sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O ateu pode ser ético?


Por Guilherme Parizio

O debate em torno da questão fundamental da existência ou não de um Ser superior, regente do universo parece que está longe de acabar. O ateísmo é, a meu ver, um fator que afeta a cosmovisão de todo e qualquer indivíduo no quesito ética e moralidade. A sociedade pode prescindir da idéia de Deus sem com isso comprometer sua existência? O caos verificado em todos o setores da sociedade atualmente não será decorrente dessa falta de esperança em um mundo extratemporal regido por um Ser moralmente capacitado?
Nunca houve uma civilização eminentemente atéia. Um mundo totalmente secularizado é algo novo na história humana. Não será o caso de concordarmos com a velha máxima "Se Deus não existe, tudo é permitido?” Opine.


domingo, 5 de outubro de 2008

O que é apologia?


Por Guilherme Parizio

A palavra apologia quer dizer defesa. No sentido religioso, mais especificamente cristão, seria defender a fé.
Como o termo "fé" é muito vago, muitos tem dado a ela os mais variados sentidos: defender o depósito de fé que foi dado aos santos ( no entedimento católico romano as verdades escrituristicas, bem como a "sagrada tradição"), a doutrina basilar da justificação pela fé (a tradição reformada faz dessa doutrina a pedra de toque do cristianismo ortodoxo), a crença no batismo no (ou com) Espirito Santo (os pentecostais não colocam esse ponto como necessário a salvação, porém combatem veementemente quem afirma que essa não seria uma "segunda obra da graça"). Aqui não discutiremos nenhum desses pontos, pelo menos de forma prioritária. Há uma infinidade de sites, blogs e comunidades que tratam dessas temáticas (para vantagem nossa, diga-se de passagem). O que pretendemos aqui é abordar um tema sem o qual nenhum outro faria o menor sentido, sem o qual a própria religião perderia a razão de ser, e o cristianismo seria qualquer coisa menos uma proposta de reconciliação, pelo simples motivo de que não haveria nada com o que nos reconciliar. A proposta aqui é, na falta de outro termo melhor, "demontrar a existência de Deus".
Não é um tema modesto. Não pretendo também descobrir novas verdades. Na verdade, humildemente confesso que só posso abordar um tema dessa envergadura por que outros já o fizeram no passado. Homens que nos deixaram um legado de fé no ser supremo que influênciaram gerações e que nos ajudam a enunciar de forma racional o que acreditamos.
Independente de nossas peculiaridades, acredito realmente que o que está em jogo hoje não é a crença em particular, mas a fé em geral, não o ato de crer, já que não há quem possa duvidar dessa verdade insofismável: a de que o ser humano pode crer. O que está em jogo é a validade do ato de fé, não só no seu aspecto psicológico e gnosiológico (a fé seria uma ilusão, Deus não passaria de uma projeção da mente, logo, suas afirmações não se sustentariam a uma análise racional, contudo seria um lenitivo e uma forma do homem expressar seus desejos mais profundos) mas no social, inclusive. Os atuais negadores de Deus estão concentrando esforços para criar um clima totalmente desfavorável a prática da religião, haja visto o teor dos livros que essas pessoas tem escrito nos ultimos anos. O estado ideal seria não só laico, mas desprovido de qualquer manifestação religiosa. Gostaria de debater esse assunto, e saber onde o cristianismo poderia ser afetado por essa onda ateística que varre não só o mundo acadêmico, mas as pessoas da rua. E ainda, o que nós como igreja podemos fazer para minimizar as baixas e alcançar tantas pessoas pertubadas e sem esperança, deixando de lado questões menores, concientes, claro, de que há aqui todo um contexto escatológico.
Nos próximas tópicos iremos tentar mostrar alguns postulados bíblicos da fé no criador. Em seguida pretendemos mostrar opiniões de filosófos a respeito de Deus (tópicos especias serão dedicados a Santo Anselmo e suas provas da existência de Deus e a Santo Tomás de Aquino e suas cinco vias de acesso a Deus). Contamos com a colaboração de todos, sejam com opiniões, críticas e sugestões. Intercedam por esse projeto.

domingo, 10 de agosto de 2008

O CARATER RELIGIOSO DA MAÇONARIA


Por
Cyrano de Bergerac

Este artigo se originou de um tópico que criei em uma comunidade de orkut. Após alguns posts, fomos brindados com os seguintes comentários do irmão Cyrano, que não pude deixar de publicar aqui, com a devida autorização. É um artigo muito informativo e muito perspicaz.



Observemos a seguinte cena:
O profano (iniciante) aproxima-se lentamente com os olhos vendados. Ao entrar na loja, o irmão “experto” toca-lhe o peito com a ponta de uma espada. Então, segue o seguinte interrogatório.

O Venerável pergunta:
– Vês alguma coisa, senhor?
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A resposta do profano é imediata:
– Não, senhor.
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O Venerável prossegue:
– Sentes alguma impressão?
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Profano:– O contato de um objeto aguçado sobre o peito.
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Venerável:
– A arma cuja ponta sentes simboliza o remorso que há de perseguir-vos se fordes traidor à associação a que desejais pertencer. O estado de cegueira em que vos achais é o símbolo do mortal que não conhece a estrada da virtude que ides principiar a percorrer. O que quereis de nós, senhor?
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Profano:
– Ser recebido maçom.
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Venerável:
– E esse desejo é filho de vosso coração, sem nenhum constrangimento ou sugestão?
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Profano:
– Sim, senhor.

Venerável:
– Previno-vos, senhor, que a nossa ordem exigirá de vós um compromisso solene e terrível... Se vos tornardes maçom, encontrareis em nossos símbolos a terrível realidade do dever.Depois de submetido a muitas indagações, o profano é conduzido ao altar dos juramentos e ajoelha-se com o joelho esquerdo, pondo a mão direita sobre a constituição e a Bíblia, que devem ter em cima a espada. À mão esquerda, o profano segura o compasso, apoiando-o no lado esquerdo do peito. Daí, todos se levantam e ouvem o seguinte juramento:

“Eu, (nome), juro e prometo, de minha livre e espontânea vontade, pela minha honra e pala minha fé, em presença do Supremo Arquiteto do Universo, que é Deus perante esta assembléia de maçons, solene e sinceramente, nunca revelar quaisquer dos mistérios que sempre ocultarei e nunca revelarei qualquer uma das artes secretas, partes ou pontos dos mistérios ocultos da maçonaria que me vão ser confiados, senão a um bom e legítimo irmão ou em loja regularmente constituída, nunca os escrever, gravar, traçar, imprimir ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los. Juro também ajudar e defender meus irmãos em tudo o que puder e for necessário, e reconhecer como Potência Maçônica regular e legal no Brasil o Grande Oriente do Brasil, ao qual prestarei obediência. Se violar este juramento, seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado, e meu corpo enterrado nas areias do mar, onde o fluxo e o refluxo das ondas me mergulhem em perpétuo esquecimento, sendo declarado sacrílego para com Deus, e desonrado para com todos os homens. Amém”.

Em seguida, o neófito é conduzido para uma sala contígua ao templo, onde já se encontram colocadas duas urnas com espírito de vinho aceso. Deitado no chão, sobre um pano preto, deve estar um irmão (maçon), como se estivesse morto, amortalhado com a capa do 1º Experto. Todos os irmãos estarão de pé, sem insígnias, e armados de espada que apontam o neófito. Este é então desvendado pelo Venerável e encontra-se subitamente num ambiente lúgubre, com inúmeras espadas voltadas para ele. E ouve as graves admoestações do Venerável: “Este clarão pálido e lúgubre é o emblema do fogo sombrio que há de alumiar a vingança que preparamos aos covardes que perjuram. Essas espadas, contra vós dirigidas, estão nas mãos de inimigos irreconciliáveis, prontos a embainhá-las no vosso peito se fordes tão infeliz que violeis vosso juramento”.1

Conforme estudo do Dr. Boaventura Kloppenburg, temos que ter em mente, que não estamos lendo uma obra teatral, nem um documento antigo de sombrias épocas de sangue e vingança, mas o ritual prescrito para iniciação no primeiro grau da maçonaria.

Daí a pergunta que não quer calar: “Pode o cristão submeter-se a um ritual e juramento imbuídos de aspectos explicitamente condenáveis pela Palavra de Deus? Como imaginar até mesmo um pastor diante desse sacramento de iniciação maçônico? Como congregar, sob o mesmo teto, evangélicos, espíritas, muçulmanos, umbandistas, católicos, budistas, entre outros grupos religiosos, em nome de uma entidade divina conhecida pelo título de ‘Grande Arquiteto do Universo’? Será que tais pessoas estão de fato adorando o Deus de Abraão, Isaque e Jacó? Ou seja, o Deus da Bíblia?”. “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis. Pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que consenso há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Pois vós sois o santuário do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor. Não toqueis nada imundo, e eu vos receberei” 2Co 6:14,17

Para tornar válida essa contestação, devemos antes conhecer alguns segredos dessa entidade. Primeiro lugar, analisaremos alguns trechos de livros e manuais da maçonaria, embora muitas obras de sua autoria ainda permaneçam na obscuridade para os de fora. Tendo como referência, tomaremos os livros atuais (sejam nacionais e/ou internacionais), escritos por maçons do mais alto grau, que descrevem o que ocorre dentro das lojas. Ainda que algum maçom negue a autoridade absoluta desse ou daquele autor maçônico, não poderá, no entanto, negar que tais escritos representam a prática e o ensino da maçonaria brasileira e mundial. A análise que faremos será à luz da Bíblia, a única regra de fé e prática dos cristãos evangélicos (2Tm 3.16,17).

O presente estudo nada mais é do que uma sincera reflexão para saber se existe a mínima possibilidade de uma pessoa poder conciliar ou não o cristianismo e a maçonaria. Uma pessoa cristã que, ao abraçar as duas, ela está participando de duas religiões ou de uma só. Segundo afirmações dos próprios maçons, a maçonaria não é uma sociedade secreta. “Isso é calúnia dos adversários”, apregoam. Dizem, ainda, em alto e bom som, que a maçonaria é discreta, não secreta. Na Constituição do Grande Oriente do Brasil, art. 17, onde se especifica os deveres das lojas, sob a letra p vem a seguinte norma: “nada expor, imprimir ou publicar sobre assunto maçônico, sem expressa autorização superior da autoridade a que estiver subordinada, salvo Constituições, Regulamentos Gerais, Regimentos Particulares, Rituais, Leis, Decretos e outras publicações já aprovadas pelos Poderes competentes. Toda e qualquer publicação atentatória dos princípios estabelecidos nesta Constituição ou da unidade da Ordem sujeitará os seus autores às penalidades da Lei”.

É rigorosamente proibido aos profanos (não-maçons) tomar parte nas sessões comuns das lojas, como está relatado no art.19, parágrafo único, da Constituição: “As oficinas, sob nenhum pretexto, poderão admitir em seus trabalhos maçons irregulares; deverão identificar os visitantes pela palavra semestral”.

Com essas declarações de documentos oficiais autênticos, chegamos à conclusão de que a maçonaria é uma sociedade verdadeiramente secreta, no sentido próprio da palavra. Qual a relação entre o cristianismo e a maçonaria?

Para ser aceito na maçonaria, o profano tem de observar alguns deveres preestabelecidos:

1. “Reconhecer como irmãos todos os maçons regulares e prestar-lhes, e também às suas viúvas, ascendentes ou descendentes necessitados, todo auxílio que puder;

2. Freqüentar assiduamente os trabalhos das oficinas; aceitar e desempenhar, com probidade e zelo, todas as funções e encargos maçônicos que lhe forem confiados, além de esforçar-se pelo bem da Ordem em geral, da pátria e da humanidade;

3. Satisfazer com pontualidade as contribuições pecuniárias que, ordinária ou extraordinariamente, lhe forem legalmente atribuídas;4. Nada imprimir nem publicar sobre assunto maçônico, ou que envolva o nome da instituição, sem expressa autorização do Grão Mestre, salvo quando em defesa da Ordem ou de qualquer maçom injustamente atacado;

5. Ajudar e proteger seus irmãos em quaisquer circunstâncias e, com risco da própria vida, defendê-los contra as injustiças dos homens;

6. Manter sempre, tanto na vida maçônica como no mundo profano, conduta digna e honesta, praticando o bem e a tolerância, respeitando escrupulosamente os ditames da honra, da probidade e da solidariedade humana, subordinando-se compreensivamente às disposições legais e aos poderes maçônicos constituídos;

7. Amar os seus irmãos, mantendo bem alta a flama da solidariedade que deve unir os maçons em toda a superfície da terra”.2 Entre os deveres aqui enumerados, temos de acrescentar o que consta no art.1, parágrafo 1, letra g desta mesma Constituição onde se encontra o “requisito essencial” para os profanos, candidatos à iniciação, sem o qual não serão aceitos: “não professar ideologias contrárias aos princípios maçônicos e democráticos”. Se ele infringir essas normas, o art. 32, nº 13, confere ao Grão Mestre Geral, ou ao seu substituto legal, a atribuição de “suspender, com motivos fundamentados, para que sejam eliminados pelos Poderes competentes os maçons que professarem ideologias ou doutrinas contrárias aos princípios da Ordem e da Democracia”.

Assim, como o cristão maçom pode compartilhar suas ideologias cristãs aos companheiros de loja? No Dicionário Filosófico de Maçonaria, de Rizzardo da Camino, 33º grau, membro fundador da Academia Maçônica de Letras, encontramos a seguinte definição para cristianismo:

“A religião cristã, em si, não é adotada pela maçonaria, mas, sim, os princípios cristãos. A maçonaria é adotada em todos os países e proclama a existência de Deus sob o nome de Grande Arquiteto do Universo; não importa a religião que o maçom siga, o que importa é a crença no Absoluto, no Poder Divino, em Deus, seja qual for o nome que se lhe der, como Jeová ou Alá”. Como podemos ver nessa declaração, a maçonaria não adota o cristianismo e, conseqüentemente, não aceita a existência de Jesus Cristo como o único Deus. Negar a crença no Grande Arquiteto do Universo (G.A.D.U.) é impedimento absoluto para a iniciação na maçonaria, entretanto, é indiferente a crença em Jesus Cristo ou em Buda. Ainda que em seus rituais os maçons falem em Deus ou do Ser Supremo, ignoram a Santíssima Trindade, não mencionando uma vez sequer o santo nome de Jesus. Na verdade, os maçons jamais se dirigem a Deus mediante a Cristo. Diante disso, o verdadeiro cristão não pode aprovar semelhante abstração do cristianismo e muito menos conviver com esse tipo de coisa.

As características distintas dos deuses das diferentes religiões são outra evidência de que eles não são a mesma pessoa. Por exemplo: Brahma, o deus hindu, engloba em si o bem e o mal; Alá, o deus do islamismo, dificilmente perdoa; mas Yahweh, o Deus dos cristãos, é um Deus zeloso Êx 34:14.

O sistema maçônico, especialmente o Rito Escocês Antigo e Aceito, pode ser chamado de “deísta”, ou seja, considera a existência de um deus impessoal, destituído de atributos morais e intelectuais, confundindo-se com a natureza. Os deístas limitam a participação de Deus à criação, como se Ele tivesse deixado o mundo para ser governado pelas leis naturais. Esse sistema difere do “teísmo” cristão, no qual Deus é um Deus pessoal e interfere permanentemente no destino da humanidade. Vejamos a declaração de Rizzardo da Camino: “Cada religião expressa Deus, com nome diferente, como os israelitas que o denominam de ‘Jeová’; isso não importa, o que vale é sabermos que esse Grande Arquiteto do Universo é Deus”.

O indiferentismo perante Cristo é impossível: “Quem não é comigo é contra mim” Mt 12:30, disse Jesus. Mas o verdadeiro maçom, em virtude dos “princípios estabelecidos” pela maçonaria, não pode estar com Cristo seguindo todos os seus ensinamentos e obedecer a todos os mandamentos maçons. Não é possível ser maçom verdadeiro e regular e, ao mesmo tempo, cristão autêntico e convicto. A maçonaria é uma religião?

O primeiro e principal dever de cada loja maçônica, de acordo com a determinação do art.17, letra a, da Constituição do Grande Oriente do Brasil, é este: “observar cuidadosamente tudo quanto diz respeito ao espírito e à forma da instituição, cumprindo e fazendo cumprir a Constituição, as leis e as decisões dos Altos Corpos da Ordem”.

Antes de qualquer coisa, vamos analisar o que é religião. No Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, temos a seguinte definição: “culto prestado a uma divindade...”. Essa definição encaixa-se perfeitamente bem com as palavras de Rizzardo da Camino, 33º grau maçônico, autor de mais de quarenta livros: “O maçom, dentro do templo maçônico, através da liturgia, cultua o grande arquiteto do universo”8. Com isso fica provado que o que acontece dentro da loja maçônica nada mais é do que um culto de adoração a uma divindade, ao Grande Arquiteto do Universo (G.A.D.U.).

Existe um sistema de adoração dentro das lojas, conforme as palavras do maçom Carl H. Claudy: “As lojas da maçonaria são construídas para Deus. Simbolicamente, ‘construir para Deus’ significa edificar algo em honra, adoração e reverência a Ele. Mal o neófito entra no Portão Ocidental recebe a impressão de que a maçonaria adora a Deus” . Assim diz o importante autor maçônico Henry Wilson Coil, em sua Enciclopédia Maçônica: “A maçonaria certamente exige a crença na existência de um Ser Supremo, a quem o homem tem de prestar contas e de quem depende. O que a igreja pode acrescentar a isso, exceto levar o indivíduo à comunhão com aqueles que tenham os mesmos sentimentos?... É exatamente isso que a Loja faz”. Como a maçonaria exige a crença no Grande Arquiteto do Universo e na imortalidade da alma para que o candidato se torne maçom, isto se torna uma grande evidência de que essa entidade é religiosa e possui um credo ou uma doutrina. Na cerimônia de admissão e a cada passagem de grau são feitos juramentos que nada mais são do que promessas ou profissões de fé no Grande Arquiteto do Universo e na fraternidade maçônica. Os praticantes da maçonaria

Sabemos que a maçonaria aceita qualquer pessoa, independente de seu credo religioso. A loja recebe muçulmanos, espíritas, budistas, entre outros, como membros. E também satanistas, magos e bruxos, inclusive nos mais altos graus. Nomes como Aleister Crowley, Albert Pike, Lynn F. Perkins (fundador da Nova Era), Jorge Adoum (Mago Jefa), Charles W. Leadbeater e o mágico Manly P. Hall constam de sua lista de participantes.

William Schnoebelen conta que era bruxo quando foi admitido na maçonaria. Para ele, o G.A.D.U. era o próprio Lúcifer (o diabo) . Com o tempo, ele descobriu outros satanistas que também faziam parte do grupo. Parece difícil conciliar cristãos e satanistas sob o mesmo teto, mas isso realmente acontece na maçonaria. Albert Pike, um dos grandes líderes maçons, escreveu que Lúcifer é deus e “portador da luz” e que a maçonaria deve seguir a doutrina luciferiana: outra passagem
"que não está contra nós é nosso amigo" (Lucas)
Ora, a Maçonaria nào sendo uma religiào, mas uma filosofia de vida, um sistema de moral, TEM OBJETIVOS DIFERENTES das religiões formais.
As religiões existem para a doutrina estabelecida pelo seu criador sob alguma inspiração religiosa.
Isto anula tudo o que foi postado querendo notar diferenças doutrinárias.
A DOUTRINA NA MAÇONARIA é a moral sem medo, sem dogma, portanto, laica.
Quem criou a maçonaria? “A religião maçônica deve ser, por todos nós iniciados do alto grau, mantida na pureza da doutrina luciferiana. Se Lúcifer não fosse deus, será que Adonai, cujas ações provam sua crueldade, perfídia e ódio pelos homens, barbarismo e repulsa pela ciência, e seus sacerdotes o caluniariam? Sim, Lúcifer é deus, e infelizmente Adonai também é deus. Pois a lei eterna é que não há branco sem o preto, pois o absoluto só pode existir como dois deuses: as trevas são necessárias como moldura para a luz, assim como o pedestal é necessário para o que é imponente... Desta forma, a doutrina do satanismo é uma heresia; a religião filosófica pura e verdadeira é a crença em Lúcifer, o equivalente de Adonai; mas Lúcifer, deus da luz e deus do bem, está batalhando pela humanidade contra Adonai, o deus das trevas e do mal”.

No hebraico, o termo Adonai significa literalmente “Senhor” ou “Mestre”. É sinônimo de Yahweh (transcrito como “Senhor” na Bíblia de Almeida) e Elohim (traduzido “Deus”, ou seja, o nosso Deus). Albert Pike diz, absurdamente, que o nosso Deus é o deus das trevas, que odeia os homens! Que contraste com a revelação bíblica, que afirma: “Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí” (Jr 31.3). E ainda: “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10).

A maçonaria não aceita, e nem poderia aceitar, o cristianismo, porque é impossível conciliar cristianismo e satanismo. O Deus que para nós é o Deus do bem, para o líder maçom é o deus do mal. Será que o cristão pode submeter-se a isso: adorar o Grande Arquiteto do Universo (G.A.D.U.), que na maçonaria pode ser o próprio diabo? O valor da Bíblia

Na Enciclopédia Maçônica de Coil, lemos o seguinte: “A opinião maçônica prevalecente é a de que a Bíblia é apenas um símbolo da Vontade, Lei ou Revelação Divina, e não que o seu conteúdo seja a Lei Divina, inspirada ou revelada. Até hoje, nenhuma autoridade tem mantido que um maçom deve acreditar na Bíblia ou em qualquer parte dela” . Para a maçonaria, a Bíblia é “uma das três grandes luzes emblemáticas”, sendo colocada no mesmo patamar dos seus símbolos (esquadro e compasso) . Mesmo que Coil não negasse o conteúdo divino da Palavra de Deus, esta atitude comparativa já seria suficiente para demonstrar que a Bíblia não é mais importante do que os símbolos maçônicos. Além disso, segundo a doutrina maçônica, ela pode ser substituída por qualquer outro livro de religião fluente no país. Nos países islâmicos, por exemplo, usa-se o Alcorão, em Israel, a Torá etc. Alguns maçons dizem que a Bíblia é um “livro sagrado” para a loja, mas se ela pode ser substituída por outros livros, então não é sagrada, já que um objeto sagrado é insubstituível.

Oliver Day Street, outro erudito da loja, chega a dizer o seguinte: “Nenhuma loja entre nós deve ser aberta sem sua presença (da Bíblia). Mesmo assim, ela não é mais do que um símbolo... Não há nada de sagrado ou santo no mero livro. É só papel comum... Qualquer outro livro com o mesmo significado serviria...” . Outro maçom, J.W. Acker, afasta qualquer semelhança entre a maçonaria e o cristianismo bíblico ao declarar: “Os judeus, os chineses, os turcos, cada um rejeita ou o Antigo ou o Novo Testamento, ou ambos, e ainda assim não vemos nenhuma boa razão por que não se devam tornar maçons. Na verdade, a Maçonaria da Loja Azul nada tem a ver com a Bíblia. Não se fundamenta na Bíblia. Se assim fosse, não seria Maçonaria”. Se para os maçons a Bíblia é apenas um enfeite ou uma parte da mobília da loja, a opinião dos cristãos é diferente, pois, de acordo com o apóstolo Pedro, “... nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” 2 Pe 1:20,21.



Bom, dou por encerrada minha participação no assunto maçonaria. Acho que o Estudo que postei deixa bem claro qual a ideologia maçom.

Deus abençoe a todos no Nome de Jesus, Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.

sábado, 2 de agosto de 2008

Evangélicos e maçonaria: uma história antiga.


Por Guilherme Parizio

A maçonaria já foi muito tolerada em igrejas evangélicas brasileiras. Os primeiros missionários protestantes em nosso país não polemizavam com membros que eram ou se tornavam maçons, a não ser em alguns casos pontuais. Nas igrejas presbiterianas e batistas era natural encontrarem-se membros e líderes que faziam parte da confraria. Nos anos 50, 60 houve a chamada "polêmica fundamentalista" que causou um alvoroço por conta do liberalismo teológico e outras questões, entre elas o ploblema maçon. Isso provocou um cisma na igreja presbiteriana (um dos lideres do movimento fundamentalista no Brasil foi o Rev. Israel Furtado Gueiros aqui do Recife, pastor de minha mãe). Apesar da polêmica ter despertado muitos cristãos protestantes-históricos (tradicionais, como vulgarmente os chamamos) a maçonaria nunca foi totalmente erradicada dessas igrejas, que ainda é muito debatida por lá.

Segundo algumas fontes esses líderes teriam sido maçons(Incluí tanto líderes ligados a igreja brasileira como aqueles que nunca tiveram nenhum contato com nossa realidade):
W.C. Taylor, Robert Porter Thomas, Salomão Luiz Ginsburg, J.N. Darby, John Smyth, W. Carey, Adoniran Judson, Hudson Taylor, E. Nelson, Samuel Pires de Melo, Antonio Abuchaim, Teixeira Albuquerque, Bancroft, Langstrom, Scofield, K. Barth, M. Luther King Jr., Dr. Shepard, D.M. Lloyd Jones, W. Wiersbi, Norman Vincent Pearle, Og Mandino, James Kennedy, Mc Laren, Colgate, Pember, Sanders e Oswald Smith....
Quanto a Salomão Ginsburg, temos um relato de próprio punho onde ele tranquilamente descreve sua relação com a maçonaria. Me refiro ao livro "Um Judeu Errante no Brasil" (JUERP). Do mesmo não possuo mais exemplar, por isso não posso presisar as páginas, mas lembro muito bem que esses relatos constam do livro.

Fato diverso encontramos no meio pentecostal, que desde suas origens foi um ferrenho adversário tanto do modernismo teológico, como da maçonaria. E ainda assim há quem diga que nesse meio já há até membros em altos graus da maçonaria. Será lenda?



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A televisão da fé


Por Lidianne Andrade
(Jornalista)

Não sabe- se como nem o porquê, mas a televisão dominou o mundo. A imprensa encontrou na televisão sua melhor forma de expressão: informação mais rápida atrelada aos recursos sonoro e visual ganhou tal força que é quase impossível imaginar a noticia apenas em papel. Quem foi esperto aproveitou a novidade e entrou no meio da era televisiva. Compra, venda, aluguel, entretenimento... e religião? Pois é, a religião é um segmento cultural e a televisão tem democracia, com espaço para todos. Tem Gugu, Faustão, cinema, teatro, informação e... pastor, padre, buda, bispo e exorcista. Sim, exorcismo diário através da TV, lá pela madrugada para não assustar as crianças.

A informação anda rápido, o mundo gira mais rápido do que parece. A cada 24 horas o mundo inteiro dá uma volta, e ele, desse tamanhão! Quem dirá um aparelho tão pequeno que pode ser carregado nas mãos? Esse muda a cada dia, e mais rápido impossível. As pessoas mudam, a tecnologia evolui e, por conseqüência, os valores se readaptam. Estes mudam tanto que há alguns anos tinha pastor dizendo que a “televisão era o demônio, é proibido ter uma em casa”. Dogma da igreja não ver TV em casa. Mas a modernidade fala mais alto e, quem diria, agora tem igreja dona de emissora de TV.

Manipulação ou modernidade? Para muitos estudiosos de comunicação, a televisão, quando mal utilizada no envio da mensagem, pode sim manipular um homem a comprar o que ele que não precisa, ir a lugares sem gosta ou vestir o que não quer. Por que não seria diferente com as emissoras religiosas? Cultos transmitidos ao vivo são diferentes de programas de auditório? No conteúdo, uns respondem. E na formatação?

Dizer que os programas religiosos transmitidos pelas emissoras de TV são diferentes dos “outros” é um grande equívoco cometido pela maioria. Afinal, são câmeras que gravam e não altares, são jornalistas escrevendo os textos e não pastores e convergem para o mesmo ponto: o telespectador. As mesmas teorias usadas para fazer um telejornal a nível nacional como o Jornal Nacional, transmitido diariamente pela Rede Globo e tão acusado de manipulação são usadas em canais como a Rede Aleluia. Repetição de imagens, excesso de cores no visual, falar na primeira pessoa, entrevistas com testemunhos reais e apelos por textos emotivos são algumas das técnicas mais usadas para manipulação da informação.

Não há porque perder a fé em programas bem intencionados e colocar em xeque a veracidade de toda a transmissão de canais religiosos. Mas vale lembrar que, no final, todos estão sendo produzidos com o mesmo fim: atingir a um telespectador em casa, sentado e zapeando em seu controle em busca de um entretenimento. Apenas lembrar do quanto é importante não condenar um, sem analisar os outros. No fim, o leque fica aberto e cada um escolhe o que assistir.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Carta a um universitário cristão


por

Alderi Souza de Matos



Caro irmão em Cristo,

Você tem o privilégio de freqüentar um curso superior, algo que não está disponível para muitos brasileiros como você. Todavia, esse privilégio implica em muitas responsabilidades e em alguns desafios especiais. Um desses desafios diz respeito a como conciliar a sua fé com determinados ensinos e conceitos que lhe têm sido transmitidos na vida acadêmica.

Até ingressar na universidade, você viveu nos círculos protegidos do lar e da igreja. Nunca a sua fé havia sido diretamente questionada. Talvez por vezes você tenha se sentido um tanto desconfortável com certas coisas lidas em livros e revistas, com opiniões emitidas na televisão ou com alguns comentários de amigos e conhecidos. Porém, de um modo geral, você se sentia seguro quanto às suas convicções, ainda que nunca tivesse refletido sobre elas de modo mais aprofundado.

Agora, no ambiente secularizado e muitas vezes abertamente incrédulo da universidade, você tem ficado exposto a idéias e teorias que se chocam frontalmente com a sua fé até então singela, talvez ingênua, da infância e da adolescência. Os professores, os livros, as aulas e as conversas com os colegas têm mostrado outras perspectivas sobre vários assuntos, as quais parecem racionais, científicas, evoluídas. Alguns de seus valores e crenças parecem agora menos convincentes e você se sente pouco à vontade para expressá-los. Para ajudá-lo a enfrentar esses desafios, eu gostaria de fazer algumas considerações e chamar a sua atenção para alguns dados importantes.

Em primeiro lugar, você não deve ficar excessivamente preocupado com as suas dúvidas e inquietações. Até certo ponto, ter dúvidas é algo que pode ser benéfico porque o ajuda a examinar melhor a sua fé, conhecer os argumentos contrários e adquirir convicções mais sólidas. O apóstolo Paulo queria que os coríntios tivessem uma fé testada, amadurecida, e por isso recomendou-lhes: “Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem a si mesmos” (2 Co 13.5). As dúvidas mal resolvidas realmente podem ser fatais, mas quando dão oportunidade para que a pessoa tenha uma fé mais esclarecida e consciente, resultam em crescimento espiritual e maior eficácia no testemunho. O apóstolo Pedro exortou os cristãos no sentido de estarem “sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês” (1 Pe 3.15).

Além disso, você deve colocar em perspectiva as afirmações feitas por seus professores e colegas em matéria de fé religiosa. Lembre-se que todas as pessoas são influenciadas por pressupostos, e isso certamente inclui aqueles que atuam nos meios universitários. A idéia de que professores e cientistas sempre pautam as suas ações pela mais absoluta isenção e objetividade é um mito. Por exemplo, muitos intelectuais acusam a religião de ser dogmática e autoritária, de cercear a liberdade das pessoas e desrespeitar a sua consciência. Isso até pode ocorrer em muitos casos, mas a questão aqui é a seguinte: Estão os intelectuais livres desse problema? A experiência mostra que os ambientes acadêmicos e científicos podem ser tão autoritários e cerceadores quanto quaisquer outras esferas da atividade humana. Existem departamentos universitários que são controlados por professores materialistas de diversos naipes – agnósticos, existencialistas e marxistas. Muitos alunos cristãos desses cursos são ridicularizados por causa de suas convicções, não têm a liberdade de expor seus pontos de vista religiosos e são tolhidos em seu desejo de apresentar perspectivas cristãs em suas monografias, teses ou dissertações. Portanto, verifica-se que certas ênfases encontradas nesses meios podem ser ditadas simplesmente por pressupostos ou preconceitos anti-religiosos e anticristãos, em contraste com o verdadeiro espírito de tolerância e liberdade acadêmica.

Você, estudante cristão que se sente ameaçado no ambiente universitário, deve lembrar que esse ambiente é constituído de pessoas imperfeitas e limitadas, que lidam com seus próprios conflitos, dúvidas e contradições, e que muitas dessas pessoas foram condicionadas por sua formação familiar ou educacional a sentirem uma forte aversão pela fé religiosa. Tais indivíduos, sejam eles professores ou alunos, precisam não do nosso assentimento às suas posições anti-religiosas, mas do nosso testemunho coerente, para que também possam crer no Deus revelado em Cristo e encontrem o significado maior de suas vidas.

Todavia, ao lado dessas questões mais pessoais e subjetivas, existem alegações bastante objetivas que fazem com que você se sinta abalado em suas convicções cristãs. Uma dessas alegações diz respeito ao suposto conflito entre fé e ciência. O cristianismo não vê esse impasse, entendendo que se trata de duas esferas distintas, ainda que complementares. Deus é o criador tanto do mundo espiritual quanto do mundo físico e das leis que o regem. Portanto, a ciência corretamente entendida não contradiz a fé; elas tratam de realidades distintas ou das mesmas realidades a partir de diferentes perspectivas. O problema surge quando um intelectual, influenciado por pressupostos materialistas, afirma que toda a realidade é material e que nada que não possa ser comprovado cientificamente pode existir. O verdadeiro espírito científico e acadêmico não se harmoniza com uma atitude estreita dessa natureza, que decide certas questões por exclusão ou por antecipação.

Mas vamos a alguns tópicos mais específicos. Você, universitário cristão, pode ouvir em sala de aula questionamentos de diversas modalidades: acerca da religião em geral (uma construção humana para responder aos anseios e temores humanos), de Deus (não existe ou então existe, mas é impessoal e não se relaciona com o mundo), da Bíblia (um livro meramente humano, repleto de mitos e contradições), de Jesus Cristo (nunca existiu ou foi apenas um líder carismático), da criação (é impossível, visto que a evolução explica tudo o que existe), dos milagres (invenções supersticiosas, uma vez que conflitam com os postulados da ciência), e assim por diante. Não temos aqui espaço para responder a todas essas alegações, mas perguntamos: Quem conferiu às pessoas que emitem esses julgamentos a prerrogativa de terem a última palavra sobre tais assuntos? Por que deve um universitário cristão aceitar tacitamente essas alegações, tantas vezes motivadas por preferências pessoais e subjetivas dos seus mestres, como se fossem verdades definitivas e inquestionáveis?

O fato é que, desde o início, os cristãos se defrontaram com críticas e contestações de toda espécie. Nos primeiros séculos da era cristã, muitos pagãos acusaram os cristãos de incesto, canibalismo, subversão e até mesmo ateísmo! Foram especialmente contundentes as críticas feitas por homens cultos como Porfírio e Celso, que questionaram a Escritura, as noções de encarnação e ressurreição, e outros pontos. Eles alegavam que o cristianismo era uma religião de gente ignorante e supersticiosa. Em resposta a esses ataques intelectuais surgiu um grupo de escritores e teólogos que ficaram conhecidos como os apologistas e os polemistas. Dentre eles podem ser citados Justino Mártir, Irineu de Lião, Tertuliano, Clemente de Alexandria e Orígenes, que produziram notáveis obras em defesa da fé cristã.

Em nosso tempo, também têm surgido grandes defensores da cosmovisão cristã, tais como Cornelius van Til, C. S. Lewis, Francis Schaeffer, R. C. Sproul, John Stott1 e outros, que têm utilizado não somente a Bíblia, mas a teologia, a filosofia e a própria ciência para debater com os proponentes do secularismo. Além deles, outros autores têm publicado obras mais populares acerca do assunto, apresentando argumentos convincentes em resposta às alegações anticristãs. Dois bons exemplos recentes são o livro de Lee Strobel, Em Defesa da Fé (www.editoravida.com.br), que possui um capítulo especialmente instrutivo sobre uma questão até hoje não aclarada pela ciência, ou seja, a origem da vida, e o livro de Phillip Johnson, Ciência, Intolerância e Fé (www.ultimato.com.br), cujo subtítulo já diz muito: “A cunha da verdade: rompendo os fundamentos do naturalismo”. É importante que você, universitário cristão, leia esses autores, familiarize-se com seus argumentos e reflita de maneira cuidadosa sobre a sua fé, a fim de que possa resistir à sedução dos argumentos divulgados nos meios acadêmicos.

Outra iniciativa importante que você deve tomar é aproximar-se de outros estudantes que compartilham as mesmas convicções. É muito difícil enfrentar sozinho as opiniões contrárias de um sistema ou de uma comunidade. Por isso, envolva-se com um grupo de colegas cristãos que se reúnam para conversar sobre esses temas, compartilhar experiências, apoiar-se mutuamente e cultivar a vida espiritual. Muitas universidades têm representantes da Aliança Bíblica Universitária (ABU) e de outras organizações cristãs idôneas que visam precisamente oferecer auxílio aos estudantes que se deparam com esses desafios. Não deixe também de participar de uma boa igreja, onde você possa encontrar comunhão genuína e alimento sólido para a sua vida com Deus.

Em conclusão, procure encarar de maneira construtiva os desafios com que está se defrontando. Veja-os não como incômodos, mas como oportunidades dadas por Deus para ter uma fé mais madura e consciente, para conhecer melhor as Escrituras, para inteirar-se das críticas ao cristianismo e de como responder a elas, para dar o seu testemunho diante dos seus professores e colegas, por palavras e ações. Saiba que você não está só nessa empreitada. Além de irmãos que intercedem por sua vida, você conta com a presença, a força e a sabedoria do Senhor. Muitos já passaram por isso e foram vitoriosos. Meu desejo sincero é que o mesmo aconteça com você. Deus o abençoe!

Alderi Souza de Matos


Nota:

1. Entre os livros de John Stott, leia Por Que Sou Cristão , recém-lançado pela Editora Ultimato.



Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da igreja Presbiteriana do Brasil.

O Protestantismo no Brasil


Alderi Souza de Matos



I. Período Colonial

Os primeiros protestantes chegaram ao Brasil ainda no período colonial. Dois grupos são particularmente relevantes:
Os franceses na Guanabara (1555-1567): no final de 1555, chegou à Baía da Guanabara uma expedição francesa comandada pelo vice-almirante Nicolas Durand de Villegaignon, para fundar a "França Antártica." Esse empreendimento teve o apoio do almirante huguenote Gaspard de Coligny, que seria morto no massacre do dia de São Bartolomeu (24-08-1572).
Em resposta a uma carta de Villegaignon, Calvino e a igreja de Genebra enviaram um grupo de crentes reformados, sob a liderança dos pastores Pierre Richier e Guillaume Chartier (1557). Fazia parte do grupo o sapateiro Jean de Léry, que mais tarde estudou na Academia de Genebra e tornou-se pastor (†1611). Ele escreveria um relato da expedição, História de uma Viagem à Terra do Brasil, publicado em Paris em 1578.
Em 10 de março de 1557, esses reformados celebraram o primeiro culto evangélico do Brasil e talvez das Américas. Todavia, pouco tempo depois Villegaignon entrou em conflito com as calvinistas acerca dos sacramentos e os expulsou da pequena ilha em que se encontravam.
Alguns meses depois, os colonos reformados embarcaram para a França. Quando o navio ameaçou naufragar, cinco deles voltaram e foram presos: Jean du Bordel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, André Lafon e Jacques le Balleur. Pressionados por Villegaignon, escreveram uma bela declaração de suas convicções, a "Confissão de Fé da Guanabara" (1558). Em seguida, os três primeiros foram mortos e Lafon, o único alfaiate da colônia, teve a vida poupada. Balleur fugiu para São Vicente, foi preso e levado para Salvador (1559-67), sendo mais tarde enforcado no Rio de Janeiro, quando os últimos franceses foram expulsos.
A França Antártica é considerada como a primeira tentativa de estabelecer tanto uma igreja quanto um trabalho missionário protestante na América Latina.
Os holandeses no Nordeste (1630-54): depois de uma árdua guerra contra a Espanha, a Holanda calvinista conquistou a sua independência em 1568 e começou a tornar-se uma das nações mais prósperas da Europa. Pouco tempo depois, Portugal caiu sob o controle da Espanha por sessenta anos – a chamada "União Ibérica" (1580-1640).
Em 1621, os holandeses criaram a Companhia das Índias Ocidentais com o objetivo de conquistar e colonizar territórios da Espanha nas Américas, especialmente uma rica região açucareira: o nordeste do Brasil. Em 1624, os holandeses tomaram Salvador, a capital do Brasil, mas foram expulsos no ano seguinte. Finalmente, em 1630 eles tomaram Recife e Olinda e depois boa parte do Nordeste.
O maior líder do Brasil holandês foi o príncipe João Maurício de Nassau-Siegen, que governou o nordeste de 1637 a 1644. Nassau foi um notável administrador, promoveu a cultura, as artes e as ciências, e concedeu uma boa medida de liberdade religiosa aos residentes católicos e judeus.
Sob os holandeses, a Igreja Reformada era oficial. Foram criadas vinte e duas igrejas locais e congregações, dois presbitérios (Pernambuco e Paraíba) e até mesmo um sínodo, o Sínodo do Brasil (1642-1646). Mais de cinquenta pastores ou "predicantes" serviram essas comunidades.
A Igreja Reformada realizou uma admirável obra missionária junto aos indígenas. Além de pregação, ensino e beneficência, foi preparado um catecismo na língua nativa. Outros projetos incluíam a tradução da Bíblia e a futura ordenação de pastores indígenas.
Em 1654, após quase dez anos de luta, os holandeses foram expulsos, transferindo-se para o Caribe. Os judeus que os acompanhavam foram para Nova Amsterdã, a futura Nova York.
II. Brasil Império

O século XIX testemunhou a implantação definitiva do protestantismo no Brasil.
Primeiras manifestações:
Após a expulsão dos holandeses, o Brasil fechou as suas portas aos protestantes por mais de 150 anos. Foi só no início dos século XIX, com a vinda da família real portuguesa, que essa situação começou a se alterar. Em 1810, Portugal e Inglaterra firmaram um Tratado de Comércio e Navegação, cujo artigo XII concedeu tolerância religiosa aos imigrantes protestantes. Logo, muitos começaram a chegar, entre eles um bom número de reformados.
Depois da independência, a Constituição Imperial (1824) reafirmou esses direitos, com algumas restrições. Em 1827 foi fundada no Rio de Janeiro a Comunidade Protestante Alemã-Francesa, que veio a congregar, ao lado de luteranos, reformados alemães, franceses e suíços.
Um dos primeiros pastores presbiterianos a visitar o Brasil foi o Rev. James Cooley Fletcher (1823-1901), que aqui chegou em 1851. Fletcher foi capelão dos marinheiros que aportavam no Rio de Janeiro e deu assistência religiosa a imigrantes europeus. Ele manteve contatos com D. Pedro II e outros membros destacados da sociedade; lutou em favor da liberdade religiosa, da emancipação dos escravos e da imigração protestante. Ele escreveu o livro O Brasil e os Brasileiros (1857), que foi muito apreciado nos Estados Unidos.
Fletcher não fez nenhum trabalho missionário junto aos brasileiros, mas contribuiu para que isso acontecesse. Foi ele quem influenciou o Rev. Robert Reid Kalley e sua esposa Sarah P. Kalley a virem para o Brasil, o que ocorreu em 1855. Kalley fundou a Igreja Evangélica Fluminense em 1858. No ano seguinte, chegou ao Rio de Janeiro o fundador da Igreja Presbiteriana do Brasil, o Rev. Ashbel G. Simonton.
2. Protestantismo de Imigração:

"Ao iniciar-se o século XIX, não havia no Brasil vestígio de protestantismo" (B. Ribeiro, Protestantismo no Brasil Monárquico, 15).
Em janeiro de 1808, com a chegada da família real, o príncipe-regente João decretou a abertura dos portos do Brasil às nações amigas. Em novembro, novo decreto concedeu amplos privilégios a imigrantes de qualquer nacionalidade ou religião.
Em fevereiro de 1810, Portugal assinou com a Inglaterra tratados de Aliança e Amizade e de Comércio e Navegação. Este, em seu artigo XII, concedeu aos estrangeiros "perfeita liberdade de consciência" para praticarem sua fé. Tolerância limitada: proibição de fazer prosélitos e falar contra a religião oficial; capelas sem forma exterior de templo e sem uso de sinos.
O primeiro capelão anglicano, Robert C. Crane, chegou em 1816. A primeira capela foi inaugurada no Rio de Janeiro em 26-05-1822; seguiram-se outras nas principais cidades costeiras. Outros estrangeiros protestantes: americanos, suecos, dinamarqueses, escoceses, franceses e especialmente alemães e suíços de tradição luterana e reformada.
"Quando se proclamou a Independência, contudo, ainda não havia igreja protestante no país. Não havia culto protestante em língua portuguesa. E não há notícia de existir, então, sequer um brasileiro protestante" (B. Ribeiro, ibid., 18).
Com a independência, houve grande interesse na vida de imigrantes, inclusive protestantes. Constituição Imperial de 1824, art. 5º: "A religião católica apostólica romana continuará a ser a religião do Império. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo."
1820 – suíços católicos iniciaram a colônia de Nova Friburgo; logo a área foi abandonada e oferecida a alemães luteranos que chegaram em maio de 1824: um grupo de 324 imigrantes acompanhados do seu pastor, Friedrich Oswald Sauerbronn (1784-1864).
A maior parte dos imigrantes alemães foram para o sul: cerca de 4.800 entre 1824 e 1830 (60% protestantes). Primeiros pastores: Johann Georg Ehlers, Karl Leopold Voges e Friedrich Christian Klingelhöffer.
Junho 1827: fundação da Comunidade Protestante Alemã-Francesa do Rio de Janeiro, por iniciativa do cônsul da Prússia Wilhelm von Theremin. Luteranos e calvinistas. Primeiro pastor: Ludwig Neumann. Primeiro santuário em 1837 (alugado); o edifício próprio foi inaugurado em 1845.
Por falta de ministros ordenados, os primeiros luteranos organizaram sua própria vida religiosa. Elegeram leigos para serem pastores e professores, os "pregadores-colonos." Na década de 1850, a Prússia e a Suíça "descobriram" os alemães do sul do Brasil e começaram a enviar-lhes missionários e ministros. Isso criou uma igreja mais institucional e européia.
Em 1868, o Rev. Hermann Borchard (chegou em 1864) e outros colegas fundaram o Sínodo Evangélico Alemão da Província do Rio Grande do Sul, que foi extinto em 1875. Em 1886, o Rev. Wilhelm Rotermund (chegou em 1874), organizou o Sínodo Rio-Grandense, que tornou-se modelo para outras organizações similares. Até o final da Segunda Guerra Mundial as igrejas luteranas permaneceram culturalmente isoladas da sociedade brasileira.
Uma conseqüência importante da imigração protestante é o fato de que ela ajudou a criar as condições que facilitaram a introdução do protestantismo missionário no Brasil. Erasmo Braga observou que, à medida que os imigrantes alemães exigiam garantias legais de liberdade religiosa, estadistas liberais criaram "a legislação avançada que, durante o longo reinado de D. Pedro II, protegeu as missões evangélicas da perseguição aberta e até mesmo colocou as comunidades não-católicas sob a proteção das autoridades imperiais" (The Republic of Brazil, 49).
Em 1930, de uma comunidade protestante de 700 mil pessoas no país, as igrejas imigrantes tinham aproximadamente 300 mil filiados. A maior parte estava ligada à Igreja Evangélica Alemã do Brasil (215 mil) e vivia no Rio Grande do Sul.
3. Protestantismo Missionário:

As primeiras organizações protestantes que atuaram junto aos brasileiros foram as sociedades bíblicas: Britânica e Estrangeira (1804) e Americana (1816). Traduções da Bíblia: protestante – Rev. João Ferreira de Almeida (1628-1691); católica – Pe. Antonio Pereira de Figueiredo (1725-1797). Primeiros agentes oficiais: SBA – James C. Fletcher (1855); SBBE – Richard Corfield (1856). O trabalho dos colportores.
A Igreja Metodista Episcopal foi a primeira denominação a iniciar atividades missionárias junto aos brasileiros (1835-41). Obreiros: Fountain E. Pitts, Justin Spaulding e Daniel Parish Kidder. Fundaram no Rio de Janeiro a primeira escola dominical do Brasil. Também atuaram como capelães da Sociedade Americana dos Amigos dos Marinheiros, fundada em 1828.
Daniel P. Kidder: figura importante dos primórdios do protestantismo brasileiro. Viajou por todo o país, vendeu Bíblias, contactou intelectuais e políticos destacados, como o Pe. Feijó, regente do império (1835-37). Escreveu Anotações de Residência e Viagens no Brasil, publicado em 1845, clássico que despertou grande interesse pelo nosso país.
James Cooley Fletcher (1823-1901): pastor presbiteriano, estudou em Princeton e na Europa, casou-se com uma filha de César Malan, teólogo calvinista de Genebra. Chegou ao Brasil em 1851 como novo capelão da Sociedade dos Amigos dos Marinheiros e como missionário da União Cristã Americana e Estrangeira. Atuou como secretário interino da legação americana no Rio e foi o primeiro agente oficial da Sociedade Bíblica Americana. Promotor entusiasta do protestantismo e do "progresso." Escreveu O Brasil e os Brasileiros, publicado em 1857.
Robert Reid Kalley (1809-1888): nascido na Escócia, estudou medicina e em 1838 foi trabalhar como missionário na Ilha da Madeira. Oito anos depois, escapou de violenta perseguição e foi com seus paroquianos para os Estados Unidos. Fletcher sugeriu que fosse para o Brasil, onde Kalley e sua esposa Sarah Poulton Kalley (1825-1907) chegaram em maio de 1855. No mesmo ano, fundaram em Petrópolis a primeira escola dominical permanente do país (19-08-1855). Em 11 de julho de 1858, Kalley fundou a Igreja Evangélica, depois Igreja Evangélica Fluminense (1863), cujo primeiro membro brasileiro foi Pedro Nolasco de Andrade. Kalley teve importante atuação na defesa da liberdade religiosa. Sua esposa foi autora do famoso hinário Salmos e Hinos (1861).
Igreja Presbiteriana: missionários pioneiros – Ashbel Green Simonton (1859), Alexander L. Blackford (1860), Francis J.C. Schneider (1861). Primeiras igrejas: Rio de Janeiro (12-01-1862), São Paulo e Brotas (1865). Imprensa Evangélica (1864), seminário (1867). Primeiro pastor brasileiro: José Manoel da Conceição (17-12-1865). A Escola Americana foi criada em 1870 e o Sínodo do Brasil surgiu em 1888.
Imigrantes americanos: estabeleceram-se no interior de São Paulo após a Guerra Civil americana (1861-65). Foram seguidos por missionários presbiterianos, metodistas e batistas. Pioneiros presbiterianos da Igreja do sul dos Estados Unidos (PCUS): George N. Morton e Edward Lane (1869). Fundaram o Colégio Internacional (1873).
Igreja Metodista Episcopal (sul dos EUA): enviou Junius E. Newman para trabalhar junto aos imigrantes (1876). O primeiro missionário aos brasileiros foi John James Ransom, que chegou em 1876 e dois anos depois organizou a primeira igreja no Rio de Janeiro. Martha Hite Watts iniciou uma escola para moças em Piracicaba (1881). A partir de 1880, a I.M.E. do norte dos EUA enviou obreiros ao norte do Brasil (William Taylor, Justus H. Nelson) e ao Rio Grande do Sul. A Conferência Anual Metodista foi organizada em 1886 pelo bispo John C. Granbery, com a presença de apenas três missionários.
Igreja Batista: os primeiros missionários, Thomas Jefferson Bowen e sua esposa (1859-61) não foram bem sucedidos. Em 1871, os imigrantes de Santa Bárbara organizaram duas igrejas. Os primeiros missionários junto aos brasileiros foram William B. Bagby, Zachary C. Taylor e suas esposas (chegados em 1881-82). O primeiro membro e pastor batista brasileiro foi o ex-padre Antonio Teixeira de Albuquerque, que já estivera ligado aos metodistas. Em 1882 o grupo fundou a primeira igreja em Salvador, Bahia. A Convenção Batista Brasileira foi criada em 1907.
Igreja Protestante Episcopal: última das denominações históricas a iniciar trabalho missionário no Brasil. Um importante e controvertido precursor havia sido Richard Holden (1828-1886), que durante três anos (1861-64) atuou com poucos resultados no Pará e na Bahia. O trabalho permanente teve início em 1890 com James Watson Morris e Lucien Lee Kinsolving. Inspirados pela obra de Simonton e por um folheto sobre o Brasil, fixaram-se em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, estado até então pouco ocupado por outras missões. Em 1899, Kinsolving tornou-se o primeiro bispo residente da Igreja Episcopal do Brasil.
4. Igrejas Pentecostais e Neo-Pentecostais:

As três ondas do pentecostalismo brasileiro: (a) Décadas 1910-1940: chegada simultânea da Congregação Cristã no Brasil e da Assembléia de Deus, que dominam o campo por 40 anos; (b) Décadas 1950-1960: campo pentecostal se fragmenta, surgem novos grupos – Evangelho Quadrangular, Brasil Para Cristo, Deus é Amor e muitos outros (contexto paulista); (c) Anos 70 e 80: neopentecostalismo – Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus e outras (contexto carioca).
Congregação Cristã no Brasil: fundada pelo italiano Luigi Francescon (1866-1964). Radicado em Chicago, foi membro da Igreja Presbiteriana Italiana e aderiu ao pentecostalismo em 1907. Em 1910 (março-setembro) visitou o Brasil e iniciou as primeiras igrejas em Santo Antonio da Platina (PR) e São Paulo, entre imigrantes italianos. Veio 11 vezes ao Brasil até 1948. Em 1940, o movimento tinha 305 "casas de oração" e dez anos mais tarde 815.


Assembléia de Deus: fundadores: suecos Daniel Berg (1885-1963) e Gunnar Vingren (1879-1933). Batistas de origem, abraçaram o pentecostalismo em 1909. Conheceram-se numa conferência pentecostal em Chicago. Assim como Luigi Francescon, Berg foi influenciado pelo pastor batista W.H. Durham, que participou do avivamento de Los Angeles (1906). Sentindo-se chamados para trabalhar no Brasil, chegaram a Belém em novembro de 1910. Seus primeiros adeptos foram membros de uma igreja batista com a qual colaboraram.


Igreja do Evangelho Quadrangular: fundada nos Estados Unidos pela evangelista Aimee Semple McPherson (1890-1944). O missionário Harold Williams fundou a primeira IEQ do Brasil em novembro de 1951 (São João da Boa Vista). Em 1953 teve início a Cruzada Nacional de Evangelização, sendo Raymond Boatright o principal evangelista. A igreja enfatiza quatro aspectos do ministério de Cristo: aquele que salva, batiza com o Espírito Santo, cura e virá outra vez. As mulheres podem exercer o ministério pastoral.


Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil Para Cristo: fundada por Manoel de Mello, um evangelista da Assembléia de Deus que depois tornou-se pastor da IEQ. Separou-se da Cruzada Nacional de Evangelização em 1956, organizando a campanha "O Brasil para Cristo," da qual surgiu a igreja. Filiou-se ao CMI em 1969 (desligou-se em 1986). Em 1979 inaugurou seu grande templo em São Paulo, sendo orador oficial Philip Potter, secretário-geral do CMI. Esteve presente o cardeal arcebispo de São Paulo, Paulo Evaristo Arns. Manoel de Mello morreu em 1990.


Igreja Deus é Amor: fundada por David Miranda (nascido em 1936), filho de um agricultor do Paraná. Vindo para São Paulo, converteu-se numa pequena igreja pentecostal e em 1962 fundou sua igreja em Vila Maria. Logo transferiu-se para o centro da cidade (Praça João Mendes). Em 1979, foi adquirida a "sede mundial" na Baixada do Glicério, o maior templo evangélico do Brasil (dez mil pessoas). Em 1991 a igreja afirmava ter 5.458 templos, 15.755 obreiros e 581 horas diárias em rádios, bem como estar presente em 17 países (principalmente Paraguai, Uruguai e Argentina).


Igreja Universal do Reino de Deus: fundada por Edir Macedo (nascido em 1944), filho de um comerciante fluminense. Trabalhou por 16 anos na Loteria do Estado (subiu de contínuo para um posto administrativo). De origem católica, ingressou na Igreja de Nova Vida na adolescência. Deixou essa igreja para fundar a sua própria, inicialmente denominada Igreja da Bênção. Em 1977 deixou o emprego público para dedicar-se ao trabalho religioso. Nesse mesmo ano surgiu o nome IURD e o primeiro programa de rádio. Macedo viveu nos EUA de 1986 a 1989, quando voltou ao Brasil, transferiu a sede da igreja para São Paulo e adquiriu a Rede Record. Em 1990 a IURD elegeu três deputados federais. Macedo esteve preso por doze dias em 1992, sob a acusação de estelionato, charlatanismo e curandeirismo.
III. História da Igreja Presbiteriana do Brasil

Atualmente, existem no Brasil várias denominações de origem reformada ou calvinista. Entre elas incluem-se a Igreja Presbiteriana Independente, a Igreja Presbiteriana Conservadora e algumas igrejas criadas por imigrantes vindos da Europa continental, como suíços, holandeses e húngaros. Todavia, a maior e mais antiga denominação reformada do país é a Igreja Presbiteriana do Brasil. Sua história divide-se em alguns períodos bem definidos.

1. Implantação (1859-1869):

O surgimento do presbiterianismo no Brasil resultou do pioneirismo e desprendimento do Rev. Ashbel Green Simonton (1833-1867). Nascido em West Hanover, na Pensilvânia, Simonton estudou no Colégio de Nova Jersey e inicialmente pensou em ser professor ou advogado. Alcançado por um reavivamento em 1855, fez sua profissão de fé e pouco depois ingressou no Seminário de Princeton. Um sermão pregado por seu professor, o famoso teólogo Charles Hodge, levou-o a considerar o trabalho missionário no estrangeiro. Três anos depois, candidatou-se perante a Junta de Missões da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, citando o Brasil como campo de sua preferência. Dois meses após a sua ordenação, embarcou para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, aos 26 anos de idade.

Em abril de 1860, Simonton dirigiu o seu primeiro culto em português; em janeiro de 1862, recebeu os primeiros membros, sendo fundada a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. No breve período em que viveu no Brasil, Simonton, auxiliado por alguns colegas, fundou o primeiro jornal evangélico do país (Imprensa Evangélica, 1864), criou o primeiro presbitério (1865) e organizou um seminário (1867). O Rev. Simonton morreu vitimado pela febre amarela aos 34 anos, em 1867 (sua esposa, Helen Murdoch, havia falecido três anos antes).

Os principais colaboradores de Simonton nesse período foram: seu cunhado Alexander L. Blackford, que em 1865 organizou as igrejas de São Paulo e Brotas; Francis J. C. Schneider, que trabalhou entre os imigrantes alemães em Rio Claro, lecionou no seminário do Rio e foi missionário na Bahia; George W. Chamberlain, grande evangelista e operoso pastor da Igreja de São Paulo. Os quatro únicos estudantes do "seminário primitivo" foram também grandes obreiros: Antonio B. Trajano, Miguel G. Torres, Modesto P. B. Carvalhosa e Antonio Pedro de Cerqueira Leite.

Outras poucas igrejas organizadas no primeiro decênio foram as de Lorena, Borda da Mata (Pouso Alegre) e Sorocaba. O homem que mais contribuiu para a criação dessas e outras igrejas foi o notável Rev. José Manoel da Conceição (1822-1873), um ex-sacerdote que tornou-se o primeiro brasileiro a ser ordenado ministro do evangelho (1865). Visitou incansavelmente dezenas de vilas e cidades no interior de São Paulo, Vale do Paraíba e sul de Minas, pregando o evangelho da graça.

2. Consolidação (1869-1888):

Simonton e seus companheiros eram todos da igreja presbiteriana do norte dos Estados Unidos (PCUSA). Em 1869 chegaram os primeiros missionários da igreja do sul (PCUS): George N. Morton e Edward Lane. Eles fixaram-se em Campinas, região onde havia muitas famílias norte-americanas que vieram para o Brasil após a Guerra Civil no seu país (1861-65). Em 1870, Morton e Lane fundaram a igreja de Campinas e em 1873 o famoso, porém efêmero, Colégio Internacional. Os missionários da PCUS evangelizaram a região da Mogiana, o oeste de Minas, o Triângulo Mineiro e o sul de Goiás. O pioneiro em várias dessas regiões foi o incansável Rev. John Boyle.

Os obreiros da PCUS também foram os pioneiros presbiterianos no nordeste e norte do Brasil (de Alagoas até a Amazônia). Os principais foram John Rockwell Smith, fundador da igreja do Recife (1878); DeLacey Wardlaw, pioneiro em Fortaleza; e o Dr. George W. Butler, o "médico amado" de Pernambuco. O mais conhecido dentre os primeiros pastores brasileiros do nordeste foi o Rev. Belmiro de Araújo César, patriarca de uma grande família presbiteriana.

Enquanto isso, os missionários da igreja do norte dos Estados Unidos também continuavam o seu trabalho, auxiliados por novos colegas. Seus principais campos eram Bahia e Sergipe, onde atuou, além de Schneider e Blackford, o Rev. John Benjamin Kolb; Rio de Janeiro, que inaugurou seu templo em 1874, e Nova Friburgo, onde trabalhou o Rev. John M. Kyle; Paraná, cujos pioneiros foram Robert Lenington e George A. Landes; e especialmente São Paulo. Na capital paulista, o casal Chamberlain fundou em 1870 a Escola Americana, que mais tarde veio a ser o Mackenzie College, dirigido pelo educador Horace Manley Lane. No interior da província destacou-se o Rev. João Fernandes Dagama, português da Ilha da Madeira. No Rio Grande do Sul, trabalhou por algum tempo o Rev. Emanuel Vanorden, um judeu holandês.

Entre os novos pastores "nacionais" desse período estavam Eduardo Carlos Pereira, José Zacarias de Miranda, Manuel Antônio de Menezes, Delfino dos Anjos Teixeira, João Ribeiro de Carvalho Braga e Caetano Nogueira Júnior. As duas igrejas norte-americanas também enviaram notáveis missionárias educadoras: Mary P. Dascomb, Elmira Kuhl, Nannie Henderson e Charlotte Kemper.

3. Dissensão (1888-1903):

Em setembro de 1888 foi organizado o Sínodo da Igreja Presbiteriana do Brasil, que assim tornou-se autônoma, desligando-se das igrejas-mães norte-americanas. O Sínodo compunha-se de três presbitérios (Rio de Janeiro, Campinas-Oeste de Minas e Pernambuco) e tinha vinte missionários, doze pastores nacionais e 59 igrejas. O primeiro moderador foi o veterano Rev. Blackford. O Sínodo criou o Seminário Presbiteriano, elegeu seus dois primeiros professores e dividiu o Presbitério de Campinas e Oeste de Minas em dois: São Paulo e Minas.

Nesse período a denominação expandiu-se grandemente, com muitos novos missionários, pastores brasileiros e igrejas locais. O Seminário começou a funcionar em Nova Friburgo no final de 1892 e no início de 1895 transferiu-se para São Paulo, tendo à frente o Rev. John Rockwell Smith. O Mackenzie College ou Colégio Protestante foi criado em 1891, sendo seu primeiro presidente o Dr. Horace M. Lane. Por causa da febre amarela, o Colégio Internacional foi transferido de Campinas para Lavras, e mais tarde veio a chamar-se Instituto Gammon, numa homenagem ao seu grande líder, o Rev. Samuel R. Gammon (1865-1928).

A primeira escola evangélica do nordeste foi o Colégio Americano de Natal (1895), fundado por Katherine H. Porter, esposa do Rev. William C. Porter. Na mesma época, a cidade de Garanhuns começou a tornar-se um grande centro da obra presbiteriana. Além do trabalho evangelístico, foram lançadas as bases de duas importantes instituições educacionais: o Colégio Quinze de Novembro e o Seminário do Norte, hoje sediado em Recife. No final desse período, além de estar presente em todos os estados do nordeste, a Igreja Presbiteriana chegou ao Pará e ao Amazonas.

No sul, foi iniciada a obra presbiteriana em Santa Catarina (São Francisco do Sul e Florianópolis). A igreja também iniciou a sua marcha vitoriosa no leste de Minas. O primeiro obreiro a residir em Alto Jequitibá foi o Rev. Matatias Gomes dos Santos (1901). As igrejas de São Paulo e do Rio de Janeiro passaram a ser pastoreadas por dois grandes líderes, respectivamente Eduardo Carlos Pereira (1888) e Álvaro Emídio G. dos Reis (1897).

Infelizmente, os progressos desse período foram em parte ofuscados por uma grave crise que se abateu sobre a vida da igreja. Inicialmente, surgiu uma diferença de prioridades entre o Sínodo e a Junta de Missões de Nova York. O Sínodo queria apoio para a obra evangelística e para instalar o Seminário, ao passo que a Junta preferiu dar ênfase à obra educacional, principalmente através do Mackenzie. Paralelamente, surgiram desentendimentos entre o pastor da Igreja Presbiteriana de São Paulo, Rev. Eduardo Carlos Pereira, e os líderes do Mackenzie, Horace M. Lane e William A. Waddell.

Com o passar do tempo, o Rev. Eduardo C. Pereira passou a tornar-se mais radical em suas posições, perdendo o apoio até mesmo de muitos dos seus colegas brasileiros. Como uma alternativa ao jornal de Eduardo, O Estandarte, o Rev. Álvaro Reis criou O Puritano em 1899. Em 1900 foi criada a Igreja Presbiteriana Unida, que resultou da fusão de duas igrejas formadas por pessoas que haviam saído da igreja do Rev. Eduardo. Na mesma época, um novo problema veio complicar ainda mais a situação: o debate acerca da maçonaria.

Em março de 1902, Eduardo C. Pereira e seus partidários começaram a divulgar a sua Plataforma, com cinco tópicos sobre as questões missionária, educativa e maçônica. Após pouco mais de um ano de debates acalorados, a crise chegou ao seu triste desfecho em 31 de julho de 1903, durante a reunião do Sínodo. Após serem derrotados em suas propostas, Eduardo e seus colegas desligaram-se do Sínodo e formaram a Igreja Presbiteriana Independente.

4. Reconstituição (1903-1917):

No início de agosto de 1903, os independentes organizaram o seu presbitério, com quinze presbíteros e sete pastores (Eduardo C. Pereira, Caetano Nogueira Jr., Bento Ferraz, Ernesto Luiz de Oliveira, Otoniel Mota, Alfredo Borges Teixeira e Vicente Temudo Lessa). Seguiu-se um triste período de divisões de comunidades, luta pela posse de propriedades, litígios judiciais. Uma pastoral do Presbitério Independente chegou a vedar aos sinodais a Ceia do Senhor. O período mais conflitivo estendeu-se até 1906. Nessa época, o Sínodo contava com 77 igrejas e cerca de 6500 membros; em 1907, os independentes tinham 56 igrejas e 4200 comungantes.

O prédio do seminário, no Higienópolis, foi ocupado sem solenidade em setembro de 1899. Os principais professores eram os Revs. John R. Smith e Erasmo Braga (este a partir de 1901); o principal membro da diretoria era o Rev. Álvaro Reis. Em fevereiro de 1907, o seminário foi transferido para Campinas, ocupando a antiga propriedade do Colégio Internacional. A primeira turma de Campinas só se formou em 1912. Entre os formandos estavam Tancredo Costa, Herculano de Gouvêa Jr., Miguel Rizzo Jr. e Paschoal Luiz Pitta. Mais tarde viriam Guilherme Kerr, Jorge T. Goulart, Galdino Moreira e José Carlos Nogueira.

A obra presbiteriana crescia em muitos lugares. A primeira cidade atingida no Leste de Minas foi Alto Jequitibá (Manhuaçu) e no Espírito Santo, São José do Calçado. Os primeiros pastores daqueles campos foram Matatias Gomes dos Santos, Aníbal Nora, Constâncio Omero Omegna e Samuel Barbosa. No Vale do Ribeira, o evangelista Willes R. Banks continuava em atividade; a família Vassão daria grandes contribuições à igreja.

Em 1907, o Sínodo dividiu-se em dois (Norte e Sul) e em 1910 foi organizada a Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana do Brasil. O moderador do último sínodo e instalador da Assembléia Geral foi o veterano Modesto Carvalhosa, ordenado 40 anos antes. A Assembléia Geral foi instalada na Igreja do Rio e o Rev. Álvaro Reis foi eleito seu primeiro moderador. Os conciliares visitaram a Ilha de Villegaignon para lembrar os mártires calvinistas e comemorar o 4º centenário do nascimento de Calvino. Na época, a Igreja Presbiteriana do Brasil tinha 10 mil membros comungantes, outro tanto de menores e cerca de 150 igrejas em sete presbitérios. As demais denominações tinham os seguintes números: metodistas – 6 mil membros; independentes – 5 mil; batistas – 5 mil; episcopais – cerca de mil. Em 1911, a IPB enviou o seu primeiro missionário a Portugal, Rev. João da Mota Sobrinho, que lá ficou até 1922.

Os missionários americanos continuam em plena atividade. A Missão Sul da PCUS dividiu-se em Missão Leste (Lavras) e Missão Oeste (Campinas) devido a divergências quanto ao lugar da educação na obra missionária. O Rev. William Waddell fundou uma influente escola em Ponte Nova, Bahia. Pierce Chamberlain trabalhou na Bahia de 1899 a 1909. A obra presbiteriana no Mato Grosso começou nesse período: os pioneiros foram os missionários Franklin Graham (1913) e Philippe Landes (1915).

Em 1917, foi aprovado o Modus Operandi, um acordo entre a igreja e as missões norte-americanas pelo qual os missionários desligaram-se dos concílios da IPB, separando-se os campos nacionais (presbitérios) dos campos das missões. Em 1924, pela primeira reuniu-se a Assembléia Geral sem nenhum missionário como delegado de presbitério.

5. Cooperação (1917-1932):

O maior líder presbiteriano desse período foi o Rev. Erasmo Braga (1877-1932), professor do seminário e secretário da Assembléia Geral. Em 1916, participou com dois colegas do Congresso de Ação Cristã na América Latina, no Panamá. Poucos anos depois, tornou-se o dinâmico secretário da Comissão Brasileira de Cooperação, entidade que liderou um grande esforço cooperativo entre as igrejas evangélicas do Brasil na década de 1920. As principais áreas de cooperação foram literatura, educação cristã e educação teológica. Foi fundado o Seminário Unido no Rio de Janeiro, que existiu até 1932.

Outros esforços cooperativos desse período foram: (1) Instituto José Manoel da Conceição, fundado pelo Rev. William A. Waddell na cidade de Jandira, perto de São Paulo (1928); visava preparar os jovens que depois seguiriam para o seminário. (2) Associação Evangélica de Catequese dos Índios (1928), depois Missão Evangélica Caiuá: idealizada pelo Rev. Albert S. Maxwell e instalada em Dourados, Mato Grosso; esforço cooperativo das igrejas presbiteriana, independente, metodista e episcopal.

O Seminário de Campinas correu o risco de ser extinto por causa do Seminário Unido, mas finalmente superou a crise. Em 1921, o Seminário do Norte foi transferido para o Recife. As principais instituições educacionais das missões eram o Colégio Agnes Erskine, em Recife; Colégio 15 de Novembro (Garanhuns); Escola de Ponte Nova (Bahia); Colégio 2 de Julho (Salvador); Instituto Gammon (Lavras); Instituto Cristão (Castro) e principalmente o Mackenzie. Os principais periódicos presbiterianos eram O Puritano e o Norte Evangélico.

Em 1924, a Assembléia Geral encerrou o trabalho missionário em Lisboa. No mesmo ano, Erasmo Braga e alguns amigos fundaram a Sociedade Missionária Brasileira de Evangelização em Portugal, que enviou para aquele país o Rev. Paschoal L. Pitta e sua esposa Odete. O casal ali esteve por quinze anos (1925-1940), regressando ao Brasil devido à constante falta de recursos.

Em 1921, morreu o Rev. Antonio Bandeira Trajano. Com ele desapareceu a primeira geração de obreiros presbiterianos no Brasil, os da década de 1860. Outros obreiros falecidos nesse período foram: Eduardo Carlos Pereira (1923), Álvaro Reis (1925), Carlota Kemper (1927), Samuel Gammon (1928) e Erasmo Braga (1932).

6. Organização (1932-1959):

Neste período a IPB continuou a crescer e a aperfeiçoar a sua estrutura, criando entidades voltadas para o trabalho feminino, mocidade, missões nacionais e estrangeiras, literatura e ação social. O período terminou com a comemoração do centenário do presbiterianismo no Brasil.

A igreja era constituída dos seguintes sínodos: (1) Setentrional: estendia-se de Alagoas até a Amazônia, estando o maior número de igrejas no Estado de Pernambuco; (2) Bahia-Sergipe: criado em 1950, quando o Presbitério Bahia-Sergipe, antigo campo da Missão Central, dividiu-se nos presbitérios de Salvador, Campo Formoso e Itabuna; (3) Minas-Espírito Santo: surgiu em 1946, abrangendo o leste de Minas e o Espírito Santo, a região de maior crescimento da igreja; (4) Central: formado em 1928, incluía o Estado do Rio de Janeiro, bem como o sul e o oeste de Minas Gerais; (5) Meridional: sínodo histórico (1910-47), abrangia São Paulo, Paraná e Santa Catarina; (6) Oeste do Brasil: foi formado em 1947, abrangendo todo o norte e oeste de São Paulo. No final da década de 50, foram entregues pelas missões os Presbitérios do Triângulo Mineiro, Goiás e Cuiabá.

Nesse período, as missões norte-americanas continuaram o seu trabalho: (1) PCUS: (a) Missão Norte: atuou no nordeste, onde o principal obreiro foi o Rev. William Calvin Porter (†1939); o campo mais importante era o de Garanhuns, onde estavam o Colégio 15 de Novembro e o jornal Norte Evangélico; (b) Missão Leste: atuou no oeste de Minas e depois em Dourados, Mato Grosso, cuja igreja foi organizada em 1951. (c) Missão Oeste: concentrou-se mais no Triângulo Mineiro, onde o casal Edward e Mary Lane fundou em 1933 o Instituto Bíblico de Patrocínio. (2) PCUSA: (a) Missão Central: seus principais campos eram Ponte Nova/Itacira, a bacia do Rio São Francisco, o sul da Bahia e o norte de Minas.; (b) Missão Sul: atuou no Paraná e Santa Catariana, fundindo-se com a Missão Central por volta de 1937. O Rev. Filipe Landes foi grande evangelista no Mato Grosso (norte e sul). Em Rio Verde, Goiás, atuou o Rev. Dr. Donald Gordon.

Trabalho feminino: as primeiras sociedades de senhoras surgiram em 1884-85 e as primeiras federações, na década de 1920. Os primeiros secretários gerais do trabalho feminino foram o Rev. Jorge T. Goulart e as sras. Genoveva Marchant, Blanche Lício, Cecília Siqueira e Nady Werner. O primeiro congresso nacional reuniu-se na I. P. Riachuelo, no Rio, em 1941; o segundo congresso realizou-se também no Rio em 1954. A SAF em Revista foi criada em 1954.

Mocidade: algumas entidades precursoras foram a Associação Cristã de Moços (Myron Clark), o Esforço Cristão (Clara Hough) e a União Cristã de Estudantes de Brasil (Eduardo P. Magalhães). Benjamim Moraes Filho foi o primeiro secretário do trabalho da mocidade (1938). O primeiro congresso nacional reuniu-se em Jacarepaguá em 1946, quando foi criada a confederação. Entre os líderes da época estavam Francisco Alves, Jorge César Mota, Paulo César, Waldo César, Tércio Emerique, Gutemberg de Campos, Paulo Rizzo e Billy Gammon.

Missões Nacionais: em 1940 foi organizada na I. P. Unida a Junta Mista de Missões Nacionais, com representantes da IPB e das missões norte-americanas. Entre os primeiros líderes estavam Coriolano de Assunção, Guilherme Kerr, Filipe Landes, Eduardo Lane, José Carlos Nogueira e Wilson N. Lício. Até 1958, a Junta ocupou quinze regiões em todo o Brasil, com cerca de 150 locais de pregação. Em 1950 foi criada a Missão Presbiteriana da Amazônia.

Missão em Portugal: os primeiros obreiros foram João da Mota Sobrinho (1911-1922) e Paschoal Luiz Pitta (1925-1940). Em 1944 a IPB assumiu o trabalho e foi criada a Junta de Missões Estrangeiras, com o apoio das igrejas norte-americanas. Os primeiros missionários foram Natanael Emerique, Aureliano Lino Pires, Natanael Beuttenmuller e Teófilo Carnier.

Outras organizações: (a) Casa Editora: começou a ser organizada em 1945, no início da Campanha do Centenário, sob a liderança do Rev. Boanerges Ribeiro. A primeira sede foi instalada em dependências cedidas pela I. P. Unida, na Rua Helvetia. (b) Orfanatos: em 1910, a Assembléia Geral planejou um orfanato para Lavras; em 1919, passou a funcionar em Valença, e em 1929 veio a ocupar uma propriedade da I. P. de Copacabana em Jacarepaguá. O orfanato foi denominado Instituto Álvaro Reis. (c) Conselho Interpresbiteriano (CIP): foi criado em 1955 para superintender as relações da IPB com as missões e as juntas missionárias dos Estados Unidos. Tinha mais autoridade que o "modus operandi" de 1917.

Outras igrejas: (a) Igreja Presbiteriana Independente: em 1957, foi criado o Supremo Concílio, com três sínodos, dez presbitérios, 189 igrejas, 105 pastores e cerca de 30 mil membros comungantes; O Estandarte continuava a ser o jornal oficial. No final dos anos 30 houve um conflito teológico. Em 1942, um grupo de intelectuais liberais (entre os quais o Rev. Eduardo P. Magalhães) retirou-se da IPI e formou a Igreja Cristã de São Paulo. (b) Igreja Presbiteriana Conservadora: foi fundada em 1940 pelos membros da Liga Conservadora da IPI. Em 1957, contava com mais de vinte igrejas em quatro estados e tinha um seminário. Seu órgão oficial é O Presbiteriano Conservador. (c) Igreja Presbiteriana Fundamentalista: foi fundada em 1956 pelo Rev. Israel Gueiros, pastor da 1ª I. P. de Recife e ligado ao Concílio Internacional de Igrejas Cristãs (do fundamentalista americano Carl McIntire).

Neste período, a IPB participou de vários movimentos cooperativos: Associação Evangélica Beneficente (fundada por Otoniel Mota em 1928), Associação Cristã de Beneficência Ebenézer (dirigida pelo Dr. Benjamin Hunnicutt), Missão Evangélica Caiuá, Instituto José Manoel da Conceição, Confederação Evangélica do Brasil (fundada em 1934), Sociedade Bíblica do Brasil, Centro Áudio-Visual Evangélico (CAVE, fundado em 1951) e Universidade Mackenzie, transferida à IPB no início dos anos 60.

Constituição da IPB: em 1924, foram aprovadas pequenas modificações no antigo Livro de Ordem adotado quando da criação do Sínodo, em 1888. Em 1937, entrou em vigor a nova Constituição da Igreja (os independentes haviam aprovado a sua três anos antes), sendo criado o Supremo Concílio. Houve protestos do norte contra alguns pontos: diaconato para ambos os sexos, "confirmação" em vez de "profissão de fé" e o nome "Igreja Cristã Presbiteriana." Em 1950, foi promulgada um nova Constituição e no ano seguinte o Código de Disciplina e os Princípios de Liturgia.

Estatística: em 1957, a IPB contava com seis sínodos, 41 presbitérios, 489 igrejas, 883 congregações, 369 ministros, 127 candidatos ao ministério, 89.741 membros comungantes e 71.650 não-comungantes. Os primeiros presidentes do Supremo Concílio foram os Revs. Guilherme Kerr, José Carlos Nogueira, Natanael Cortez, Benjamim Moraes Filho e José Borges dos Santos Júnior.

A Campanha do Centenário: foi lançada em 1946, tendo como objetivos: avivamento espiritual, expansão numérica, consolidação das instituições da igreja, afirmação da fé reformada e homenagem aos pioneiros. A Comissão Central do Centenário, organizada em 1948, enfrentou muitas dificuldades. Após 1950, a campanha ganhou ímpeto. A Comissão Unida do Centenário (IPB, IPI e I. Reformada Húngara) planejou uma grande campanha evangelística (Edwyn Orr e William Dunlap) que se estendeu por todo o país em 1952. Outras medidas: criação do Museu Presbiteriano, Seminário do Centenário e jornal Brasil Presbiteriano, resultante da fusão de O Puritano e Norte Evangélico (1958). A 18ª Assembléia da Aliança Presbiteriana Mundial reuniu-se em São Paulo de 27-07 a 06-08 de 1959. O lema do centenário foi: "Um ano de gratidão por um século de bênçãos.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Pequeno histórico da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.


O seguinte texto é uma contribuição da amiga historiadora Cecilia Canuto. O mesmo é parte de uma pesquisa histórica que ela está desenvolvendo e que em breve veremos publicada. Serve como "aperitvo" para nossas mentes sedentas de conhecimento.

"A confraria de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Olinda foi fundada por escravos e negros libertos no inicio do século XVII dentro do sistema colonial, buscaram aqui se adaptar a novos modos de sobrevivência inclusive à religião já praticada, o que teve como resultado de fato sua inserção e a forte contribuição ao pensamento e a cultura local. Este é o tema da Pesquisa em andamento. Até o momento foram parcialmente analisadas fontes primarias como documentos do ConselhoUltramarino/Capitania de Pernambuco do Projeto Resgate Barão do Rio Branco, e da Confraria de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e secundarias como os Anais Pernambucanos de Pereira da Costa. Com o andamento do trabalho, foram descobertas variantes dentro do tema que dispertaram diversos interesses na pesquisa por enquanto é momento de organizar as fontes que já existem e buscar ao maximo outras ainda não catalogadas. É momento da reunião do material para no futuro definir os caminhos da investigação por se tratar de mais de 300 anos de história".

Por enquanto é isso. Mas como conheço Cecilia e sou testemunha de seu talento, sei que logo estaremos nos deliciando com esse trabalho, que tem tudo para ser um sucesso, não só aqui em nossa terra, mas em todo país.
Parabéns Cecilia, e boa sorte em sua pesquisa.

quinta-feira, 24 de abril de 2008


HISTÓRIA DOS CARMELITAS

L. SAGGI


(Dizionario degli Istituti di Perfezione, vol. II col. 460-521, Edizioni Paoline, Roma 1975. Alguns dados foram atualizados por Emanuel Boaga e Wilmar Santin. Tradução: Wilmar Santin)

I. ORIGENS E DESENVOLVIMENTO INICIAL

Os carmelitas surgiram dos cruzados estabelecidos no Monte Carmelo da Galiléia no século XII. Ali estão no início do século seguinte “ao exemplo e imitação do santo e solitário homem Profeta Elias, junto à fonte que de Elias leva o nome, em cubículos como colméias, onde como abelhas colhiam o mel divino da doçura espiritual” (Jacques de Vitry, Historia Orientalis, c. LII). Tanto na época como depois, os carmelitas nunca deram a alguém em particular o título de fundador, permanecendo fiéis ao modelo de Elias, ligado ao Monte Carmelo pelo episódio narrado em 1Rs 18, 20-45 (sacrifício e nuvenzinha) e pela tradição patrística greco-latina. Construíram uma capela e a dedicaram a Maria, Mãe de Jesus. Isto fez com que surgisse neles o sentimento de pertença a Nossa Senhora como Senhora do Lugar. Dela tomaram o nome e a ela deram os atributos dados ao fundador e padroeiro. Em seguida o elemento mariano foi enriquecido. A “forma de vida” – de acordo com o “propositum” manifestado pelos eremitas – foi dada num ano não sabido entre 1206 e 1214 pelo patriarca de Jerusalém Santo Alberto. Ele, porém, residia em São João de Acre. Antes de ir para a Terra Santa, tinha sido bispo de Vercelli. Parece que, por causa das conhecidas restrições do IV Concílio do Latrão, se julgou oportuno também pedir a confirmação pontifícia. Esta foi concedida pelo Papa Honório III em 30 de janeiro de 1226. Depois foi confirmada mais vezes até se tornar verdadeiramente uma própria regra. Os Papas conduziram a Ordem do Carmo em direção ao movimento dos Mendicantes, quando foi necessária a transferência para o Ocidente por causa de instável situação política na Palestina. O Papa Inocêncio IV, servindo-se de dois dominicanos, adaptou a regra (a pedido de um capítulo geral da Ordem) e a confirmou definitivamente no dia 1º de outubro de 1247.

A Ordem foi erradicada da Terra Santa com a caída do reino latino (1291). Os conventos existentes na Palestina: do Monte Carmelo, de São João de Acre e de Tiro desapareceram. No entanto permaneceram com o título de Província da Terra Santa os conventos da ilha de Chipre até 1571.

No final do século XIII a Ordem se tinha estendido pela Europa. Contava com cerca de 150 casas, agrupadas em 12 províncias. Sofreu dificuldades internas de adaptação. Nicolau Gálico, que foi prior geral depois da metade do século, tentou reconduzir os carmelitas à vida puramente eremítica. Neste sentido, é célebre a sua Ignea Sagitta de 1270-71. Mas também houve dificuldades externas devido ao ambiente contrário aos Mendicantes e à decisão do II Concílio de Lyon (1274) de tolerar os carmelitas até nova decisão. O Papa Honório IV os confirmou na prática, e pouco depois foram confirmados de direito pelos papas Bonifácio VIII (05/05/1298) e João XXII (13/03/1317 e 21/11/1326). Esta última data assinala a extensão aos Carmelitas da bula Super cathedam, já concedida aos franciscanos e dominicanos.

A história da Ordem se articula na obra de mais ou menos 130 capítulos gerais (o número não é de todo seguro devido às incompletas informações relativas ao século XIII) e de mais de 90 entre priores gerais e vigários gerais apostólicos. Nos século XIV e XV a Ordem seguiu nas grandes linhas as vicissitudes das outras Ordens Mendicantes: o florescimento dos estudos, o enfraquecimento do espírito religioso causado pelas calamidades em geral (peste negra (1347-1350), cisma do Ocidente, “claustralidade”). O esforço de restauração através dos santos e dos movimentos de “observância” mais ou menos vastos.

Em relação aos estudos, quando os carmelitas apareceram na Europa as várias escolas já estavam formadas. Foram bastante ecléticos e não tiveram até o século XIV prescrições precisas da cúpula da Ordem. Recordamos os nomes de Gerardo de Bolonha (1240-1317), que foi o primeiro mestre parisiense da Ordem e prior geral (1297-1317); Roberto Walsingham (+ após 1312): Guido Terreni (1270 - 21.8.1342), prior general (1318-21), depois bispo de Maiorca (1321-32) e Elne (1332-42); Siberto di Beka (1260/70-1322?), o primeiro grande liturgista da Ordem; João Baconthorp (1290?-1348) que interpretou Averróis; Osberto Anglico; Paulo de Perugia (+1344+); Miguel Aiguani (1320+-1400) exegeta, prior general (1380-6); Francisco de Bacon (+1372?); João Brammart (+1407), cofundador da universidade de Colônia; Francisco Martí; Tomás Netter ou Walden (+1431), conselheiro, pregador e confessor de Henrique IV, V, e VI da Inglaterra, por Martinho V foi chamado de «validus ensis Ecclesiae» por causa de seus escritos contra Wicliff (Doctrinale antiquitatum fidei Ecclesiae catholicae, 3 vol.).

II. A OBSERVÂNCIA

Os movimentos de reforma organizados tiveram início logo após a reconstrução da unidade da Ordem (Capítulo geral de 1411), que seguiu ao cisma. Foi a “Observância das Selvas”, surgida no convento homônimo junto a Florença em 1412-3, depois uniu-se às reformas dos conventos de Gironda na Suíça e de Mântua e se tornou a Congregação Mantuana, aprovada pelo Papa Eugênio IV em 03/09/1442. Esta prometia a restauração do fervor da vida em comum, renunciando também à mitigação da regra concedida por Eugênio IV em 1435 (a data oficial no entanto é 15/02/1432), mas manteve este ponto só por uns 20 anos. No período de maior expansão teve 53 conventos e mais de 700 religiosos e em torno de 15 mosteiros femininos. Entre os seus homens mais ilustres, recordamos: o beato Ângelo Agostinho Mazzinghi de Florença (+17.8.1438, beatificado em 1721); beato Bartolomeu Fanti de Mântua (+1495, beatificado em 1909); beato Battista Spagnoli, também de Mântua (1447-1516, beatificado em 1885), seis vezes vigário general da Congregação e três anos prior general de toda Ordem, insigne humanista (mais de 50.000 versos latinos e outras obras em prosa), chamado por Erasmo como o Virgílio cristão; beata Joana Scopelli (+9.7.1491, beatificada em 24.8.1771), fundadora do mosteiro de Reggio Emília; beata Arcângela Girlani (+25.1.1495, beatificada em 1º.10.1864), fundadora do mosteiro de Mântua; Alberto Leoni da Revere (1563ca-1642), reformador dos conventos de Castellina e das Selvas (ambos perto de Florença) e em Florença instituidor da «Obra dos catecúmenos» para a conversão de hebreus e outros, e precursor da obra benefício aos dementes; João Domingos Lucchesi (1652-1713), grande penitente. A Congregação Mantuana teve freqüentes controvérsias com o prior geral da Ordem por causa da visita canônica, especialmente nos dois primeiros séculos de existência. Fui reunida ao antigo tronco da Ordem pelo Papa Pio VI em 1783.

Outro movimento de observância foi na França a Congregação Albiense, iniciada em 1499 com elementos da Congregação Mantuana por obra do bispo de Albi, Luís d’Amboise. Foi aprovada pelo Papa Leão X em 15/09/1513 e suprimida pelo Papa Gregório XIII em 1º/05/1584, mas durou na prática até 1602. Teve poucos conventos e esteve quase sempre em luta com os superiores gerais da Ordem. Não se destacou pelo espírito interior devido às condições gerais da França na segunda metade daquele século.

Ente os conventos individualmente que abraçaram vida mais austera deve-se ressaltar o de Monte Oliveto, perto de Gênova, fundado por Hugo Marengo – que também pertenceu à Mantuana – com a licença do Papa Leão X em 02/08/1516. Mais tarde passou à imediata dependência do prior geral e depois à Província Lombarda.

Até este período floresceram almas santas também fora dos movimentos oficiais de reforma. Pode-se indicar: Santo Alberto de Sicília (+1307, culto reconhecido em 1457 e 1476), considerado o «pai da Ordem» porque é o primeiro de seus santos; Santo André Corsini (1315?-1374, beatificado em 1440, canonizado em 1629), bispo de Fiésole (1349-74); São Pedro Tomás (1305+-66), bispo sucessivamente de Patti e Lipari, de Coron na Moréia, de Creta, patriarca de Constantinopla, legado da Santa Sé em várias cortes da Europa e do Médio Oriente, negociador da reunião dos Gregos com Roma, principal fundador da faculdade teológica de Bolonha (1364), chefe espiritual da cruzada promovida por Pedro de Lusignano (1365); beato Franco de Sena (+1291?), grande penitente; beato Nuno Álvares Pereira (1360-1431, beatificado em 1918), Grande Condestável e herói nacional português, cujas façanhas foram cantadas nos «Lusíadas» de Luís de Camões, depois «donato» carmelita; beato Giacomino da Crevacuore (+3.3.1508, beatificado 3.3.1845), converso; beato Luís Rabatá (+1490, beatificado em 1841) prior do convento de reforma de Randazzo na Sicília, celebrado pelo perdão das ofensas; beata Francisca d’Amboise (1427-85, beatificada em 1863), duquesa da Bretanha, depois carmelita, fundadora do mosteiro de Bon Don (as primeiras carmelitas na França). Para o século XV vai recordado o prior general beato João Soreth (1394+-1471, beatificado em 1866), que, sob a base da regra mitigada pelo Papa Eugênio IV, organizou nas províncias um vasto movimento de reforma, que tomou dele o nome.

Também para os carmelitas a questão principal por longo tempo foi a da reforma. As tentativas do século XV produziram notáveis frutos, mas não sempre duradouros. No século seguinte se dedicaram a este problema os grandes priores gerais Nicolau Audet (1481+ - 1562), João Batista Rossi (1507-78) e João Batista Caffardo (+1592).

Audet, prior geral de 1523 a dezembro de 1562, percebeu que a responsável última pela situação da Ordem era a Cúria Roma, sobretudo por causa da praxe das dispensas que anulava na prática toda tentativa séria de reforma. Uniu-se como os superiores gerais das outras Ordens (foi amicíssimo de Seripando, dos agostinianos) para uma ação comum. Contribuiu para manter vivo o problema que em parte pôde ser resolvido ainda antes do término do Concílio de Trento. No interior da Ordem promoveu a restauração da perfeita vida comum, da clausura, da pobreza, da cura dos doentes, da observância litúrgica, da formação dos noviços e do progresso nos estudos, da prevenção e cura dos efeitos negativos da doutrina protestante.

III. A REFORMA TERESIANA

A obra de Audet foi retomada – em melhores condições devido à publicação da reforma tridentina – pelo sucessor João Batista Rossi (ou Rubeo) de Ravena (1562-78). Ele se encontrou diante às dificuldades de crescimento da Reforma de Santa Teresa, iniciada no ramo feminino com a fundação do mosteiro de São José em Ávila no ano 1562 e no ramo masculino com a abertura do primeiro convento em Duruelo no ano 1568.

A reforma promovida por Audet visava a restauração das antigas prescrições e se pode dizer que ainda mantinha sua inspiração medieval. Mas a insatisfação explodida com tanta violência na Igreja tinha fundamento também na transformação dos tempos, que também devia ser levada em conta. Por isto surgiram vária formas novas de vida religiosa ou reformas das antigas Ordens. Pretendia-se dar uma alma mais profunda às várias prescrições de caráter externo, algumas das quais foram até mesmo agravadas. Tratava-se de uma nova fórmula, pelo menos na interpretação, que para muitos parecia a única válida e para vivê-la mais intensamente foram tentadas também perigosas aventuras.

O Prior Geral Rossi captou o espírito formador deste novo curso e o exaltou, desejando que se tornasse o fermento para toda a Ordem. Em abril de 1567 ele se encontrou com Santa Teresa de Ávila e a exortou a fundar tantos mosteiros femininos “quantos os cabelos que tinha na cabeça”. Quanto aos religiosos, já antes que Santa Teresa projetasse a extensão da sua reforma ao ramo masculino (para que as monjas “descalças” pudessem ter ajuda espiritual dos seus confrades), o prior geral Rossi tinha favorecido várias tentativas de maior interiorização da vida, seja na Itália como na Espanha. Quanto aos conventos dos descalços, ele permitiu, em 10 de agosto de 1567, que se abrissem dois. Nestes os “contemplativos” deviam permanecer sempre sujeitos à obediência do provincial de Castilha. Sobre o número dos conventos ele próprio autorizou o seu aumento, mas em relação ao território manteve a exclusão (datada em 1567 quando tinha faculdade apostólica) da Andaluzia por motivos objetivamente graves. Surgiu um sério “conflito de jurisdição”, sobretudo por causa do visitador apostólico, o dominicano Francisco Vargas, que queria casa dos descalços na Andaluzia, e do núncio Nicolau Ormaneto. O conflito teve fases dramáticas, em particular depois que o capítulo geral de Piacenza de 1575, com autoridade apostólica, impôs o fechamento dos conventos andaluzes, e o núncio Ormaneto ajudou a quem se opôs a tal decisão. Um episódio da controvérsia, porém, materialmente ligado principalmente a fatos acontecidos no mosteiro da Encarnação em Ávila, foi o encarceramento de São João da Cruz no convento de Toledo, de onde conseguiu fugir nove meses mais tarde (dezembro de 1577 a agosto de 1578). O conflito terminou no momento em que os descalços obtiveram a província separada (breve Pia consideratione de 22 de junho de 1580, atuada no capítulo de Alcalá de 3 de março de 1581). O prior geral Rossi já tinha morrido e o seu substituto era João Batista Caffardo (1578-92), que manteve boas relações com os descalços. Ele, além disso, trabalhou na execução dos decretos tridentinos. No capítulo geral de Cremona de 1593 (quando foi eleito João Estêvão Chizzola), os descalços obtiveram a separação jurídica do velho tronco. Neste meio tempo tinham elaborado constituições próprias e tinha deixado o rito da Ordem pelo Romano, conseguindo um próprio procurador junto ao Papa (breve Quae a praedecessoribus, de 20 de setembro de 1586), e tinham se reunido em Congregação (breve Cum de statu de 10 de julho de 1587), compreendendo 5 províncias e governada pela rígida “Consulta” de 7 pessoas, das quais a principal teve Nicolau Doria como vigário.

IV. OS EFEITOS DA REFORMA PROTESTANTE

Fora da Itália e da Espanha, os efeitos foram graves. No final do século XVI, no capítulo de 1593, devia-se nomear 6 provinciais “titulares”, em vez dos efetivos para as províncias que tinham sido destruídas: Saxônia, Boêmia, Dácia (países bálticos), Inglaterra, Escócia e Irlanda. Nomeou-se também o provincial titular da Terra Santa, visto que a Província de Chipre (herdeira do título) tinha se perdido com a tomada da ilha por parte dos turcos em 1571. Graves foram também os danos nas províncias que conseguiram se manter em pé, ou seja, as duas das Alemanha (Inferior e Superior) e as sete da França, onde foram destruídos 20 convento e mortos vários religiosos.

No início da reforma protestante vemos os carmelitas Teodoro de Gouda na universidade de Colônia, Nicolau Edmundano e João van Paeschen na de Lovaina, empenhados na luta contra Erasmo e inovadores. Valiosos defensores da ortodoxia na Alemanha foram particularmente André Stoss (1477?-1540), provincial da Província Germaniae Superioris a partir de 1529, e Everardo Billick (1500+-57), de 1542 provincial da Província Germaniae Inferioris. Este último participou dos colóquios de Regensburgo e Ausburgo (1547s) e em julho de 1547 foi encarregado por Carlos V da pacificação religiosa. Na Dinamarca o último e grande defensor da Igreja Católica foi o carmelita frei Paulo Elias, eleito provincial em 1522 (+ 1534?), polemista e conselheiro dos bispos católicos. Na França se distinguiram os provinciais Mateus Lelande (da França), Alberto Jeannin (de Narbona) e Vital de Luperia (da Gasconha). Na Itália, Gian Maria Verrati, da Congregação Mantuana, defendeu a doutrina católica com numerosos escritos.

A contribuição dos carmelitas no Concílio de Trento nos seus três períodos foi no total em torno de 40 participantes, entre padres e teólogos. Os efeitos do protestantismo na Itália foram bastante modestos, também por mérito das disposições adotadas nos capítulos da Congregação Mantuana de 1527 e 534 e no capítulo geral da Ordem de 1548.

V. MISSÕES

As perdas causadas pelo protestantismo foram em parte compensadas pelo aumento das casas na Itália (até de modo exuberante, tanto que o Papa Clemente VIII, em 1592, autorizou o prior geral de suprimir os conventos que causavam preocupações) e no Novo Mundo, especialmente no Brasil (onde em 1606 havia 99 religiosos carmelitas em 6 conventos). A expansão na “Índias Ocidentais”, mais que um intento missionário (não excluído, antes positivamente previsto), foi querida como forma normal de apostolado e um modo de defender a devoção a Nossa Senhora.

Grandes foram as dificuldades encontradas na América espanhola. Parece que, no início, se tratava de iniciativas individuais. O primeiro carmelita, que se sabe, a trabalhar nas Américas foi Gregório de Santa Maria junto com Francisco de Montejo em Yucatán no ano 1527. Houve conventos no Panamá por volta de 1535, em Nova Granada (Colômbia) em torno de 1560 e em Santa Fé de Bogotá em 1569. No tempo do prior geral Rossi vagavam pelas Américas religiosos carmelitas por vários motivos. Ele tentou fazer com que se juntassem e vivessem em convento. O Pe. Antonio Vásquez de Espinosa (+1630) trabalhou nas missões e viajou pela América Latina “descobrindo novos países” e escrevendo depois no livro Compendio y descripción de las Indias Occidentales (editado muitas vezes, também em versão inglesa em 1942) notícias da geografia, botânica, antropologia, história civil e eclesiástica da América espanhola. A partir de 1588, a Coroa da Espanha pôs repetidamente obstáculos à presença carmelita e por fim ordenou que os carmelitas abandonassem as suas fundações e voltassem pra a pátria, alegando como motivo que tinham fundado conventos sem licença e que davam escândalos recolhendo esmolas, mesmo se o objetivo era de piedade. As autoridades locais, ao contrário, elogiavam a sua atuação.

Mais livre foi a ação no Brasil, onde os carmelitas foram oficialmente convidados a ir em 1579 pelo cardeal Infante Henrique. Os quatro carmelitas foram ao Brasil no ano seguinte. Com o tempo formaram 3 províncias religiosas.

Notáveis também foram os resultados obtidos nas Antilhas pela Reforma de Touraine nas missões começadas em 1646 e duraram até o tempo da Revolução Francesa.

Na Itália a reforma de Monte Santo ou Primeiro Instituto surgiu com um objetivo missionário, mas as suas tentativas de abrir missões na Palestina, em Chipre e na Pérsia faliram. Conseguiu só fazer trabalhar alguns religiosos na Dalmácia, na região de Sebenico, por um período de mais ou menos 20 anos.

VI. A MAIS ESTRITA OBSERVÂNCIA

As boas esperanças suscitadas pela reforma dos descalços não se tornaram de tudo desilusão para o resto da Ordem com a separação de 1593. De fato, por mérito da chamada “reforma clementina”, isto é de Clemente VIII, comum a outras famílias religiosas, e especialmente reforma Touronense surgida na França no embalo entre os dois séculos, a mais “estrita observância” fez sentir o potente sopro da renovada espiritualidade.

Em Ennes, na província de Touraine, Pedro Behourt e, no estudo de Paris, Luís Charpentier e Felipe Thibault deram início ao movimento chamado de Reforma Tourunense (o nome é posterior). No capítulo provincial de 1604, presidido pelo prior geral Henrique Silvio, foi decidido de estendê-la a toda a província, e que de fato em 1619 tinha um vigário próprio e foi aprovada no capítulo geral do ano seguinte. O organizador foi o Pe. Thibault (1572-1638): penitente do cartuxo dom Beaucousin, ele se liga aos inícios da Escola Francesa e à “invasão mística”. Esteve por longo tempo pelo menos duas vezes com os carmelitas descalços, e portanto, pôde inspirar-se também neles, especialmente à organização da observância religiosa. No mais, para a instrução dos noviços em Rennes se usava o Stimulus compunctionis do carmelita descalço João de Jesus Maria. Um outro descalço Domingos de Jesus foi o censor dos estatutos de Rennes. Ele introduziu a reforma na província Flandro-Belga (1624, obra continuada depois pelos padres Martino de Hooghe e Livino da Santíssima Trindade) e na da Aquitânia (reformada pelo Pe. João Thuaut), em 1636 aceitou também as constituições reformadas elaboradas no mesmo ano sob a direção do Pe. Leão de São João. Tais constituições, em 1645, foram pedidas também pelas províncias da França e de Tolosa; a da Provença naquele ano também foi reformada com exceção de dois conventos; a de Narbona, em 1644, teve os seus estatutos compostos pelo cardeal Ginetti. O mestre espiritual da reforma foi o irmão converso cego João de São Sansão, cujo nome era João Moulin (1571-1636).

A reforma fez progressos também fora da França. Foi a Província Santo Alberto da Sicília a dar início à “mais estrita observância” com os padres Desidério Placa e Alfio Licandro. Em 1619 teve início em Catânia a reforma chamada de Primeiro Instituto ou de Monte Santo, inspirada na reforma dos descalços, aprovada em 1621 pelo prior geral Sebastião Fantoni (1612-23). Como já foi dito, para melhor viver a vida espiritual, esta quis pôr o acento sobre o espírito missionário, mas não obteve bons resultados, em parte devido a obstáculos surgidos fora dela.

Em Nápoles no ano 1623, por obra de alguns religiosos do Convento Carmine Maggiore, surgiu a reforma de Santa Maria da Vida. Foi reconhecida como província autônoma em 1660, abrangia 8 conventos. Entre seus filhos mais ilustres recorda-se: Daniel Scoppa, primeiro provincial; André Matelloni, grande pregador mariano; Eliseu Vassallo e os conversos Paulino Zabata, Pedro da Cruz (morto por contágio servindo aos apestados) e Estevão Pelosio, grande penitente.

A reforma de Piemonte ou de Turim foi instituída em 1633 em Turim por Ludovico Bolla (+ 1635), que foi feito comissário pelo prior geral Teodoro Straccio (1631-42) e teve como sucessor Domingos de Santa Maria (1605-65). Os estatutos da reforma foram aprovados pelo vigário geral Alberto Massari em 1642 e pelo capítulo geral de 1645, e em 1671 foi erigida em província. A reforma, porém, não estava de toda estabelecida, tanto que o cardeal protetor Paluzzo Altieri dos Albertoni, em 1685, chamou da Aquitânia o Pe. Valentim de São João (1631-91). Entre seus homens ilustres se recorda: Jerônimo Aymo (1621-1705), provincial, o os dois priores gerais Jerônimo Aro (1660-66) e Paulo de Santo Inácio (1686-92). Sucederam-se vários contrastes e uma reforma na reforma, concluída em 1729.

No século XVIII aconteceu na Itália uma outra reforma, a de Santa Maria Escada do Paraíso, iniciada em Siracusa em 1724 por obra do Pe. Salvador Statella (1679-1728) e do venerável frei Jerônimo Terzo (1683-1758, processo apostólico 1793). Junto com outros 7 conventos, em 27 de julho de 1641 a Reforma foi erigida como província.
A reforma foi adotada também em outros lugares. Limitando-se às formas de vida organizada, recorda-se: em Portugal foi iniciada no convento de Santa Ana de Colares; no capítulo geral de 1686 se estabeleceu que se devia fazer estatutos especiais e que os reformados da província fossem chamados de “recoletos”. Pouco depois a reforma foi introduzida em Goiana (Pernambuco – Brasil) e se tornou província autônoma em 1744.

Na Alemanha trabalharam especialmente os padres Gabriel da Anunciação e José da Circuncisão. Em 1660 as duas províncias alemãs estavam reformadas. Também a Polônia teve uma província reformada.

Este movimento de “mais estrita observância”, na prática, foi suscitado pela Reforma Touronense, mas nem esta nem as outras se constituíram numa congregação autônoma. Tratava-se sobretudo de um espírito que se aceitava livremente e vivido dentro da Ordem. Tanto que, paralelamente à “mais estrita observância”, havia aquela comum, regulada também pelas constituições próprias, aprovadas no capítulo geral de 1625. O capítulo de 1645 se preocupou de tornar acessível todas as reformas as constituições da Touronense. Portanto foi elaborada uma nova redação (com introdução de algumas modificações desejadas pelo Papa Inocêncio X: os “artigos inocencianos”), impressa em 1650. Esta devia ser a base de todas, mas as reformas individuais podiam acrescentar estatutos particulares (denominados também como “leis municipais”), como já havia feito a província de Gasconha em 1639. Os 28 “artigos filipinos” (assim conhecidos porque foram dados pelo prior geral João Antonio Filippini, 1648-54) ditaram normas para a introdução da Touronense nas outras províncias.

Destas constituições resulta que a “mais estrita observância” pretendia renovar o espírito contemplativo da Ordem através da meditação diária, um maior retiro e solidão nas celas, o silêncio e a mortificação. De outro lado foram revogados os privilégios dos graduados e restaurada a perfeição da vida comum. Foi revogada também a “filiação” dos religiosos aos conventos individuais. Com isto os religiosos ficaram mais livres no âmbito da província.

Os dois corpos de constituições (para os reformados e para aos outros) permaneceram distintos até 1904, quando foram refeitas as constituições turonenses para toda a Ordem. Com a promulgação do CIC em 1917 as constituições foram readequadas ao código e aprovadas em 1930. A atualização pós-conciliar produziu as constituições de 1971. O novo CIC, publicado em 1983, provocou uma nova versão aprovada no capítulo geral de 1995.

VII. SÉCULOS XVII e XVIII

Se é lícito argüir a partir do elevado número de casas e religiosos, os séculos XVII e XVIII foram de intensas atividades para os carmelitas. Trabalhou-se especialmente pela expansão da devoção mariana através de escritos e dedicação às Ordens Terceiras e Confrarias do Escapulário do Carmo. Cada convento ou mosteiro carmelita tornou-se um centro de vida mariana. No início do século XVII havia 30 províncias e vicariados, com 693 conventos e mais de 12.000 religiosos. Os mosteiros femininos, sob a jurisdição da Ordem, eram 33 com mais ou menos 1.500 monjas (estes dados não incluem os descalços, visto que já tinham se separado no final do século anterior). A maioria dos conventos se encontrava na Itália, onde as outras ordens religiosas também eram numerosas. Portanto nem sempre era possível que a vida se desenvolvesse com garantia de segurança econômica indispensável para observância regular. Por isto em 1633 o prior geral Teodoro Straccio recebeu a faculdade de fechar os pequenos conventos e depois a Sagrada Congregação dos Religiosos, seguindo as decisões da Instaurandae regularis disciplinae de Inocêncio X, declarou supressos 217 conventos carmelitas na Itália, mas mais tarde 20 destes puderam continuar existindo sob a autoridade dos bispos como delegados da Santa Sé. Além destes, alguns foram fechados ou foram reabertos logo em seguida. Deste modo, dos 503 conventos que existiam em 1650, o número baixa para 322 em 1685. No século seguinte há um pequeno crescimento, ou seja, aumenta para 353 em 1765. Também na França, onde havia 7 províncias e um convento generalício com um total de 122 casas e 1691 carmelitas, em 1669 o prior geral Mateus Orlando (1666-74), a pedido de Clemente IX, fechou 19.

A atividade científica e literária nestes dois séculos registra notáveis nomes.

Nas Ciências Sacras (outros autores serão indicados quando a propósito da espiritualidade e doutrina mariana): os teólogos João Antonio Bovio (1566?-1622), bispo de Molfetta; Antonio Marinari Junior (1605-89); Pedro Tomás Cacciari (+ 1768); o biblista e canonista João da Sylveira (1592-1687) e João Batista de Lezana (1586-1659).

Na literatura: Gaudenzio Roberti (1655-95), fundador do «Giornale dei letterati» de Parma; Elias D’Amato (1668-1748), chamado «Tirinarco» na academia dos Incultos de Montalto da Calábria; Teobaldo Ceva (1697-1746); Agostinho Arcangelo (1661-1746), tradutor de 127 volumes do francês (com o pseudônimo de Selvaggio Canturani); Mariano Ruele (1699-?) na Arcádia «Gilasco Eutelidense»; José Maria Pagnini (1737-1814), na academia «Eritisco Pileneio», tradutor das línguas clássicas.

Na bibliografia: os franceses Ludovico Jacob (1608-70) e Cosme de Villiers (1683-?), cuja «Bibliotheca carmelitana» editada em 1752 continua sendo um indispensável repertório; os italianos Pellegrino Antonio Orlandi (1660-1727, autoridade também no campo da pintura) e João Batista Archetti (1700-65); o português Manuel de Sá (1674-1735); o belga Norberto de S. Juliana (1710-57).

Nas ciências naturais e matemáticas recordamos os astrônomos Pacífico Giuntini (1522-90); Paulo Antônio Foscarini (verdadeiro nome Scaridini, 1565ca-1616), ficou célebre por causa da sua «Lettera» publicada em Nápoles em 1615 defendendo as idéias de Galileu sobre a mobilidade da terra; o matemáticos Elias Del Re (+ 1733) e Elias Astorini (1651-1702) que entendia também de medicina, de filosofia e foi profundo controversista teológico.

Na música ou sua teoria: Alexandre Tadei (1585ca-1667); Lourenço Penna (1631-93); Jerônimo Filago Casati (1598-1677); Mateus Flecha (1530-1604); Manoel Cardoso (1570-1650) e Manoel Correa (+1657).

Cultores da história da Ordem: o já recordado João Batista de Lezana; Daniel da Virgem Maria (1615-78), autor do «Speculum carmelitanum»; Ludovico Pérez de Castro (1635-89); João Batista Guarguanti (1604-82); Carlos Vaghi (1644-1729); Mariano Ventimiglia (1703-90); Eliseu Monsignani (+ 1737) e José Alberto Ximenez (1719-80), editores — estes dois últimos — do «Bullarium carmelitanum»; Serafim Potenza (1697-1763); José Pereira de S. Ana (1696-1759).

A Ordem teve também — de 1600 à revolução francesa — cerca de 80 bispo e alguns servos de Deus cujos processos encontram-se na Congregação para as Causas dos Santos: Ângelo Paoli (1642-1720), o «Pai dos pobres» em Roma; Jerônimo Terzo (1683-1758), fundador do convento de Noto; João Domingos Lucchesi (1652-1714); Rosa Maria Serio de S. Antonio (1674-1726); Serafina de Deus (1621-99), que foi coordenadora de um grupo de mosteiros conhecidos também como «Congregação do SS. Salvador»; a terciária Ângela Maria Virgili (1662-1734).

VIII. SUPRESSÕES

Em 1788, às vésperas da Revolução Francesa, a Ordem tinha 42 províncias e 3 vicariados (17 na Itália, 8 na França, 4 na Espanha, 5 na Europa central, 4 no Brasil, 3 na Alemanha, 2 na Valônia e Bélgica, 1 em Portugal e 1 na Irlanda), cerca de 780 conventos e 15.000 religiosos. A tempestade das supressões já estava no ar há tempo. Em 1768 o edito da República Vêneta continha pontos sobre a vida religiosa e no ano seguinte aconteceu o fechamento de conventos religiosos, entre os quais 12 carmelitas. Em 1717, na Baviera foi proibida a criação de novos conventos e no início de 1800 foram supressos todos. Em 1778 o príncipe eleitor de Mogúncia (Mainz) tirou do prior geral todos os poderes de jurisdição em seu território. Foi imitado pelo bispo de Worms e pelo imperador José II na Áustria e Bélgica. Também tomaram a mesma medida Leopoldo, irmão do imperador, na Toscana, e Ferdinando IV na Sicília em 1788. O rei da Sardenha Vitório Amadeu II pediu a união dos conventos em suas posses no continente (Piemonte). Esta situação, que não tinha nada a ver com problemas financeiros urgentes, determinou o pedido por parte da Ordem para que fossem supressas e unidas ao seu tronco as reformas de Piemonte, Monte Santo e Congregação Mantuana. Isto foi concedido pelo Papa Pio VI com a bula Exigit em 21 de março de 1783 (uma declaração sucessiva, datada 30 de setembro de 1785, esclarecia que a bula incluía também as províncias sicilianas de Monte Santo e da Escada do Paraíso).

Na França as 8 províncias com seus 130 conventos foram supressos em 1790 e os religiosos foram dispersos (vários sofrearam deportação ou foram mortos: o mais conhecido destes é o Pe. Martinho Pannittier, decapitado em Bordeaux em 21 de julho de 1794. Em 1925 foi iniciada a sua causa de beatificação). O convento de Paris foi usado como cárcere e lugar de execução de 113 sacerdotes de várias proveniências na “matança setembrina” de 1792.

Na Bélgica a supressão aconteceu em 1796, e em 1812 na Holanda, onde permaneceu reconhecido só o convento de Boxmeer, que, porém, até 1841 não podia receber noviços. A secularização na Alemanha aconteceu entre 1801 e 1803. Também ali só se permitiu a existência de um só convento, aquele de Straubing, mas com a proibição de receber noviços.

A idéias francesas, transportadas pelos soldados do exército de Napoleão, tiveram a sua influência também na Itália até se chegar à supressão em 1810. O prior geral Timóteo Maria Ascensi já tinha sido deportado para a França um ano antes.

Na Espanha, em 1772, o prior geral José Alberto Ximenez havia supresso 6 conventinhos para dar maior respiro aos outros. A pedido do rei Carlos IV, o Papa Pio VII, em 15 de maio de 1804, concedeu aos carmelitas espanhóis – mais numerosos do que em outros lugares, se dizia, e necessitados de renovada disciplina – um superior geral próprio com paridade de direitos como o outro para o resto da Ordem. Para se salvar a unidade se diria alternativamente a um prior geral e ao outro vigário. A supressão na península Ibérica aconteceu em 1832 em Portugal e em 1835 na Espanha, onde foram fechados 78 conventos.

Na Europa centro-oriental a província da Boemia foi danificada no tempo de José II; os 34 conventos da Volínia, Lituânia e Rússia Branca foram em grande parte supressos após a insurreição de 1832 e em 1863, permanecendo só 7 conventos da Galícia austríaca (estes também foram supressos mais tarde).

No Brasil, o imperador dom Pedro II, em 1855, proibiu a aceitação de noviços. Em 1890, das antigas e florescentes províncias só restavam 8 sacerdotes.

Conhecidíssimas são as supressões na Itália nos anos 1855-73. Dos 124 conventos carmelitas e cerca de 1.050 religiosos do ano 1850, em 1908 – portanto quando a restauração já tinha sido iniciada – havia 32 conventos com 212 religiosos; dos 82 conventos da Sicília só permaneceram 6, com os quais, em 1903, se pensou em erigir um comissariado.

IX. RESTAURAÇÃO E ESTATÍSTICA ATUAL

Apesar das leis de supressão foi possível salvar aqui e ali algum convento, que foi a semente de restauração. Na Holanda se instituiu em 1879 uma província que abrangia também o convento alemão de Straubing. Em 1896 foi criado o Vicariado da Baviera. Na Espanha se recriou uma província em 1889, que em 1906 foi dividida em duas. Carmelitas bávaros, em 1864, lançaram nos Estados Unidos da América para uma província reconhecida como tal em 1889. Em 1896 na ilha de Malta foi erigida uma província. Na França não se conseguiu entrar: uma tentativa feita em Montpellier em 1878 foi anulada dois anos mais tarde por leis contrárias.

Muito ativa foi a província da Irlanda. Em 1881 alguns carmelitas irlandeses foram para a Austrália, outros, em 1889, partiram para Nova Yorque. Em 1926 re-introduziram a Ordem na Inglaterra (hoje Província Britânica), e em 1946 abriram missões na Rodésia (Zimbabwe).

Muito notável também foi a obra da província da Holanda. Em 1904 assumiu a restauração do Carmelo Brasileiro na Província do Rio de Janeiro; em 1923 abriu missões em Java (hoje província de Indonésia). Em 1924 retomou as fundações na região da Renânia alemã (erigida província em 1969) e em 1958 implantou a Ordem nas Filipinas (hoje Comissariado Geral).

Mais lenta foi a restauração na Itália, se considerarmos o seu antigo esplendor. Em 1909 a S. Congregação dos Religiosos consignou os conventos remanescentes das províncias da Sardenha e da Romanha para as províncias Romana e Toscana. Em 1987 deu-se início a um caminha em direção a criação de uma federação entre as províncias Romana, Toscana, Siciliana e o Comissariado de Vittorio Veneto, que em 1989 chegou a uma unificação formando uma nova entidade de uma única província chamada Italiana.

Na Espanha a restauração, iniciada em 1875, se propagou de Palma de Maiorca às várias regiões, sendo em 1889 erigida a província de Espanha, da qual posteriormente deu origem às atuais 4 províncias: Arago-Valentina, Bética, Catalunha e Castilha. Em 1894 deram início à restauração do Carmelo Brasileiro. Um duro golpe foi a guerra civil que ensangüentou a Espanha entre os anos 1936-39, ceifando a vida de 57 carmelitas. Porém, nos anos sucessivos se recompôs e se abriram missões na América Latina. Em 1930 começou a restauração em Portugal. A Ordem se refez também na Polônia, que contou com a ajuda espanhola.

Após a Segunda Guerra Mundial, que causou graves danos e destruição nos países da Europa, nos anos da reconstrução se nota na Ordem um novo impulso não só de ministério e de ciência, mas também a abertura de atividades missionárias propriamente ditas, especialmente na África, Ásia e América Latina. Em 1990 houve o retorno à França.

Em primeiro plano, oportunamente atualizadas segundo as diretrizes do Concílio Vaticano II, estão as atividades paroquiais e no campo da justiça e paz, unidas às formas tradicionais com o ensinamento, a pregação, os retiros espirituais, o culto mariano, a assistência espiritual às associações ligadas ao Carmelo, e outras formas em resposta às exigências das várias Igrejas locais e das terras de missões.

A Ordem tinha, em 31 de dezembro de 2005, 19 províncias, 3 comissariados gerais e 3 delegações gerais, distintas por sua vez em diversos grupos operativos chamados “Regio”. Os 1960 religiosos carmelitas estão presentes em 38 países dos cinco continentes. Os conventos e casas são 392.

O ramo feminino é representado por 872 monjas de clausura em 75 mosteiros e por 3.286 irmãs de 15 institutos de vida ativa com 417 comunidades.

Sobre os terciários e leigos que vivem sob a sombra do Carmelo se pode calcular um número aproximado de 3 milhões.

Como destaques individuais pode-se citar: o holandês frei Tito Brandsma, o “jornalista mártir” morto no campo de concentração de Dachau em 1942, e beatificado por João Paulo II em 1985; o polonês frei Hilário Januszewki (1907-1945), beatificado em 1999; o alemão frei João Brenninger (1890-1946), autor do célebre “Diretório espiritual” e morto em conceito de santidade; o catalão frei Bartolomeu Xiberta (1897-1967), eminente teólogo e experto no Concílio Vaticano II.

A Ordem mantém missões na Indonésia e na África e desenvolve atividades apostólicas em vários países da América Latina e nas Filipinas.

São 11 os bispos carmelitas na atualidade.

Promotor de estudos específicos da Ordem é o Institutum Carmelitanum (fundado em 30 de outubro de1951) em Roma, está sob a imediata jurisdição do prior geral. Seu órgão divulgativo é Carmelus (desde 1954). O órgão oficial da Ordem é a revista Analecta Ordinis Carmelitarum (fundada em 1909).

Casa generalícia e procura geral: via Giovanni Lanza, 138 - 00184 Roma.

Fonti e collezioni generali:

- G.B. de Cathaneis, Speculum Ordinis Fratrum Carmelitarum, Venezia 1507;
- I.B. de Lezana, Annales sacri et elioni Ordinis b.mae V. Marine de Monte Carmeli, IV, Roma 1656;
- Daniel a Virgine Maria, Vinea Carmeli seu historia eliani Ordinis, Anversa 1672;
- Id., Speculum carmelitanum, 2 vol. in 4 t., ivi 1680;
- Bullarium carmelitanum, ed. E. Monsignani-I.A. Ximenez, 4 vol., Roma 1715-68;
- C. Vaghi, Commentaria fratrum et sororum Ordinis b.mae Mariae V. de Monte Carmelo Congregationis Mantuanae, Parma 1725;
- C. de Villiers, Bibliotheca carmelitana, 2 vol., Orléans 1752 (ried. anastatica, Roma 1927);
- M. Ventimiglia, Historia chronologica priorum generalium latinorum Ordinis B.V. Mariae de M. Carmelo, Napoli 1773 (ried. Anastatica, Roma 1929);
- Id., Il sacro Carmelo italiano, ivi 1779;
- B. Zimmerman, Monumenta historica carmelitana, Lirinae 1907;
- Acta capitulorum generalium Ordinis Fratrum B.V. Mariae de M. Carmelo, ed. G. Wessels, 2 vol., Roma 1912-34;
- B. Xiberta, De scriptoribus scholasticis saec. XIV ex Ordine Carmelitarum, Lovanio 1931 (Bibliothèque de la Revue d’histoire ecclésiaslique 6);
- Norbertus a S. Iuliana, Batavia desolata carmelitana, sive notitia conventuum Fratrum Ordinis B. Mariae V. de M. Carmelo in foederato Belgio olim sitorum, in AnalOC 8 (1932-6)371-584;
- Antoine-Marie de la Présentation, Le Carmel en France, 7 vol., Toulouse 1936-9;
- Ambrosius a S. Theresia, Monasticon carmelitanum, seu lexicon geographicum-historicum omnium fundationum universi Ordinis Carmelitarum, in AnalOCD 22 e 23 (1950 e 1951), a puntate;
- L. Saggi, La Congragazione Mantovana dei Carmelitani sino alla morte del b. Battista Spagnoli (1516), Roma 1964 (Textus et studia historica carmelitana 1);
- A. Staring, Der Karmelitengeneral Nikolaus Andet und die katholische Reform des XVI. Jahrhunderts, Roma 1959 (Textus et studia historica carmelitana 3);
- P.W. Janssen, Les origenes de la réforme des C. en France au XVIIe siècle, L’Aja 1963. 19692. (Archives internacionales d’histoire des idées 4);
- O. Steggink, La reforma del Carmelo Español, la visita canónica del general Rubeo y su encuentro con Santa Teresa (1566-67), Roma 1965 (Textus et studia historica carmelitana 7);
- L. van Wijmen, La Congrégation d’Albi (1499-1602) , Roma 1971 (Textus et studia historica carmelitana 11);
- C. Cicconetti, La regola del Carmelo; origine, natura, significato, Roma 1973 (Textus et studia historica carmelitana 12).

Vários estudos ou indicações estão nas revistas:


- AnalOC;
- Carmelus (nel cui II fasc. di ogni anno, abbondante bibl.);
- EphC (dos Carmelitas Descalços, mas muitas vezes há estudos que se referem aos dois ramos do Carmelo);
- Archivum bibliographicum carmelitanum, Roma 1956 (também esta é dos Descalços, mas com indicações válidas para todo o Carmelo);
- Carmel (Holanda) 1948-68, depois substituida por Speling;
- The Sword, Downers Grove, III. USA, 1937-.
- StatOrdCongr, p. 8-9, nº 30;
- AnnPont 1974, p. 1154.
- L. Saggi, s. v. Carmelitani Storia, in DIP, II, 460-476.

Além da bibliografia acima indicada cf.:


- J. Smet, O.Carm., The Carmelites, A History of the Brothers of Our lady of Mout Carmel, 4 vol. in 5 tomos, Darien Ill., Carmelite Spiritual Center, 1975-1985 (traduzido em várias línguas: espanhol, holandês, polaco, alemão, italiano. Por enquanto não há uma tradução portuguesa);
- E. Boaga, O.Carm., Como pedras vivas ... para ler a história e a vida do Carmelo (Original em português, mas a edição está esgotada. Há traduções em espanhol e italiano).