Pedro, em 1981 –, o papa João Paulo II esteve na Bósnia por duas vezes e jamais colocou os pés em Medjugorje. "Foi o único grande local de peregrinação católica que não recebeu a visita dele", diz o padre Vicente André de Oliveira, diretor da Academia Mariana do Brasil e pároco do Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Se um papa místico como João Paulo II não cedeu à popularidade da Virgem dos Bálcãs, só um milagre, e dos grandes, possibilitará que um papa cerebral como Bento XVI venha a reconhecer a sua legitimidade.

COM O AVAL DO PAPA

Dono de uma profunda fé mariana, João Paulo II dizia ter sobrevivido ao atentado de 1981 graças à intervenção de Nossa Senhora de Fátima. As aparições de Fátima foram reconhecidas pela Igreja em 1930. Segundo os registros católicos, a Virgem apareceu seis vezes para três crianças, em 1917


Em 1858, em Lourdes, na França, Nossa Senhora apareceu dezoito vezes para a menina Bernadete, de acordo com o Vaticano. Em uma das últimas, Nossa Senhora se identificou como a da Imaculada Conceição, então um dogma recente da Igreja. Bernadete foi canonizada em 1933. No 150º aniversário das aparições, o santuário foi visitado pelo papa Bento XVI


Fonte: Revista Veja
http://veja.abril.com.br/101208/p_094.shtml

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Carta a um universitário cristão


por

Alderi Souza de Matos



Caro irmão em Cristo,

Você tem o privilégio de freqüentar um curso superior, algo que não está disponível para muitos brasileiros como você. Todavia, esse privilégio implica em muitas responsabilidades e em alguns desafios especiais. Um desses desafios diz respeito a como conciliar a sua fé com determinados ensinos e conceitos que lhe têm sido transmitidos na vida acadêmica.

Até ingressar na universidade, você viveu nos círculos protegidos do lar e da igreja. Nunca a sua fé havia sido diretamente questionada. Talvez por vezes você tenha se sentido um tanto desconfortável com certas coisas lidas em livros e revistas, com opiniões emitidas na televisão ou com alguns comentários de amigos e conhecidos. Porém, de um modo geral, você se sentia seguro quanto às suas convicções, ainda que nunca tivesse refletido sobre elas de modo mais aprofundado.

Agora, no ambiente secularizado e muitas vezes abertamente incrédulo da universidade, você tem ficado exposto a idéias e teorias que se chocam frontalmente com a sua fé até então singela, talvez ingênua, da infância e da adolescência. Os professores, os livros, as aulas e as conversas com os colegas têm mostrado outras perspectivas sobre vários assuntos, as quais parecem racionais, científicas, evoluídas. Alguns de seus valores e crenças parecem agora menos convincentes e você se sente pouco à vontade para expressá-los. Para ajudá-lo a enfrentar esses desafios, eu gostaria de fazer algumas considerações e chamar a sua atenção para alguns dados importantes.

Em primeiro lugar, você não deve ficar excessivamente preocupado com as suas dúvidas e inquietações. Até certo ponto, ter dúvidas é algo que pode ser benéfico porque o ajuda a examinar melhor a sua fé, conhecer os argumentos contrários e adquirir convicções mais sólidas. O apóstolo Paulo queria que os coríntios tivessem uma fé testada, amadurecida, e por isso recomendou-lhes: “Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem a si mesmos” (2 Co 13.5). As dúvidas mal resolvidas realmente podem ser fatais, mas quando dão oportunidade para que a pessoa tenha uma fé mais esclarecida e consciente, resultam em crescimento espiritual e maior eficácia no testemunho. O apóstolo Pedro exortou os cristãos no sentido de estarem “sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês” (1 Pe 3.15).

Além disso, você deve colocar em perspectiva as afirmações feitas por seus professores e colegas em matéria de fé religiosa. Lembre-se que todas as pessoas são influenciadas por pressupostos, e isso certamente inclui aqueles que atuam nos meios universitários. A idéia de que professores e cientistas sempre pautam as suas ações pela mais absoluta isenção e objetividade é um mito. Por exemplo, muitos intelectuais acusam a religião de ser dogmática e autoritária, de cercear a liberdade das pessoas e desrespeitar a sua consciência. Isso até pode ocorrer em muitos casos, mas a questão aqui é a seguinte: Estão os intelectuais livres desse problema? A experiência mostra que os ambientes acadêmicos e científicos podem ser tão autoritários e cerceadores quanto quaisquer outras esferas da atividade humana. Existem departamentos universitários que são controlados por professores materialistas de diversos naipes – agnósticos, existencialistas e marxistas. Muitos alunos cristãos desses cursos são ridicularizados por causa de suas convicções, não têm a liberdade de expor seus pontos de vista religiosos e são tolhidos em seu desejo de apresentar perspectivas cristãs em suas monografias, teses ou dissertações. Portanto, verifica-se que certas ênfases encontradas nesses meios podem ser ditadas simplesmente por pressupostos ou preconceitos anti-religiosos e anticristãos, em contraste com o verdadeiro espírito de tolerância e liberdade acadêmica.

Você, estudante cristão que se sente ameaçado no ambiente universitário, deve lembrar que esse ambiente é constituído de pessoas imperfeitas e limitadas, que lidam com seus próprios conflitos, dúvidas e contradições, e que muitas dessas pessoas foram condicionadas por sua formação familiar ou educacional a sentirem uma forte aversão pela fé religiosa. Tais indivíduos, sejam eles professores ou alunos, precisam não do nosso assentimento às suas posições anti-religiosas, mas do nosso testemunho coerente, para que também possam crer no Deus revelado em Cristo e encontrem o significado maior de suas vidas.

Todavia, ao lado dessas questões mais pessoais e subjetivas, existem alegações bastante objetivas que fazem com que você se sinta abalado em suas convicções cristãs. Uma dessas alegações diz respeito ao suposto conflito entre fé e ciência. O cristianismo não vê esse impasse, entendendo que se trata de duas esferas distintas, ainda que complementares. Deus é o criador tanto do mundo espiritual quanto do mundo físico e das leis que o regem. Portanto, a ciência corretamente entendida não contradiz a fé; elas tratam de realidades distintas ou das mesmas realidades a partir de diferentes perspectivas. O problema surge quando um intelectual, influenciado por pressupostos materialistas, afirma que toda a realidade é material e que nada que não possa ser comprovado cientificamente pode existir. O verdadeiro espírito científico e acadêmico não se harmoniza com uma atitude estreita dessa natureza, que decide certas questões por exclusão ou por antecipação.

Mas vamos a alguns tópicos mais específicos. Você, universitário cristão, pode ouvir em sala de aula questionamentos de diversas modalidades: acerca da religião em geral (uma construção humana para responder aos anseios e temores humanos), de Deus (não existe ou então existe, mas é impessoal e não se relaciona com o mundo), da Bíblia (um livro meramente humano, repleto de mitos e contradições), de Jesus Cristo (nunca existiu ou foi apenas um líder carismático), da criação (é impossível, visto que a evolução explica tudo o que existe), dos milagres (invenções supersticiosas, uma vez que conflitam com os postulados da ciência), e assim por diante. Não temos aqui espaço para responder a todas essas alegações, mas perguntamos: Quem conferiu às pessoas que emitem esses julgamentos a prerrogativa de terem a última palavra sobre tais assuntos? Por que deve um universitário cristão aceitar tacitamente essas alegações, tantas vezes motivadas por preferências pessoais e subjetivas dos seus mestres, como se fossem verdades definitivas e inquestionáveis?

O fato é que, desde o início, os cristãos se defrontaram com críticas e contestações de toda espécie. Nos primeiros séculos da era cristã, muitos pagãos acusaram os cristãos de incesto, canibalismo, subversão e até mesmo ateísmo! Foram especialmente contundentes as críticas feitas por homens cultos como Porfírio e Celso, que questionaram a Escritura, as noções de encarnação e ressurreição, e outros pontos. Eles alegavam que o cristianismo era uma religião de gente ignorante e supersticiosa. Em resposta a esses ataques intelectuais surgiu um grupo de escritores e teólogos que ficaram conhecidos como os apologistas e os polemistas. Dentre eles podem ser citados Justino Mártir, Irineu de Lião, Tertuliano, Clemente de Alexandria e Orígenes, que produziram notáveis obras em defesa da fé cristã.

Em nosso tempo, também têm surgido grandes defensores da cosmovisão cristã, tais como Cornelius van Til, C. S. Lewis, Francis Schaeffer, R. C. Sproul, John Stott1 e outros, que têm utilizado não somente a Bíblia, mas a teologia, a filosofia e a própria ciência para debater com os proponentes do secularismo. Além deles, outros autores têm publicado obras mais populares acerca do assunto, apresentando argumentos convincentes em resposta às alegações anticristãs. Dois bons exemplos recentes são o livro de Lee Strobel, Em Defesa da Fé (www.editoravida.com.br), que possui um capítulo especialmente instrutivo sobre uma questão até hoje não aclarada pela ciência, ou seja, a origem da vida, e o livro de Phillip Johnson, Ciência, Intolerância e Fé (www.ultimato.com.br), cujo subtítulo já diz muito: “A cunha da verdade: rompendo os fundamentos do naturalismo”. É importante que você, universitário cristão, leia esses autores, familiarize-se com seus argumentos e reflita de maneira cuidadosa sobre a sua fé, a fim de que possa resistir à sedução dos argumentos divulgados nos meios acadêmicos.

Outra iniciativa importante que você deve tomar é aproximar-se de outros estudantes que compartilham as mesmas convicções. É muito difícil enfrentar sozinho as opiniões contrárias de um sistema ou de uma comunidade. Por isso, envolva-se com um grupo de colegas cristãos que se reúnam para conversar sobre esses temas, compartilhar experiências, apoiar-se mutuamente e cultivar a vida espiritual. Muitas universidades têm representantes da Aliança Bíblica Universitária (ABU) e de outras organizações cristãs idôneas que visam precisamente oferecer auxílio aos estudantes que se deparam com esses desafios. Não deixe também de participar de uma boa igreja, onde você possa encontrar comunhão genuína e alimento sólido para a sua vida com Deus.

Em conclusão, procure encarar de maneira construtiva os desafios com que está se defrontando. Veja-os não como incômodos, mas como oportunidades dadas por Deus para ter uma fé mais madura e consciente, para conhecer melhor as Escrituras, para inteirar-se das críticas ao cristianismo e de como responder a elas, para dar o seu testemunho diante dos seus professores e colegas, por palavras e ações. Saiba que você não está só nessa empreitada. Além de irmãos que intercedem por sua vida, você conta com a presença, a força e a sabedoria do Senhor. Muitos já passaram por isso e foram vitoriosos. Meu desejo sincero é que o mesmo aconteça com você. Deus o abençoe!

Alderi Souza de Matos


Nota:

1. Entre os livros de John Stott, leia Por Que Sou Cristão , recém-lançado pela Editora Ultimato.



Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da igreja Presbiteriana do Brasil.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Mais de 200 pessoas são retiradas de seita Mormon.


FORT WORTH, EUA, 7 Abr 2008 (AFP) - As autoridades já evacuaram 219 mulheres e crianças de um rancho do Texas, pertencente a uma seita mórmon que pratica a poligamia, informou a imprensa americana neste domingo à noite.

De acordo com o jornal "The Salt Lake Tribune", as autoridades haviam revistado apenas metade do local, após a denúncia de que um homem de 50 anos teria se casado, em 2007, com uma jovem hoje com 16 e que já seria mãe de um bebê de oito meses.

A menina, não identificada, teria telefonado para a polícia da fazenda de propriedade da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (FLDS, sigla em inglês, corrente fundamentalista mórmon), que fica em Eldorado.

A lei do estado do Texas proíbe que as meninas menores de 16 anos se casem, mesmo que contem com a aprovação dos pais.

Nessa operação, que já dura três dias, unidades especiais da polícia entraram no templo da igreja, sem incidentes, ontem à noite, depois que os líderes do lugar negaram por várias horas o acesso às autoridades.

Hoje, as autoridades continuavam procurando a jovem, o bebê e o suposto pai, enquanto assistentes sociais interrogavam outros habitantes da região.

O "Salt Lake Tribune" informou que os serviços sociais evacuaram 60 mulheres e 159 crianças para interrogá-las em uma atmosfera menos intimidadora.

A organização FLDS, dirigida por Warren Jeffs, é uma ramificação da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, com sede em Salt Lake City, da qual se separou depois que esta renunciou à prática da poligamia em 1890.

Warren Jeffs foi detido em 2006 por ser cúmplice de estupro e está pagando pena de prisão perpétua, embora continue dirigindo a seita de dentro da penitenciária.

Fonte: G1

Ciência e religião

mulheres rezando
As mulheres sofreriam mais ao se afastarem da igreja
Mulheres que abandonam suas atividades religiosas têm três vezes mais chances de sofrer de ansiedade, depressão e alcoolismo, segundo um estudo conduzido por pesquisadores americanos.

Os especialistas, da Universidade de Temple, na Filadélfia, analisaram 718 adultos e concluíram que entre as mulheres que haviam deixado de freqüentar a igreja, 21% apresentaram sintomas de ansiedade, depressão e problemas relacionados ao excesso de bebidas alcoólicas.

O mesmo, no entanto, não foi observado entre os homens. O trabalho, publicado na revista especializada Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, apontou que os homens que deixaram de praticar sua fé tinham menos chances de sofrer de depressão do que os que compareciam à igreja regularmente.

Para a coordenadora do estudo, Joanna Maselko, as mulheres sofrem mais ao se afastarem da religião porque também têm mais chances de perder amigos e se afastar da “rede social da igreja”.

“As mulheres são normalmente mais integradas às redes sociais de suas comunidades religiosas. Quando deixam de ir à igreja, perdem o acesso a esta rede e todos seus benefícios potenciais”, observa Maselko.

Já os homens, afirma Maselko, “não parecem ser tão integrados à comunidade religiosa, portanto não sofrem com as possíveis conseqüências se abandonam a igreja”.

Para a coordenadora do trabalho, é possível "ter um melhor entendimento da relação entre saúde e espiritualidade quando conhece a história religiosa de uma pessoa”.

Fonte:BBC Brasil.com

domingo, 6 de abril de 2008

Aconteceu nas religiões:


Este foi um tópico que encontrei em uma comunidade "cristã gay". Leia e tire suas conclusões:


"Mórmons e atração pelo mesmo sexo".


"Segundo declaração do Elder Holland, um dos 12 Apóstolos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos do Últimos Dias, os sentimentos de atração pelo mesmo sexo não é pecado. A declaração do Apóstolo está na edição de outubro de 2007 da revista A Liahona, órgão oficial de informações relacionadas a Igreja Mórmon no Brasil, na página 40 o Líder Mórmon afirma:
'Sabe, a atração pelo
mesmo sexo não é um pecado, mas a
ação relacionada a esses sentimentos é,
bem como a relacionada aos sentimentos
heterossexuais.' Como membro da IJCSUD, nunca vi um Líder falar assim e ainda mais em uma publicação oficial da Igreja, mesmo que haja uma condenação à prática de sexo homossexual e heterossexual (não consta da referência, mas essa apenas antes do casamento), o simples de fato de hoje não colocarem os sentimentos que atraem indivíduos do mesmo sexo como pecado, já é algo que faz pensar, não acham?"
Quem comenta é o autor da postagem, segundo ele, membro de a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos ultimos dias. Como vemos, não é só nas igrejas mais tradicionais que há um "movimento gay" mas até em movimentos sectários há algum tipo de expectativa quanto a liberação das práticas homoeróticas. Sem dúvida é um sinal dos tempos. E você, conhece algum outro grupo em que haja movimento pró-homoxesualismo? Postem seus comentários.

Por Guilherme Parizio