domingo, 10 de maio de 2009

O Protestantismo Brasileiro em Números: Percentagens Estimadas

Mantida a taxa de crescimento registrada na década 1991-2000 seríamos hoje 21,5% dos brasileiros, com a seguinte configuração regional:

  • Norte: 32,0%
  • Centro-Oeste: 31,0%
  • Sudeste: 29,7%
  • Sul: 19,8%
  • Nordeste: 19,2%

Teriam mais de 35% da população as seguintes unidades da Federação: Amazonas, Roraima, Acre, Rondônia, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Distrito Federal.

A menor taxa de crescimento, por Estado, é o Rio Grande do Sul, com 3,15%, e a maior, Roraima, com 13,41%.

O quadro do Nordeste, em percentagem da população, é o seguinte;

  • Pernambuco: 20,5% (*)
  • Maranhão: 16,6%
  • Alagoas: 16,2%
  • Bahia: 16,1%
  • Paraíba: 15,4%
  • Rio Grande do Norte: 14,6%
  • Ceará: 12,9%
  • Sergipe: 10,7%
  • Piauí: 9,4%

(*) Pelo Censo de 1970, 10% dos protestantes do Nordeste viviam na Região Metropolitana do Recife. Pelo Censo de 2000, o município do Grande Recife com maior percentagem de protestantes é Abreu e Lima.

Dos 5.564 municípios brasileiros ainda há muitos com menos de 5% de protestantes.

Fonte: Sepal – MAI – Ministério de Apoio e Informação (www.mai.org.br)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Ponto de Equilíbrio


Sem. Elton Roney Carvalho (¬)



Toda existência está inserida em uma forma de acontecimento. Nem tudo acontece por um acaso. O propósito de algo sempre está ligado a uma causa maior do que conhecemos. Nossa vida, nossas metas, nossas realizações e as realizações que deixamos de lado, são consequências desse propósito maior. Cristo, o centro de toda estrutura, é o acaso explicável, o princípio e o fim, Aquele que expressa a pura certeza em meio às nossas dúvidas. Isso pelo simples fato de nossa aceitação.

Para que algo permaneça de pé, tem que ter uma estrutura, um ponto que o faça seguro, alicerçado e propício ao crescimento. Numa planta, temos sua raiz, parte fundamental que gera segurança, força e vida à mesma, é seu “ponto de equilíbrio”, é o que lhe garante existência e crescimento. Claro, depois da Natureza. O Sol, obra das mãos de Deus, concede à Terra vida, o aquecimento, a iluminação e, com sua energia, faz brotar a vida que necessita. E assim, sucede-se a vida; todos têm seu ponto de equilíbrio, sua segurança, sua rocha.

O ponto de equilíbrio, muitas vezes, ganha nome de Sentido da vida. Concordo. Qual tem sido o sentido da vida ou a própria vida desse mundo atual? Qual tem sido o ponto de equilíbrio de nossa geração? Cito alguns que regem o mundo e acredito que possam estar na característica de sentido da vida, do mundo; ponto de equilíbrio: “Imoralidade, Impureza e indecência, idolatria... vaidades, ambição egoísta, partidarismo... bebedeiras, orgias e coisas semelhantes”[1]. Tudo que gera o funcionamento dessa grande engrenagem humana é o sentimento de satisfação pessoal, o “aproveitamento” irresponsável de sua vida. A existência tornou-se uma corrida contra o tempo, uma corrida por sentir-se realizado em uma vida longe das respostas procuradas.

A falta de busca para compreender as verdades de Deus reveladas nas Escrituras tem criado uma geração que facilmente alicerça sua existência e sua fé em falsos pontos de equilíbrio; tem gerado fiéis desequilibrados. A nossa própria falta de abertura para o conhecimento de Deus, o nosso próprio pecado causa cegueira, nos fazendo não compreender o equilíbrio certo para o momento certo. Em cada atitude, Deus espera de mim equilíbrio com Sua revelação, com Sua Palavra, com Sua vontade.

Em meio aos “ventos de doutrinas” e às “tradições de homens”, existe a pura dificuldade de ouvirmos a Palavra de Deus e nos tornarmos pessoas equilibradas. O Apóstolo Paulo exorta ao Jovem Tito:

“Exorta os mais velhos para que sejam equilibrados, respeitáveis, sóbrios, sadios na fé, no amor e na constância; as mulheres mais velhas, de igual modo, sejam reverentes no viver, não caluniadoras... exorta de igual modo os jovens para que sejam equilibrados”[2].

Mas, para os mais práticos, surge de imediato a pergunta: Como fazer isso? Como me tornar equilibrado diante do Pai? Como posso ter uma vida mais bem estruturada e equilibrada? Como posso ter uma vida plenamente estruturada em minha fé?

1. Compreenda a revelação de Deus

São muitos os que afirmam a fé cristã. São tantos que acredito que, se o mesmo número fosse acrescido de uma fé alicerçada, o mundo seria diferente. Não julgo da autenticidade da nossa fé, mas, me sinto mal diante de irmãos(ãs) que observamos pouco sentimento de conhecer profundamente dos preceitos de Deus e Sua revelação, de estudar a Palavra de Deus e decidi-la viver integralmente. Por que temos tantas dificuldades de cumprir ações transformadoras de nossas próprias vidas? “E não vos amoldeis ao esquema desse mundo, mas, sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa perfeita e agradável vontade de Deus”[3].

Busque o alicerce fiel da Palavra de Deus, não deixe que sua vida se torne mais um fruto da superficialidade atual do mundo, crie relacionamentos firmes com seus irmãos, não permita que o barulho da confusão atual do mundo faça de você um cético, mas, aprenda a ter fé, que é, por sua vez, “a certeza do que não se vê”. Compreender a revelação de Deus é permitir-se conhecer mais de Deus, através, e principalmente, da paixão pela Sua Palavra. Dê o valor merecido à Bíblia!

2. Conheça e exercite seus dons (habilidades) espirituais

O privilégio de ser parte da família de Deus é grande, ainda mais quando podemos realizar com nossas próprias mãos parte da obra de nosso Pai. Deus nos concede a grande oportunidade de realizar algo em Seu nome, nos concede autoridade e capacidade para sermos embaixadores de Cristo. Somos parte de um “organismo” (nas palavras do Pastor Rick Warren) que trabalha e sempre deve trabalhar pela proclamação da Sua Palavra e pela atuação das Boas Novas no mundo.

Há uma diversidade de dons, como expressa o Apóstolo Paulo em 1 Coríntios 12. Podemos exercer aquilo que Deus desejou, em plena conformidade com nossos desejos, com nossas habilidades pessoais, com nossos talentos. O dom que Deus nos concede não é uma contradição com o que gostamos de realizar em nossas vidas. Com nossa própria experiência de vida podemos fazer somar o organismo vivo que é a Igreja de Deus. O que Deus lhe ensinou a fazer melhor? Faça para Ele. Isso dará um sentido à sua vida, como nada jamais deu.

3. Reconheça suas prioridades

Estamos buscando passos que nos façam equilibrados diante de Deus. Aprendemos que devemos buscar compreender a revelação de Deus, objetivando chegar mais perto Dele. Percebemos que devemos reconhecer e depois exercitar os nossos dons, que são nossas habilidades pessoais desenvolvidas e lapidadas por Deus para o uso do crescimento de Sua Igreja, Sua missão aqui na terra. Devemos nos conhecer em termos de lugar certo e habilidades coerentes com nossas personalidades. Você já viu alguma orelha tentando ver alguma coisa? Acho que não! Todos têm sua natureza, e a faz funcionar bem. Qual é a nossa?

É daí que vai desencadear nossas prioridades. Em nossas habilidades descobriremos o que mais podermos fazer para nossa vida, nossas causas e nossas metas. Lembrando que isso não entra em choque com o Reino de Deus em nossas vidas, pois o próprio é a nossa vida. A espiritualidade do Reino de Deus em nossas vidas deve acontecer na medida de nossa atuação no mundo. Não existe divisão entre atuação no Reino de Deus e atuação no mundo secular. Existe sua posição diante dos dois.

Quando priorizo as minhas atividades que surgem de quem eu realmente sou, estou sendo equilibrado, estou honrando a Deus que me criou para fazer isso, para realizar tal propósito. Não devemos ser levado por todo desejo que vem a nós como sentimentos efêmeros; atendendo a toda vontade que não é centrada na Palavra de Deus.

Na construção de uma personalidade centrada na verdade que buscamos, devemos compreender que a ação do Espírito de Deus em nós é que nos guia para patamares maiores de entendimento daquilo que o Próprio Deus quer de nós. Vivemos em um tempo puramente consequência de séculos de ateísmo, onde não há explícito na mente das pessoas, a certeza de uma caminhada sólida rumo a algum lugar. O que as pessoas buscam são respostas imediatas à suas buscas históricas. Essa busca histórica experimenta uma série de soluções para uma única resposta que termina em Cristo. Se o Homem pensa que irá conseguir respostas nas perguntas erradas, está enganado. Na verdade, às vezes nem acho que o homem pergunta errado; acho que ele não quer enxergar a resposta evidente existente na Criação e na Revelação Histórica de Deus. Sendo assim, aceita as várias propostas de “pontos de equilíbrio” concedidas pelo “príncipe deste mundo”.

Qual é a razão para a busca pelo equilíbrio na centralidade cristã? É a razão do que somos e devemos ser: o Equilíbrio para um mundo desequilibrado. Sem delongas teológicas cristãs e discursos sem fim em sermões de mais de horas, decretos em nossas vidas a excelência de uma vida equilibrada diante de Deus e das pessoas, pratiquemos uma fé engajada na Igreja do nosso Senhor para que frutifique em equilíbrio na Sã doutrina, no Evangelho autêntico, na disciplina do amor e na consolidação da missão global.




[1] Gálatas 5:19-21.

[2] Tito 2:2-3,6.

[3] Romanos 12:2.


¬

Elton Roney Carvalho é membro da Diocese do Recife, aluno do Seminário Anglicano Teológico – SAT-PB; participa ativamente do Arcediagado Paraíba.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

COMO NÃO TRAIR JESUS?

“Eles contudo gritavam: Que seja crucificado!”
Mateus 27:23


Sem. Elton Roney Carvalho (*)




No Domingo de Ramos, comemoramos a entrada triunfal de Jesus, o Cristo, em Jerusalém. Nesse dia, relembramos, em nossa tradição Anglicana, todo o simbolismo herdado pela história da Igreja e sua relevância para a história atual do povo de Deus na Liturgia e no significado de cada representação.


Na entrada de Jesus em Jerusalém, temos o cumprimento das Promessas do Antigo Testamento, destaco:


A Profecia do Ato Messiânico: “Alegra-te muito ó filha de Sião; exulta ó filha de Jerusalém; o teu rei vem a ti; ele é justo e traz a Salvação; Ele é humilde e vem montado num jumento, num jumentinho, filho de jumenta” (Zacarias 9:9).


Notamos a similaridade com o texto de Mateus 21:5-11. E aqui encontramos toda a confirmação do povo na comemoração. Podemos observar que “As multidões, tanto as que iam adiante Dele como os que o seguiam, clamavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!”.


Não há como negar a participação ativa da massa popular de Jerusalém nesse evento tão importante da cristandade. Nesse evento, participa o povo da Velha Aliança, com a afirmação que era verdadeiramente o Filho de Davi que estava em cena. Estava ali aquele que é enviado de Deus para tirar o pecado do mundo é que era digno de ser aclamado para “Salvar agora” (Hosana).


Questiono-me, então, como o cenário pode mudar tão rápido. Já no capítulo 27, está registrado: “Então o governador perguntou: Qual desses dois quereis que eu vos solte? Eles disseram: Barrabás... que farei então de Jesus, chamado o Cristo?Todos disseram: Que seja crucificado. Pilatos, porém, disse: Mas que mal ele fez? Eles, contudo, gritavam ainda mais: Que seja crucificado!”.


Que mudança de cenário! O mesmo povo que gritava: “Hosana!”, gritou: “Crucifica-o!”. A mudança é radical. É evidente que dentro do estudo da onisciência de Deus e de Seu perfeito plano para a crucificação, observamos a mão dos Fariseus dentro do contexto. Mas, isso não nega a traição dos Judeus. Segundo John Stott, em seu livro A Cruz de Cristo, Jesus foi traído pelos Judeus, por Judas, por Pilatos e por nós; isso para não mencionar os discípulos, que não ficaram para ver a cena. Ou então, negaram.


Percebo que, hoje, não é diferente. Por vezes, nós pregamos um Jesus dentro da Igreja e negamos Seu nome fora. Não são poucas as vezes que nos esquecemos de nosso compromisso com a santidade e viramos as costas para Ele. Cada vez que esqueço a obra redentora de Cristo, me comporto como esse povo. Digo: Hosana, depois, crucifico Ele em meus pecados. Quando não atendo a um pobre, quando não prego o evangelho autêntico, quando não amo meus inimigos, quando não atendo as viúvas, quando não deixo que o Espírito me domine, quando permito que a carne tome conta de meus conceitos. Quando não adoro ao Senhor de todo o coração, quando não dizimo fielmente, quando não percebo falhas e confesso minhas omissões, quando não tomo nenhuma atitude que declara que minha vida pertence a Ele. Quando não adoro a Deus com meus estudos e o honro com meu pensar.


Na Bíblia, a Palavra de Deus, encontramos respostas para um tempo sem muita ênfase bíblica, mesmo nas Igrejas. E gostaria de compartilhar três lições sobre como não trair Jesus, baseado em Mateus 21:12:22.


Valorizar a Comunidade (v.13)
- “...minha casa será chamada casa de oração”.

- É cumprimento da profecia em Is 56:7.

- Oração é nada mais, nada menos, que comunicação com Deus.

- Na comunidade: Falamos com Deus e ouvimos a Deus, ministramos aos irmãos e somos ministrados.


Incomodar a oposição (v.15)
- “...os principais sacerdotes e os escribas indignaram-se”.

- Tudo o que é contrário ao reino de Deus se constrange. Ou influenciamos, ou somos influenciados no mundo de hoje.

- Cristo curava (v.14) precisamos curar nosso ambiente através de Seu poder.


Ter aumento de Fé (v.21)
- “...se tiverdes fé e não duvidardes...”.

- A Fé é o que move tudo, é o sobrenatural que move a vida. Não convêm apenas as razões lógicas, vivemos por fé. A melhor explicação.

- É impossível agradar a Deus sem fé (Hb 11).


Acredito que nesse tempo difícil de relatividade, devemos nos aprofundar no estudo nas Sagradas Escrituras, para que possamos encontrar respostas e soluções para tais problemas relacionados à vida cristã e a construção social.


Desejo que sempre possamos permitir que o amor de Deus encha nosso coração através de Seu espírito, e que entendamos que Cristo morreu pelos nossos pecados para que pudéssemos continuar do Seu lado, transformando o mundo.




(*) Elton Roney Carvalho é membro da Diocese do Recife, aluno do Seminário Anglicano Teológico – SAT-PB; participa ativamente do Arcediagado Paraíba.

sábado, 25 de abril de 2009

A Religião Vermelha



Por Guilherme Parizio


Se eu pedisse a qualquer pesoa um pouco informada sobre assuntos religiosos que me citasse o nome de uma religião que promete o paraíso na terra e o fim das desigualdades entre os homens num reino de paz para sempre, muito provavelmente a resposta seria: "OsTestemunhas de Jeová". Poucos associariam esses conceitos a um grupo eminentemente anti-teísta e que sistematicamente perseguiu e eliminou grupos religiosos do território que dominaram por três quartos de século.

Estou me referindo a uma religião que dominou um país de proporções continentais e rivalizou com o cristianismo num periódo de 74 anos na Rússia e nas demais regiões que nessa época eram conhecidas pelo nome de "União Soviética". Ou o amigo(a) não sabia que de certo modo o chamado "Marxismo-Leninismo" incorporava elementos religiosos em seu bôjo? Se Está disposto a conhecer alguns desses elementos, lhes convido a ler as próximas linhas que preparei para serem debatidas.

Antes que algum irmão mais "progressista" me tache de reacionário, quero deixar bem claro que só abordei esse tema pelo simples motivo de que sempre simpatizei com as idéias de esquerda mas não posso deixar de admitir que o sistema que foi implantado na antiga União Soviética além de desumano, foi incompetente. Ao escrever essas linhas não tive outra intenção se não fazer um pequeno esbôço de um aspecto que considero fundamental nesse sistema, o religioso, ainda que os teóricos do movimento neguem que o sistema traga em si esse elemento.

Realmente, o marxismo-leninismo propaga, como já foi salientado acima, uma emancipação dos conceitos metafísicos e de qualquer esperança extra –túmulo. Isso não quer dizer que os mesmos não tenham incorporado ao sistema, ainda que de forma inconciente, rituais consagradas pela religião. E não só isso, houve mesmo uma “teologia” e uma mística marxista, coisa que podemos sentir não só nos escritos dos fundadores como em seus posteriores propagadores, ainda que a palavra “Deus” não esteja lá, a não ser de forma negativa. Não importa: a religião vermelha existiu, com todo seu aparato comprado aos das grandes religiões do mundo.


O homem tem um vazio em forma de Deus, e só Ele pode preenchê-lo. Todo sistema, ideologia ou coisa parecida que não considere essa verdade tende ao fracasso.

Deus: O estado

Diferente das tradições religiosas conhecidas a “teologia” comunista não tem um Deus pessoal como objeto de adoração. Tal Deus, segundo eles, é uma ilusão alienante que escraviza o homem e o impede de lutar pela libertação dos povos do jugo capitalista. Esse Deus além de inútil é pernicioso. Não há lugar para ele no mundo da religião vermelha. Deve ser rejeitado e combatido. Em seu lugar se ergue o Estado, com seu poder absoluto de vigiar e cuidar da sociedade. Nada nem ninguém está fora do seu poder. Nenhuma instituição pode fugir de seu controle.

Para que haja respeito pelo estado o mesmo deve ser temido e admirado. Um verdadeiro “culto” deve ser prestado a ele e uma complexa liturgia deve ser desenvolvida. O povo terá o vazio deixado pelos ídolos metafísicos preenchido por esses espetáculos públicos que devem embebecer os sentidos para impedir que o Deus destronado não tente se revolver em seus corações. Parece que esse foi o quesito em que eles mais foram incompetentes, haja visto as notícias de igrejas e pessoas que nunca sucumbiram a essa atitude que as agências missionárias recebiam constantemente nessa época.

O Profeta e Legislador: Karl Marx


Foi aquele visionário que primeiro teve a "luminosa" idéia de um mundo onde todos teriam os mesmos direitos e oportunidades sem ricos nem pobres, patrões ou empregados, ou seja , o céu (chamado por eles de sociedade sem classes) e onde um unico Deus (estado) seria senhor absoluto de corações e mentes (para o bem de toda essa nova socidade).













O Messias: Lênin

O grande salvador e libertador do povo russo, e por quer não dizer, de todo aquele que aceitassem sua proposta de libertação. De qualquer forma todas as pessoas iriam aceitar essa proposta mais cedo ou mais tarde (querendo ou não) pois a tendencia natural da história e o destino final da humanidade era se tornar um paraíso comunista.













O Papa: Stalin

Após a morte do messias (que não ressussitou, obviamente) foi nescessário a eleição de um vigário para conduzir os fiéis no caminho da ortodoxia vermelha, pois muitos hereges, como veremos a seguir, já estavam se in surgindo contra a "sã doutrina" pregada pelos profetas e postas em prática pelo messias, que , diferentemente do da tradição cristã, deixou muitos escritos para que o povo não se desviasse.

O papa manteve a ordem e excomungou muitos hereges, como Trotsky, que foi executado pela inquisição vermelha.









A Sé apostólica: O Kremlin

Todo papa presisa de uma sé e não foi diferente com Stalin. O Kremlin se prestou perfeitamente a essa função. De lá ele comandou com mão de ferro todo império vermelho (União Soviética) e influenciou de forma poderosa outras regiões mais distantes onde essa forma de religião era professada (p.ex: Cuba, China...






A Catequese: A doutrinação

Era feita a partir da mais tenra idade. Era intensiva (através da doutrinação) e ostensiva (através da propaganda).

Literatura contrária à doutrina era expressamente proibida, e só poderia ser lida por especialistas com o intuito de ser analisada e refutada.








As Cruzadas

Essa modalidade de expressão religiosa não poderia faltar a religião vermelha. Os combatentes da fé se enpenhavam ao máximo para converter os "pagãos" a sua religião (caso contrário, pelooes de fuzilamento, deportações para sibéria...)



Os Hereges

O caso emblemático foi o de Trotsky que mesmo sendo um apóstolo da religião, não foi poupado para dar o exemplo e não contaminar a fé dos fiéis.








A Inquisição

Interrogatórios, denuncias e execuções eram comuns no mundo vermelho. Eram armas constantemente usadas pelos homens do Kremlin.







A Bíblia

A religião vermelha era uma religião altamente escriturística com suas escrituras sagradas como regra de fé e prática valendo para todos os fiéis. Seus principais escritores sacros eram Marx, Engels e Lênin, por isso o sistema também é chamado de “marxismo-leninismo”.













Os Perdidos

Eram todos os não-vermelhos, principalmente um povo que se intitulava cristão e obstinadamente teimava em não se curvar a liberdade que lhes era oferecida, mesmo a custa de sua própria vida. O mais incrível era que muitos dos que professavam a religião vermelha ao presenciarem tais atos de insubordinação também se tornavam cristãos e, apesar da perseguição sistemática, núcleos do cristianismo proliferavam a cada dia não só na Rússia mas em todos os países satélites(era a chamada igreja subterrânea).







A Escatologia

A religião vermelha cria que em um futuro próximo, após um período de choque entre as potências mundias um novo mundo iria surgir, sem explorados e exploradores, sem classes sociais, onde Deus (estado) seria o único senhor, como foi profetizado por Marx.












Segundo alguns, muitos fiéis remanescentes ainda estão por aí , nos mais diferentes lugares do mundo, ainda que alguns professem um forma heterodoxa da doutrina.
Muitos deles esperam um advento glorioso, principalmente nesses últimos tempos de crise global: são os profetas vermelhos. O tempo dirá se esses resignados combatentes voltarão a ver o sistema em sua total glória passada.

Pode parecer contraditório, mas sempre votei em Lula e escolhí candidadtos de esquerda. Mas, "o que escreví, escreví". É o que penso sobre aquele tipo de socialismo burocrático, intolerante, inóquo e desumano. Idêntico a muitas religiões que existem no mundo de hoje.








quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ponto de Vista


Por Guilherme Parizio

Existem pessoas que vem ao mundo só para sofrer? Aparentemente, sim.
Mas, que fique bem entendido: só aparentemente.
Um dia desses quase fui persuadido pela força desse engano. Aconteceu quando observei uma pessoa muito próxima a mim deitada no sofá de sua casa. Era uma senhora muito querida, mas que já passou por coisas que só uma verdadeira cristã poderia suportar e perdoar aqueles que a fizeram sofrer. Ela estava lá, deitadinha, enrolada num lençol, naquele sofá velho, magrinha como ela só. Sabedor de todos os sofrimentos pelos quais ela já havia passado, comecei a conjecturar:
-Coitada, veio ao mundo só para sofrer. E um a um os problemas da mesma foram se enfileirando em meus devaneios. Como os amigos de Jó, me indagava o motivo de tudo isso: qual o sentido de se sofrer assim? Havia alguma finalidade nisso?

Ainda tomado por esse estado mental, lembrei que uma vez um parente meu se dirigiu a mim com a seguinte frase: "você não viveu,passou pela vida" Detalhe: ainda não havia completado 30 anos! Era como eu só tivesse colecionado fracassos e nunca produzisse nada de concreto, de duradouro. Na hora eu repudiei aquela opinião a meu respeito. Eu não era só uma vítima passiva do destino, longe disso. Poderia não estar realizado financeiramente, que era o foco de seu diagnóstico, mas havia realizações na esfera do "espirito", no mundo do conhecimento, das boas amizades...

De repente, voltei ao planeta terra e me ví novamente naquela sala humilde, próximo aquela pessoa querida. Como um estalo, cheguei a uma conclusão: eu não estaria usando o mesmo princípio, as mesmas categorias para julgar a vida dessa pessoa? Não estaria focando só um aspecto de sua existência e desconsiderando outros? Não estaria usando uma "chave hermenêutica" inapropriada para interpretar uma vida humana, uma vivência?

Longe de ser uma desculpa para perdedores, essa visão é mais profunda e tende a ser mais acertada do que a anterior. Onde eu vejo sofrimento ela talvez veja abnegação, onde eu vejo pobreza ela pode ver simplicidade, onde eu vejo falta de perpectiva ela pode ver falta de ansiedade.

Temos de levar em consideração a vida interior do ser humano, perceber o ser antes do ter. Isso não implica em dizer que devamos parar de lutar por nossos objetivos (ideiais) e não nos esforçar para melhorar a cada dia, materialmente inclusive. Todas essas coisas em sí mesmo não são pecados. Mas não podemos fazer desses desejos legítimos o principal objetivo de nossas vidas. Não podemos fazer do dinheiro um ídolo de papel ou metal. E não devemos julgar quem assim não procede e taxa-los de preguiçosos, vítimas de sí mesmos, covardes ou perdedores. Acredito, hoje, que existam pessoas muito felizes mesmo em meio à pobreza muito grande, ao passo que existem ricos que deixam verdadeiras fortunas no analista e após anos ainda são infelizes.

Talvez essa pessoa de quem eu estou falando seja a pessoa mais feliz do mundo, ou talvez não. Mas, quem pode saber? Quem pode medir um sentimento tão pessoal e tão subjetivo? Seja como for, não posso deixar de constatar que essa pessoa, apesar das vissitudes nunca perdeu a esperança, que é parente próxima da felicidade.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Do Dogmatismo Evolucionista




Por Dom Robinson Cavalcanti, ose (*)



Com a celebração dos 200 anos do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação de sua obra “A Origem das Espécies”, o debate criacionismo vs. evolucionismo voltou a ocupar amplos espaços na imprensa, quase sempre marcado pela falta de imparcialidade, e uma boa dose de sensacionalismo. O legado da Idade Contemporânea inclui uma forte herança do cientificismo, ou cienticismo, sistematizado no Positivismo de Augusto Comte (a Teologia e a Filosofia como fases “inferiores” do saber vs. a fase “superior” da Ciência), que influenciou várias teorias, inclusive o marxismo.


Há uma amnésia histórica em relação ao fato de que todas as Universidades do mundo, desde seus primórdios no século IX ao século XIX (cuja exceção foi a Escola Politécnica de Paris, fundada por Napoleão) foram criadas pelas instituições religiosas, com a presença curricular da Teologia, da Filosofia e das Ciências (Da Natureza, Sociais e as ditas Exatas). Enquanto vivemos hoje sob um novo surto de Secularismo (pseudo-Laicismo) que quer empurrar a Religião para fora da esfera pública (Política, Academia), restringindo-a ao subjetivismo individual e ao espaço fechado dos lares e dos templos, vamos testemunhando uma nova valorização da multidisciplinaridade e da interdisciplinaridade (quebrando do departamentalismo estanque), a revalorização do saber Teológico e Filosófico, e a compreensão dos seres humanos como além-cerebrais, e que o conhecimento inclui o afetivo, o erótico, o místico, o estético, etc., e não somente o racional e o sistemático-verificacional.


O mundo do saber deve ser eminentemente plural. Em cada disciplina há diversidade de escolas e teorias, nenhuma sendo monolítica, e, muito menos, estática, pois todo saber tem um quê de provisoriedade. A liberdade de cátedra, com espaço para a exposição e a crítica, para novas sínteses e novas propostas, é uma marca central da vida acadêmica. Na história do debate entre criacionismo e evolucionismo, tivemos entre judeus e cristãos propostas de evolucionismos teístas e de criacionismos evolutivos, como Telhard Chardin, entre os católicos romanos e Bernard Ramm entre os protestantes.


Enquanto se critica alguns fundamentalistas norte-americanos por serem contrários à inclusão do evolucionismo nas escolas públicas daquele país, no Brasil (e em outros países), são os criacionistas que de forma arrogante, intolerante e dogmática, lutam para proibir, de forma absoluta, a presença do ensino criacionismo em nossas escolas. É a mesma atitude, com sinais trocados.


Não se pode negar que o criacionismo teve rebatimentos além da biologia, com pensadores no campo sociológico e político defendendo um “darwinismo social” (a sobrevivência dos mais fortes e mais aptos), e, com a ausência da intervenção divina e da revelação, resulta em um relativismo moral, com a dificuldade de se condenar a delinquência.


Os criacionistas precisam, urgentemente, de um “choque de humildade”, permitindo uma crítica aos seus postulados na sala de aula, precisam recuperar o valor concreto da liberdade acadêmica, e, mais ainda, o respeito a docentes e alunos, em sua capacidade de investigar, discernir e escolher.


Nós, os retrógrados religiosos, apenas estamos exercendo a nossa cidadania, os nossos direitos humanos, e a nossa defesa da liberdade de expressão e do retorno da Universidade à proposta original que motivou a sua criação por homens e mulheres de fé.



* Dom Robinson Cavalcanti, ose, Bispo Anglicano da Diocese do Recife e escritor, é ex-coordenador do Curso de Mestrado em Ciência Política e ex-diretor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

sábado, 3 de janeiro de 2009

A Virgem sob suspeita


Por
Adriana Dias Lopes

As aparições de Nossa Senhora de Medjugorje estão na mira do Vaticano. A Igreja desconfia da veracidade dos relatos dos seis videntes que, desde 1981, dizem receber mensagens da Virgem. Além disso, o líder espiritual deles foi acusado de "manipular consciências" e de "imoralidade sexual"

O maior fenômeno de devoção católica surgido nos últimos trinta anos teve início em junho de 1981, quando os adolescentes Vicka, Ivan, Ivanka, Mirjana, Jakov e Marija afirmaram ter visto Nossa Senhora no céu de Medjugorje, vilarejo no sul da Bósnia-Herzegovina. Desde então, as aparições nunca mais cessaram, segundo eles. Por causa disso, a cidadezinha recebe peregrinos vindos de diversas partes do mundo. Calcula-se que 2 milhões de pessoas viajem anualmente ao vilarejo, em busca do conforto espiritual e das graças de Nossa Senhora de Medjugorje. No Brasil, a fé na Virgem da Bósnia é compartilhada por 1 milhão de pessoas. Elas se reúnem em grupos de oração, rezam o terço e fazem jejuns semanais. Tamanha devoção, no entanto, sofreu recentemente um golpe duro – e aplicado pela própria Igreja. O papa Bento XVI ordenou, no início do ano, o confinamento do padre franciscano Tomislav Vlasic, o líder espiritual dos videntes, em um monastério da Ligúria, na Itália. O religioso é apontado como "manipulador de consciências", "herege" e acusado de "doutrina dúbia e imoralidade sexual", entre outros crimes previstos pelo código canônico. Até que o processo seja concluído, o padre Vlasic permanecerá proibido de exercer suas funções eclesiásticas. Para muitos especialistas em Vaticano, no instante em que a Santa Sé colocou sob suspeita a idoneidade de Vlasic, ela passou a questionar com mais força a veracidade das aparições em Medjugorje. As autoridades da Igreja mantêm uma posição de reserva sobre o assunto. "Por enquanto, o Vaticano não aprova nem desaprova o fenômeno Medjugorje", diz Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé.

Os malfeitos de Vlasic datam de antes do início das visões em Medjugorje. Em 1976, seis anos depois de se tornar padre, ele engravidou uma freira chamada Rufina. Para evitar o escândalo, convenceu-a a partir para a Alemanha, sob o argumento de que, tão logo abandonasse o hábito, ele se juntaria a ela. Os meses passavam e nada de Vlasic cumprir a promessa. Inconformada, Rufina cobrou a palavra do padre por meio de cartas. Em resposta, ele desconversava, chegando a pedir à freira grávida para "seguir o exemplo de Nossa Senhora e aceitar seu destino em terras estrangeiras, comportando-se com discrição". História mantida em sigilo, Vlasic foi transferido da cidadezinha de Capljina para Medjugorje em setembro de 1981, quase em seguida à primeira aparição da Virgem, em junho. Orador hábil, pertencente à Renovação Carismática, movimento católico caracterizado por grupos de oração animados, missas coreografadas e cenas de transe místico, Vlasic transformou-se em conselheiro espiritual dos seis jovens videntes, também de famílias carismáticas. Coincidência ou não, foi a partir dessa aproximação que as visões adquiriram teatralidade. "Um exemplo: no momento em que afirmam falar com Maria, movem a boca como se falassem por ela", diz Cecília Mariz, professora de sociologia da religião da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

O sucesso de Vlasic em Medjugorje durou relativamente pouco. De acordo com uma reportagem assinada por Simon Caldwell na revista inglesa The Spectator, em 1984, algumas das cartas enviadas pelo padre à freira Rufina foram lidas pela locatária do apartamento onde ela vivia. Indignada, a mulher enviou a correspondência a Pavao Zanic, bispo da diocese de Mostar, na Bósnia, em cuja jurisdição está Medjugorje. Zanic, por sua vez, remeteu-a a um prelado alemão no Vaticano – ninguém menos do que o cardeal Joseph Ratzinger, que viria a se tornar o atual papa Bento XVI e então presidia a Congregação para a Doutrina da Fé. Em seu notório estilo blitzkrieg, Ratzinger mandou transferir Vlasic para a cidade italiana de Parma. Apesar de mais perto dos olhos de Roma, o padre continuou a divulgar as mensagens de Nossa Senhora de Medjugorje. No fim dos anos 80, ele criou a comunidade Rainha da Paz, Completamente Vosso. Sob sua liderança, integrantes do grupo passaram a relatar visões. Não só da Virgem, como de Jesus e até de extraterrestres.

Para além do comportamento suspeito de Vlasic, há outro motivo para a desconfiança da Igreja em relação ao fenômeno de Medjugorje. As aparições tiveram início um ano depois da morte de Josip Broz Tito, o ditador comunista que mantinha com mão-de-ferro a unidade da então Iugoslávia. Seu desaparecimento alimentou ainda mais as ambições de independência das repúblicas que compunham o país, entre elas a Bósnia. O que Nossa Senhora tem a ver com as confusões nos Bálcãs? Talvez não fosse essa a intenção da santa, mas o fato é que as visões no começo da década de 80 foram oportuníssimas do ponto de vista político: serviram para fortalecer os franciscanos locais, naquele momento fonte de apoio de grupos nacionalistas croatas de extrema direita que desejavam ampliar sua influência na Bósnia. Ou seja, num primeiro instante, as aparições levaram a que todo o esforço do Vaticano para enfraquecer os franciscanos na região fosse por água abaixo. "A notícia das aparições ajudou os integrantes da ordem a ganhar prestígio junto à população. Isso tornou tudo mais delicado para a Igreja", diz Carlos Steil, antropólogo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Como se não bastassem as estripulias do padre Vlasic e a oportunidade política das visões, Nossa Senhora de Medjugorje contraria a tradição que cerca a Virgem – o que redobra a desconfiança da Igreja em relação ao fenômeno. Em primeiro lugar, a Nossa Senhora de Medjugorje aparece (e fala) demais. A levar a sério os relatos dos seis videntes, ela já teria dado o ar de sua graça mais de 40 000 vezes nos últimos 27 anos – e em vários lugares, não só no vilarejo bósnio. "Maria, no Evangelho, é um exemplo de discrição e acolhimento", diz o vaticanista italiano Giancarlo Zizola. "Essas aparições em Medjugorje são um imbróglio." Discrição não é força de expressão: para se ter uma idéia, no Novo Testamento inteiro, há apenas seis frases atribuídas à mãe de Jesus, mais uma saudação a Santa Isabel.

Há outro elemento estranho: boa parte das mensagens de Nossa Senhora de Medjugorje está em desacordo com a imagem de Maria talhada por séculos de história. A santa bósnia pede que os videntes rezem pela paz, como as de Fátima e Lourdes, mas freqüentemente menciona um nome estranho ao universo da mãe de Jesus: Satanás. E de maneira bastante amedrontadora. Em 1917, por exemplo, quando Nossa Senhora de Fátima apresentou o inferno – um mar de fogo sobre o qual flutuavam e gemiam formas humanas –, as três crianças que descreveram a visão não ficaram aterrorizadas. Sentiram-se protegidas pela santa. No caso de Medjugorje, quando o mal é o tema das aparições, ele invariavelmente causa medo. Num dos relatos mais célebres, a vidente Mirjana mostrou-se horrorizada com as feições de Nossa Senhora. De acordo com ela, por alguns segundos, os olhos da Virgem permaneceram vazios de expressão. A explicação é que ela queria que Mirjana percebesse a diferença entre o mal e o bem. "A participação de Maria no Evangelho é sempre uma manifestação de amor e agradecimento, nunca de medo", diz Afonso Murad, professor de teologia do Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus, em Belo Horizonte.

Hoje, Vicka, Ivan, Ivanka, Mirjana, Jakov e Marija estão na faixa dos 40 anos. Quatro deles permaneceram na Bósnia. Marija vive em Monza, na Itália, e Ivan, em Boston, nos Estados Unidos. Todos se casaram (Ivan com uma ex-miss Massachusetts), tiveram filhos e engordam a renda familiar com palestras sobre a Nossa Senhora de Medjugorje. Como algumas visões acontecem com hora marcada, é possível promover espetáculos em torno delas – que rendem a videntes e organizadores um bom dinheiro. Em 1997, durante uma visão na Califórnia, Ivan conseguiu arrecadar 70 000 dólares sob a forma de doações voluntárias.

Há três anos, formou-se um grupo de estudos, cujo núcleo é composto de trinta pessoas, entre leigos e religiosos, para analisar a veracidade do fenômeno. Conduzidos pela Pontifícia Academia Mariana Internacional (Pami), instituição ligada ao Vaticano, os trabalhos correm em segredo e estão previstos para acabar até o fim de 2009. "É extremamente remota a probabilidade de o veredicto ser favorável às aparições em Medjugorje", diz um dos vários consultores da Pami. A conclusão do grupo de estudos é peça fundamental para uma posição definitiva da Santa Sé em relação às visões de Medjugorje. O Vaticano, ressalte-se, é muito cuidadoso em relação a aparições em geral. Mesmo os fenômenos reconhecidos oficialmente só têm lugar para homenagens nos calendários nacionais da Igreja – o dia de Nossa Senhora Aparecida, por exemplo, é comemorado apenas no Brasil. Nenhum católico é obrigado a acreditar em aparições de santos. "Mas elas têm o papel fundamental de alimentar a fé", diz Afonso Soares, presidente da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Mariano ardoroso – creditava à intercessão de Nossa Senhora de Fátima o fato de ter saído com vida do atentado na Praça de São Pedro, em 1981 –, o papa João Paulo II esteve na Bósnia por duas vezes e jamais colocou os pés em Medjugorje. "Foi o único grande local de peregrinação católica que não recebeu a visita dele", diz o padre Vicente André de Oliveira, diretor da Academia Mariana do Brasil e pároco do Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Se um papa místico como João Paulo II não cedeu à popularidade da Virgem dos Bálcãs, só um milagre, e dos grandes, possibilitará que um papa cerebral como Bento XVI venha a reconhecer a sua legitimidade.

COM O AVAL DO PAPA

Dono de uma profunda fé mariana, João Paulo II dizia ter sobrevivido ao atentado de 1981 graças à intervenção de Nossa Senhora de Fátima. As aparições de Fátima foram reconhecidas pela Igreja em 1930. Segundo os registros católicos, a Virgem apareceu seis vezes para três crianças, em 1917


Em 1858, em Lourdes, na França, Nossa Senhora apareceu dezoito vezes para a menina Bernadete, de acordo com o Vaticano. Em uma das últimas, Nossa Senhora se identificou como a da Imaculada Conceição, então um dogma recente da Igreja. Bernadete foi canonizada em 1933. No 150º aniversário das aparições, o santuário foi visitado pelo papa Bento XVI


Fonte: Revista Veja
http://veja.abril.com.br/101208/p_094.shtml

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A fé e o fato (saiba agora o que acontece no mundo das religiões)



Por Guilherme Parizio

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