sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Mujica vai à igreja por Chávez

http://noticias.br.msn.com/video/default2.aspx?videoid=d85cac6c-c358-40ae-8113-ab905444eed8



A precária saúde do presidente venezuelano Hugo Chávez conseguiu na quinta-feira (13) o que muitos uruguaios consideram um milagre: levar o presidente de seu país, José Mujica, ateu convicto, à missa para pedir a recuperação do líder caribenho.
Perante o olhar atento da imprensa do país sul-americano, considerado o mais laico do continente e onde a separação entre Igreja e Estado é cumprida com todo rigor, o veterano Mujica, um ex-guerrilheiro de 77 anos pouco dado a cerimônias e protocolos, se apresentou na igreja dos Franciscanos Conventuais de Montevidéu para acompanhar as orações pela saúde de Chávez.
O templo estava lotado e junto aos paroquianos frequentes surpreendeu também a presença da esposa de Mujica, a senadora Lucía Topolansky, e dos ministros das Relações Exteriores, Luis Almagro, e do Trabalho, Eduardo Brenta.
Mujica acompanhou a cerimônia atentamente do primeiro banco junto com o embaixador venezuelano no Uruguai, Julio Chirinos, e chegou até mesmo a benzer-se enquanto o padre oficiava a missa.
"Estou ficando velho e não sei se estou me aproximando de Deus ou não. Não sou crente. Dentro do meu coração ainda não posso ou não sei crer. Mas eu sei que Chávez acredita. Não encontrei outra opção que fazer uma coisa destas para praticar um pouco de solidariedade em um momento difícil para ele", se justificou na saída da cerimônia.
Mujica, que esteve 14 anos na prisão, a maioria durante a ditadura (1973-1985) por sua militância, indicou que, assim que os médicos lhe derem sinal verde, tem intenção de ir a Cuba, onde Chávez está se recuperando de uma operação, para visitá-lo "e dar-lhe um abraço".
O governante venezuelano foi operado na terça-feira em Havana após sofrer uma recaída no câncer que foi diagnosticado em julho de 2011 e pelo qual já foi operado em três ocasiões anteriores. Na quinta-feira o Governo de Caracas informou que o ex-militar e presidente da Venezuela desde 1999 sofreu complicações na intervenção, mas se recupera bem e seus sinais vitais estão normais.

O que é apologia?


Por Guilherme Parizio


A palavra apologia quer dizer defesa. No sentido religioso, mais especificamente cristão, seria defender a fé.
Como o termo "fé" é muito vago, muitos tem dado a ela os mais variados sentidos: defender o depósito de fé que foi dado aos santos (no entendimento católico romano as verdades escriturísticas  bem como a "sagrada tradição"), a doutrina basilar da justificação pela fé (a tradição reformada faz dessa doutrina a pedra de toque do cristianismo ortodoxo), a crença no batismo no (ou com) Espírito Santo (os pentecostais não colocam esse ponto como necessário a salvação, porém combatem veementemente quem afirma que essa não seria uma "segunda obra da graça"). Aqui não discutiremos nenhum desses pontos, pelo menos de forma prioritária. Há uma infinidade de sites, blogs e comunidades que tratam dessas temáticas (para vantagem nossa, diga-se de passagem). O que pretendemos aqui é abordar um tema sem o qual nenhum outro faria o menor sentido, sem o qual a própria religião perderia a razão de ser, e o cristianismo seria qualquer coisa menos uma proposta de reconciliação, pelo simples motivo de que não haveria nada com o que nos reconciliar. A proposta aqui é, na falta de outro termo melhor, "demonstrar a existência de Deus".
Não é um tema modesto. Não pretendo também descobrir novas verdades. Na verdade, humildemente confesso que só posso abordar um tema dessa envergadura por que outros já o fizeram no passado. Homens que nos deixaram um legado de fé no ser supremo que influenciaram gerações e que nos ajudam a enunciar de forma racional o que acreditamos.
Independente de nossas peculiaridades acredito realmente que o que está em jogo hoje não é a crença em particular, mas a fé em geral, não o ato de crer, já que não há quem possa duvidar dessa verdade insofismável: a de que o ser humano pode crer. O que está em jogo é a validade do ato de fé, não só no seu aspecto psicológico e gnosiológico (a fé seria uma ilusão, Deus não passaria de uma projeção da mente, logo, suas afirmações não se sustentariam a uma análise racional, contudo seria um lenitivo e uma forma do homem expressar seus desejos mais profundos), mas no social, inclusive. Os atuais negadores de Deus estão concentrando esforços para criar um clima totalmente desfavorável a prática da religião, haja vista o teor dos livros que essas pessoas tem escrito nos últimos anos. O estado ideal seria não só laico, mas desprovido de qualquer manifestação religiosa. Gostaria de debater esse assunto, e saber onde o cristianismo poderia ser afetado por essa onda ateística que varre não só o mundo acadêmico, mas as pessoas da rua. E ainda, o que nós como igreja podemos fazer para minimizar as baixas e alcançar tantas pessoas perturbadas e sem esperança, deixando de lado questões menores, conscientes, claro, de que há aqui todo um contexto escatológico.
Nos próximos tópicos iremos tentar mostrar alguns postulados bíblicos da fé no criador. Em seguida pretendemos mostrar opiniões de filósofos a respeito de Deus (tópicos especiais serão dedicados a Santo Anselmo e suas provas da existência de Deus e a Santo Tomás de Aquino e suas cinco vias de acesso a Deus). Contamos com a colaboração de todos, sejam com opiniões, críticas e sugestões. Intercedam por esse projeto.

O ateu pode ser ético?


Por Guilherme Parizio 

O debate em torno da questão fundamental da existência ou não de um Ser superior, regente do universo parece que está longe de acabar. O ateísmo é, a meu ver, um fator que afeta a cosmovisão de todo e qualquer indivíduo no quesito ética e moralidade. A sociedade pode prescindir da ideia de Deus sem com isso comprometer sua existência? O caos verificado em todos o setores da sociedade atualmente não será decorrente dessa falta de esperança em um mundo extratemporal regido por um Ser moralmente capacitado? 
Nunca houve uma civilização eminentemente ateia  Um mundo totalmente secularizado é algo novo na história humana. Não será o caso de concordarmos com a velha máxima "Se Deus não existe, tudo é permitido?” Opine.

domingo, 2 de setembro de 2012

Morre aos 92 anos o reverendo Moon, da Igreja da Unificação

SEUL, 2 Set (Reuters) - O fundador e líder da Igreja da Unificação, com milhões de seguidores em todo o mundo, Sun Myung Moon, morreu cerca de Seul neste domingo (segunda-feira na Coreia do Sul), informaram autoridades da igreja.



O reverendo Moon tinha 92 anos e sofria de complicações decorrentes de uma pneumonia, disseram as autoridades



Ele teve uma vida pública ativa até recentemente. Em março ele realizou um casamento coletivo para 2,5 mil pessoas e liderou um serviço religioso para mais de 15 mil pessoas em julho.



O reverendo Moon já havia deixado o comando diário da operações da igreja, que tem a sua sede em Seul, para um de seus filhos, e a gerência do Tongil Group, com atividades nas áreas de construção, resorts, agências de viagens e um jornal, para um outro filho.




Fonte: REUTERS BRASIL

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Segundo Filho de Deus: Em novo filme de Renato Aragão, Jesus fracassou e Didi irá substitui-lo em “contos bíblicos”

O humorista Renato Aragão, famoso pelo personagem Didi dos Trapalhões, vai estrelar um filme no qual viverá um suposto “filho de Deus”, enviado para cumprir a missão na qual Jesus teria falhado.



- Como Jesus veio à Terra e não conseguiu cumprir a sua missão, porque os homens não deixaram, Deus resolve mandar um segundo filho. Aí, sim, Ele cumpre a missão – explica Aragão sobre o roteiro do filme, segundo o site Padom.



A polêmica produção, intitulada “O Segundo Filho de Deus”, está sendo anunciada como tendo seu enredo será baseado em “contos bíblicos”, para contar a estória de que Jesus não cumpriu sua missão na terra, e por isso Deus envia o seu segundo filho para concluí-la.



Orçado em 8,1 milhões de reais, o filme será dirigido por Paulo Aragão, e será o 49º filme da carreira do comediante, que é também escritor, diretor e produtor.



Como escritor, Renato Aragão escreveu recentemente seu primeiro romance “Amizade Sem Fim”. Com claras alusões ao espiritismo, o livro conta história do jovem empresário Ely, que abre a mão de sua fortuna para empreender uma busca interior, recorrendo à regressão hipnótica, através da qual acaba descobrindo que numa de suas vidas passadas, foi amigo íntimo de Jesus Cristo.



- Até pensei em fazer regressão para escrever sobre o assunto com mais consciência, mas ficou só na vontade. No final das contas, pensei: ‘Ah, não vou entrar nessa não! – disse Renato sobre o livro.

Fonte: Gnotícias http://noticias.gospelmais.com.br/segundo-filho-deus-filme-didi-jesus-41938.html

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Radio Universitária, que delícia de greve!



Há males que vem para bem. Quem diria que a fatídica greve da UFPE iria proporcionar aos amantes da boa música erudita um deleite permanente. E não é que a RÁDIO UNIVERSITÁRIA FM está transmitindo 24 horas por dia somente música clássica? Já ouvi cantatas, missas, motetos e fugas de Bach, oratórios de Haendel, concertos de Vivaldi e Mozart, madrigais, etc. Não quero entrar aqui no mérito da questão de se os funcionários tem ou não razão de cruzarem os braços, até porque a questão se refere somente aos jornalistas e apresentadores. O que chama a atenção é que essa experiência tão inusitada e inesperada resultou em mais uma alternativa para todos aqueles que, como eu, apreciam esse tipo de música, tão pouco divulgada em nosso país. Não seria a hora de se ter uma rádio em pernambuco nesses moldes, mais ou menos parecida com a rádio MEC? Torço para que essa greve acabe logo, pois sinto muita falta da programação, principalmente o da TV. Porém, ao mesmo tempo, sei que quando tudo se normalizar irei sofrer com a falta de alternativas para desfrutar da boa música em FM. Seja como for estou aproveitando.


                           

Meu companheiro de todas as noites pela RADIO UNIVERSITÁRIA 
   (ao menos por enquanto)

domingo, 17 de junho de 2012

Zeitgeist refutado em 7 minutos!

Assistam com atenção e tirem suas conclusões.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Programa especial A Paixão de Cristo com o Bispo Alexandre Ximenes

No próximo sabado, dia 07, o bispo Alexandre Ximenes estará participando do programa especial "A Paixão de Cristo" transmitido pela Rede Globo às 8:00 da manhã.

domingo, 18 de março de 2012

Brasileiras são libertadas após sequestro no Egito




Contando os minutos para rever sua filha sequestrada neste domingo no Egito, o pastor Dejair Batista Silvério, 60 anos, confirmou por volta das 20h30 (horário de Brasília) ao Terra que Sara Lima Silvério, 18 anos, e a amiga Zélia Magalhães de Mello, 45 anos, foram libertadas. No horário, Silvério disse que faltava cinco minutos para a filha chegar no hotel onde estão hospedados os turistas brasileiros.



"Ela está para chegar, dentro de cinco minutos está para chegar no hotel. Está tudo bem com ela, não foi maltratada. Estou muito contente, não queria passar esta noite sem minha filha e sem a Zélia", disse Silvério, que está no Egito em visita de membros da Igreja Evangélica Avivamento da Fé a locais sagrados.



"Estamos em uma caravana, e Deus não negou fogo onde operou tantos milagres no passado", comemorou. Segundo Silvério, foi um guia turístico que lhe garantiu a liberdade das brasileiras. "Conseguimos falar com o guia egípcio que estava com ela (Sara). O celular dele pegou sinal, e pude falar com a minha filha. Estava tão emocionado que não perguntei nada."



O pastor não soube responder se houve um pedido de resgate. "Quem libertou elas foi a polícia egípcia. Os sequestradores devem ter um propósito que não sabemos qual é", afirmou, antes de elogiar a atuação do Itamaraty no caso. "O governo brasileiro foi maravilhoso. A embaixada agiu, entraram em contato comigo em várias oportunidades e vão voltar a falar porque querem conversar com elas. Tivemos toda a assistência possível", sustentou.



Silvério descreveu a abordagem do ônibus em que estava com a filha pelos sequestradores, supostamente beduínos. "Vínhamos do Mar Vermelho, eles apareceram em dois carros, picapes com metralhadoras e fuzis. Atiraram para o ônibus parar e entraram no ônibus, em uma ação muito rápida. Pegaram minha filha e a Zélia e as levaram para fora. Pensamos que iriam metralhar o ônibus, mas não fizeram isso nem roubaram nada", disse.



Terceiro caso em um mês e meio

O sequestro aconteceu no sul da Península do Sinai, no leste do Egito. O grupo de brasileiros havia visitado o mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai. O porta-voz da coalizão de tribos do Sul do Sinai, Yuma Salim Barakat, disse que os xeques tribais se deslocaram ao local do sequestro imediatamente após serem informados sobre o fato. Ele afirmou que as tribos rejeitam este tipo de sequestros de turistas, que afetam a vida dos moradores da região.



Este é o terceiro episódio com essas características registrado no Sinai em apenas um mês e meio. Tribos beduínas retiveram em fevereiro três turistas sul-coreanos e outros dois turistas americanos. Nos dois casos, os sequestros duraram apenas algumas horas e foram concluídos depois que os beduínos exigiram a libertação de companheiros detidos por delitos como assalto a banco e tráfico de ópio.



A Península do Sinai, desmilitarizada por causa dos acordos de paz de Camp David entre Israel e Egito (1978), se transformou em um dos principais pólos de atração turística no Egito, graças principalmente ao encantamento de sua costa e a centros históricos religiosos como o mosteiro de Santa Catarina.


Com informações da Agência Efe.

Fonte: Terra/Jornal do Brasil


domingo, 11 de março de 2012

Polícia do Rio investiga pastor-celebridade por denúncias de estupro, tortura e ameaça de morte

Com bom trânsito entre políticos, artistas e ONGs, o pastor Marcos é agora acusado de abuso sexual, tortura de crianças e conivência com a bandidagem que ele diz “curar”, conforme revela reportagem de VEJA desta semana 

Na última década, o pastor carioca Marcos Pereira, 55 anos, conquistou respeito em rodas que mesclam políticos, desembargadores, artistas e uma vasta turma egressa de ONGs. Entre os que já o viram em cima de um púlpito gesticulando com um de seus Rolex em punho e desejando “rajadas de glória” à plateia, estão o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), a produtora Marlene Mattos e o ex-pagodeiro Waguinho, que, mesmo sem se eleger, alcançou 1,3 milhão de votos na última disputa para o Senado tendo o pastor Marcos como cabo eleitoral. Alçado à condição de religioso-celebridade, Marcos extrapolou, e muito, as fronteiras de sua igreja, a pentecostal Assembleia de Deus dos Últimos Dias, com sede no Rio e filiais no Paraná e no Maranhão. Desde 2004 — depois de pôr fim a uma sangrenta rebelião em um presídio do Rio, a pedido do então secretário de Segurança, Anthony Garotinho —, ele passou a ser visto como o mais habilidoso apaziguador de conflitos liderados pela bandidagem, com um currículo que, segundo o próprio, inclui o resgate de centenas do tráfico. Tem feito esse trabalho no Brasil inteiro e já foi várias vezes aos Estados Unidos, onde quer erguer um templo, para falar da experiência. Pois por trás dessa fachada, ao que tudo indica, se esconde um enredo de atrocidades que não deixa pedra sobre pedra da imagem de bom religioso do pastor.



Em um recém-instaurado inquérito, cujo número é 902-00048/2012 e que está em poder da Delegacia de Combate às Drogas do Rio, ele é acusado de encenações de cura pela fé, estupro, tortura de crianças e relações criminosas com os marginais aos quais esbravejava promessas de “salvação do demônio”. VEJA teve acesso a trechos da investigação, um conjunto de relatos de gente que diz ter sido vítima ou testemunha da perversidade do pastor. Um de seus homens de confiança durante mais de seis anos, longe da igreja há dois, traz à luz uma história escabrosa, que dá a dimensão de como o pastor se enfronhou no mundo do crime. Essa testemunha sustenta, por exemplo, que Marcos ficou claramente do lado dos bandidos que engendraram a mais sangrenta onda de terror no Rio, em 2006. Depois dos ataques, reuniu seu séquito mais íntimo em uma churrascaria. “Ele queria que os bandidos tivessem até explodido a Ponte Rio-Niterói. O objetivo era aparecer depois como o intermediário salvador”, conta o ex-fiel. A trama piora na voz de outra testemunha, que situa o pastor como braço operacional da selvageria. “Marcos foi ao presídio de bangu 1 e saiu de lá com um recado dos chefões do tráfico para que suas quadrilhas dessem sequência à carnificina”, rememora. Como sabe disso? “O pastor me encarregou de repassar a ordem nas favelas. E foi o que eu fiz.”



A polícia já colheu uma dezena de depoimentos, e muitas das histórias se repetem nos mínimos detalhes. A investigação começou há duas semanas, depois que o coordenador da ONG Afro- Reggae, José Junior, 43 anos, veio a público denunciar que o pastor tinha um plano para matá-lo. A informação vinha de integrantes da própria igreja. “Trata-se de um psicopata”, dispara Junior, que hoje tem a seu lado na ONG um antigo braço direito de Marcos, o pastor Rogério Ribeiro de Menezes, 39 anos. Afastado do templo de Marcos desde 2008, ele fala pela primeira vez sobre os dezessete anos que viveu sob suas asas. Tomou a decisão depois de ter sido ameaçado de morte três vezes — na última, os traficantes de uma favela esfregaram um fuzil contra seu rosto e pronunciaram o nome Marcos.



Seu depoimento ajuda a elucidar o que tanto unia o pastor aos traficantes que ele dizia “curar”, e certamente não era a fé. Não raro, Marcos lhe pedia que escondesse mochilas cheias de dinheiro em sua casa. Contou duas vezes a coleção de notas. “Numa delas, havia 200 000 reais. Na outra, 400 000 reais”, lembra Rogério. Detalhe: traziam resquícios de cocaína e crack. Segundo Rogério, o pastor cobrava até 20 000 reais para pregar nas favelas, o que os traficantes pagavam de bom grado, já que assim mantinham sua base assistencialista. Três deles chegaram a ser presos em propriedades da igreja do pastor, no Rio e no Paraná, mas a polícia nunca comprovou que estavam ali com a conivência do religioso. Todos pagaram uma taxa equivalente a 10% de tudo o que haviam acumulado no crime.



Em seu templo, o fundador é tão reverenciado quanto temido. Até hoje, manteve todos em silêncio à base de benesses e ameaças. Duas mulheres contam como a igreja se tornou um show de horrores no qual lhes cabia o papel de vítimas do pastor. Ambas dizem que foram violentadas sexualmente por ele diversas vezes. À polícia, uma das moças afirma ainda que Marcos obrigava as fiéis de sua preferência a manter relações sexuais com outros homens, em orgias das quais também participava. “Depois, mandava a gente confessar tudo com outro pastor, sem revelar nomes, é claro”, ela conta. Constam ainda do inquérito denúncias de crueldades contra crianças que o pastor mantinha sob sua guarda, em geral abandonadas pelos pais. Uma delas, de 7 anos, teria pago caro por testemunhar, casualmente, as peripécias sexuais do religioso. Ao se dar conta, o pastor agarrou-a pelos cabelos e lançou-lhe a cabeça no vaso sanitário, segundo um dos relatos à polícia.



Ex-garçom, o pastor Marcos é casado e tem dois filhos que já seguem seus passos no mundo da fé. Convertido em 1989, fundou sua igreja dois anos depois e constituiu ali um reinado de trevas. Proíbe refrigerante, rádio, televisão (apesar de ter um telão em seu gabinete) e remédios, já que a igreja se encarrega da cura (aos que pagarem uma taxa extra via boleto bancário, distribuído durante a pregação). Os cultos, que juntam até 15 000 pessoas, são barulhentos e teatrais — literalmente, segundo narra um ex-assessor do pastor, que ajudava a armar o show: “Ele dava dinheiro a viciados para comprarem droga, filmava a turma em degradação e depois levava para a igreja, como se os estivesse salvando”. Na última segunda- feira, um rapaz adentrou a Assembleia de Deus dos Últimos Dias de muletas, que usava desde um acidente que lhe machucara o fêmur. Depois das orações do pastor Marcos, caminhou em frente aos fiéis dizendo-se curado. Findo o culto, subiu na mesma moto que havia conduzido na viagem de ida à igreja e foi embora.

Fonte: Veja online