domingo, 15 de agosto de 2010

Protestantismo na Mídia Revista Época de 07 de Agosto de 2010

A Nova Reforma Protestante

Inspirado no cristianismo primitivo e conectado à internet, um grupo crescente de religiosos critica a corrupção neopentecostal e tenta recriar o protestantismo à brasileira.
Ricardo Alexandre

Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro ("Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios"). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez - como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes - e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 "supervisores", Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um "símbolo" do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a "teologia da prosperidade" (leia o quadro na última pág.). Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. "O movimento evangélico está visceralmente em colapso", afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). "Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro."

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser "uma igreja para quem não gosta de igreja" desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca - e a ele adicionou o complemento "e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar". Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da"religiosidade institucionalizada". Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: "Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira."
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Essa espécie de "nova reforma protestante" não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. "As instituições estão todas sub judice", diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. "Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita."

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. "Acabamos nos perdendo no linguajar 'evangeliquês', no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade", afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. "É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo."

Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é "uma igreja mutante para um mundo mutante". Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de "igreja emergente" desde o final da década de 1990. "O importante não é a forma", afirma Uchôa. "É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando."

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis (leia o quadro na última pág.). Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário - e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de "palestras" e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

"Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas", diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). "O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado."

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. "É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram 'pensadores'", afirma Ricardo Agreste. "O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade." Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. "Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã", diz. "Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas."

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como "macumba para evangélico" as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos - como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) - eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. "Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos", diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais "A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho", diz ele. "Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo."

A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e "leigos" passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para "ungidos" em especial. Grandes e imponentes catedrais e "cultos shows" dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de "comunidades", os cultos são anunciados como "reuniões" ou "celebrações" e até a palavra "evangélico" tem sido preterida em favor de "cristão" - o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. "Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos", afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. "Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos."

Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. "O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica", afirma.

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. "Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes", diz ele. "Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos." A Igreja Universal do Reino de Deus - que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma "réplica do Templo de Salomão" em São Paulo, com "pedras trazidas de Israel" e "maior do que a Catedral da Sé" - também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: "Sem resposta".

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. "Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor", diz. "Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel."

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que "talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior" e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. "As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade", diz ele. "As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações."

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. "O destino desses líderes será 'pescar no aquário', atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas", diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, "não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica" entre as igrejas históricas. "Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado", diz ele. "Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar 'melhorá-lo' ou torná-lo mais interessante ou vendável."

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé - um "documento", "autenticado" pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se "associar com Deus e ter de Deus os benefícios" - propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma "unção financeira dos últimos dias" em troca de quem "semear" um "compromisso" de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis (leia a entrevista com ele) condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal "não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho". "Vergonha alheia em doses quase insuportáveis" foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog, Veshame Gospel, Irmãos.com, Púlpito Cristão, Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como "O $how tem que parar" e "Jesus não está aqui, ele está nas favelas".

A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o "secular" e o "sagrado" é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. "A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade", diz Ricardo Agreste. "Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso."

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. "É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia", afirma Ravara. "O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar." Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é "expressar o Reino de Deus" dentro da política. "É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos", diz ele.

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como "música feita por cristãos", não mais como "gospel". Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. "No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores", diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. "É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo."

A teologia chama de "cristocêntrico" o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja - visão conhecida como "eclesiocêntrica" - e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: "Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa".

Secretaria Diocesana Anglicana de Comunicação Social

Secretaria Episcopal
Diocese do Recife - Comunhão Anglicana
(das 8h às 13h)

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“Não te fazemos pedidos por sermos justos, mas por causa da tua grande misericórdia" (Daniel 9.18 - NVI).

domingo, 1 de agosto de 2010

Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos autoriza a Ordenação de pastores gays


A Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos na América (PCUSA), a maior daquela denominação nos EE.UU, aprovou a Resolução que autoriza a Ordenação como pastores de homossexuais praticantes. Quanto à outra Resolução que autorizaria o casamento religioso de pessoas do mesmo sexo, redefinindo “união entre homem e mulher” por “união entre duas pessoas”, a Assembleia decidiu retirar a matéria de pauta, para deliberação em outra ocasião. Hoje há ramos congregacionais, batistas, episcopais, presbiterianos, e outros, que estão adotando a Agenda GLSBT.

Fonte: www.anglican-mainstream.net

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Crer em Deus Hoje, Uma Opção Sensata?


Por Guilherme Parizio

Após séculos de racionalismo, quando a fé cristã parece que já sofreu toda sorte de ataques intelectuais possíveis, eis que se levanta no mundo outra frente de ataques a seus postulados. Seus novos detratores vêm tentar desarraigar a fé dos homens, à semelhança dos antigos que, encabeçados pelos iluministas na França, país de grandes homens de ciência e fé, como Calvino, Pascal, entre outros, mas de forte tendência anticristã, fizeram de suas existências um grito de revolta contra tudo o que era relacionado ao cristianismo. Os atuais se promovem como homens de idéias revolucionárias, mas na verdade só desenterram velhas teorias pronunciadas há mais de 200 anos por pensadores como Voltaire, Russeu, Diderot, Auguste Comte. Ou por cientistas como Oparin ou Darwin. Livros como "O RELOJOEIRO CEGO" e "DEUS, UM DELÍRIO", ambos de Richard Dawrkins e o "TRATADO DE ATEOLOGIA", de Michel Onfray são as novas "armas" que os atuais auto-intitulados "desmistificadores" se utilizam para embasar suas crenças. Crenças, sim, pois o ateu na verdade "acredita" que não há Deus, algo já debatido por filósofos de todos os matizes. É lamentável constatar que os dois tipos de ateísmo continuam bem vivos: o prático e o teórico. O primeiro é o das massas e o segundo, que descrevemos aqui, é o dos pseudo-intelectuais. E vivos em uma época em que os homens mais precisam de Deus.

É a fé cristã antiintelectualista? Não é compatível com os postulados da razão? Dê sua opinião, poste um comentário.

A Iconografia dos Outros Cristianismos


Por Guilherme Parizio

Para a maioria das pessoas o termo iconografia, ou arte religiosa cristã, está relacionado exclusivamente as formas romana e ortodoxa do cristianismo. Nada mais longe da verdade. É claro que historicamente essas igrejas produziram obras de valor muito mais significativo para a história da arte. Através da iconografia, seja na forma tridimencional (modelo preferido pelos artistas latinos) seja nos baixos e altos relevos (forma obrigatória na igreja oriental) ficamos sabendo como os povos que nos precederam concebiam o mundo, adoravam, vestiam-se. Nos inteiramos do imaginário religioso das mais diversas épocas. Todo esse movimento iconográfico, longe de ser apenas um meio de aproximação individual com o divino, transforma-se, pois, em fonte de informação valiosissima.



Ficando estabelecido como ponto pacífico a contribuição das representações artísticas cristãs para a história (eclesiástica e secular) gostaria de convidar o leitor para incursionar no mundo pictórico das outras correntes cristãs. Nas próximas postagens iremos explorar esse mundo tão pouco conhecido entre os cristãos brasileiros.

O Ateu Pode Ser Ético?


Por Guilherme Parizio

O debate em torno da questão fundamental da existência ou não de um Ser superior, regente do universo parece que está longe de acabar. O ateísmo é, a meu ver, um fator que afeta a cosmovisão de todo e qualquer indivíduo no quesito ética e moralidade. A sociedade pode prescindir da idéia de Deus sem com isso comprometer sua existência? O caos verificado em todos o setores da sociedade atualmente não será decorrente dessa falta de esperança em um mundo extratemporal regido por um Ser moralmente capacitado?
Nunca houve uma civilização eminentemente atéia. Um mundo totalmente secularizado é algo novo na história humana. Não será o caso de concordarmos com a velha máxima "Se Deus não existe, tudo é permitido?” Opine.

domingo, 4 de abril de 2010

Contra Toda Falta de Esperança (Mensagem de Páscoa)


Por Guilherme Parizio


Os discípulos estão novamente reunidos. Haviam se dispersado na noite da prisão de Jesus. Mas, para onde ir? Todos estavam confusos e atordoados. Nada fazia sentido. Tudo aquilo que aprenderam com o mestre parece que não tinha mais utilidade. Teriam sido três anos inúteis? Três anos de investimento que não deu em nada? Tudo parecia indicar que sim, pois o fim tinha sido desastroso. Tinham em vista o saldo de dois mortos: um discípulo, exatamente o traidor e aquele em que haviam depositado toda a sua confiança e que lhes havia feito tantas promessas. Um fim melancólico para uma história que parecia que nunca teria fim, mas não muito diferente de tantas outras que já haviam ouvido ou mesmo presenciado. Muitos já haviam se arrogado o título de Messias, o libertador do povo judeu. E todos, a semelhança desse, haviam igualmente perecido de morte ignomínia.

Mas esse parecia tão diferente. Suas palavras ardiam como fogo. Seu olhar transmitia ao mesmo tempo confiança e ternura. Sem falar nos sinais, que em todos causava espanto. Sim, esse homem era diferente. O que deu errado?

Reunidos novamente. Precisavam tentar descobrir juntos o que havia dado errado. Tentavam reviver aqueles momentos de comunhão que o Mestre lhes proporcionava de forma tão agradável. Mas sem ele nada mais fazia sentido. Havia um imenso vazio. Talvez fosse hora de se dispersar novamente e voltarem as suas vidas normais. Pedro não mais pescaria homens. Quem sabe Mateus conseguiria sue emprego de volta? Era o fim de um sonho.

Batidas na porta. Seria a guarda romana ou os judeus que viam para prende-los? A voz de Maria Madalena se faz ouvir. A porta se abre e ela anuncia algo inusitado. Pedro e João não esperam para ouvir os resto. É hora de correr para confirmar todas essas coisas. Mas em seus corações sabiam que aquilo tudo era verdade. Uma nova história. Um novo começo. Cristo Ressuscitou! Aleluia! Contra toda falta de esperança.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Coral Filadelfia




Como apreciador de música clássica que sou, em especial barroca, como já expressei em outra ocasião nesse blog, sempre procuro na web por videos e audios de obras bem executadas. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com o video acima, do coral da Assembleia de Deus. O coral Filadelfia está perfeito, para a glória de Deus. Os hinos são muito bem acompanhados pela orquestra, se harmonizando muito bem ao coro. Os solistas são verdadeiros profissionais, podendo facilmente se apresentar nos melhores corais de nosso país. Acredito que poderia-mos fazer uma maior divulgação desse trabalho, pois acredito na tliplice função da música: 1-Louvar e engrandecer a Deus; 2-Aproximar as pessoas desse mesmo Deus, tornando-se um método evangelístico; 3-Nos proporcionar enlevo espiritual, sendo uma poderosa ferramenta de edificação. Nos espíritos "ativistas" geralmente a opção preferencial são os hinos mais ritmados e que conclamam para a batalha, uma tradição em nossa igreja. Nos mais, digamos, "contemplativos" (como eu) os hinos mais introspectivos e solenes são os que produzem um efeito mais eficaz.

Agora assistam o vídeo e comentem. Espero gerar um debate em torno do uso das formas mais clássicas de música no meio pentecostal.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Fé na Internet


Evangélicos se convertem à rede

Publicado em 10.03.2010



Não é apenas a Igreja Católica que vem utilizando a internet como instrumento de difusão de crenças e dogmas religiosos. As igrejas Anglicana e Batista já não dispensam o uso de ferramentas virtuais para catequizar e informar seus fiéis. Aliás, informação é o que não falta, e os blogs, nesse sentido, vêm se mostrando fortes aliados na difusão dessa nova forma de interagir com a comunidade.



Desde que descobriu o mundo virtual, o secretário responsável pela Diocese da Igreja Anglicana do Cone Sul da América, reverendo Daniel Barbosa, divulga os eventos de sua igreja no site da instituição, além de manter um blog e perfil pessoal no Orkut. “Sempre procuro usar as mensagens para o bem, variando os temas abordados. Acredito que a tecnologia, além de aproximar os fiéis, é um canal de difusão de ideologias”, afirma o clérigo.



Há mais de dois anos ele divulga campanhas ambientais e de cunho político em sua página pessoal e admite que, de início, ficou com receio de aderir às ferramentas. “Como não conhecia bem as tecnologias, fiquei com um certo medo. Todos falavam mal do Orkut, por exemplo, dizendo que era muito aberto. E de fato, muita besteira é dita na rede social. No entanto, como o telefone anda muito caro, resolvi abrir uma conta e não me arrependo, pois não tive problemas”, diz Barbosa.



No caso da Igreja Anglicana, a recomendação de que os clérigos utilizem as ferramentas digitais, aqui no Recife, existe há mais de uma ano. O bispo diocesano da cidade, dom Robinson Cavalcanti, orientou a comunidade a divulgar suas atividades através de blogs pessoais, todos linkados ao site oficial da diocese. “Hoje, temos uma lista aberta de 15 mil pessoas que recebem nossa newsletter. Os links dos blogs têm nos ajudado na divulgação de uma imagem que visa evitar distorções sobre nossa forma de lidar com a religião, e isso é muito positivo”, comemora o bispo. No site da diocese, os internautas ainda podem escutar a rádio experimental da igreja, com programação musical e informativa.
Fonte: Jornal do Comercio

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Egito – Cristãos Coptas Proibidos de Peregrinar à Palestina


Uma decisão do Ministro do Interior do Egito (país de maioria muçulmana) proibiu que cristãos coptas viajassem como peregrinos à Palestina. Um apelo contra essa decisão foi indeferido por uma Corte Superior. Em média 5.000 coptas visitam anualmente lugares sagrados cristãos na Palestina. Discriminados, expulsos de suas terras, forçados a emigrar, os 6 milhões de membros da Igreja Copta têm resistido por 1.300 anos, sendo a maior minoria cristã em um país muçulmano, com 6 milhões de membros, liderados pelo Papa Shenoudra I.

A Igreja Copta, herdeira da antiga Sé de Alexandria, juntamente com suas co-irmãs da Etiópia e da Eritreia, integram a família de Igrejas Orientas Pré- Calcedônias (jacobitas) autocéfalas, juntamente com as Igrejas Siriana, Armênia e Malenkar (Índia), com quem a Comunhão Anglicana mantém uma de suas comissões bi-laterais permanentes de diálogos.

Advogados e ativistas de Direitos Humanos estão mobilizando protestos contra essa decisão arbitrária do governo egípcio.

Fonte: www.anglican-mainstream.net

sábado, 30 de janeiro de 2010

Rainha Elizabeth Descontente Com Medida do Papa


A Rainha Elizabeth II, Governadora Suprema da Igreja da Inglaterra (não da Comunhão Anglicana) e Defensora da Fé, descontente e preocupada, enviou, em novembro passado, o ocupante do mais alto cargo do seu estafe, o Lord Chamberlain (Lord Peers) para um discreto encontro com o líder da Igreja Romana na Inglaterra e Gales, o Arcebispo de Westminster Dom Vincent Nichols, visando esclarecimentos sobre a Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus, que cria Ordinariatos (quase-dioceses) para anglicanos “convertidos” ao romanismo. Pelo protocolo, quem deveria ter tido essa conversa deveria ser o Arcebispo de Cantuária Rowan Williams.

A Rainha deverá receber o Papa no Palácio Balmoral ou no Palácio Halyroad, na Escócia (onde a Igreja oficial é a Presbiteriana e não a Anglicana) quando da próxima visita do Bispo de Roma ao Reino Unido. Elizabeth II segue uma espiritualidade anglicana de Igreja Baixa, e sente que, em razão do juramento prestado quando de sua coroação, é seu dever solene preservar a identidade protestante da Igreja da Inglaterra, e tem demonstrado o seu desacordo com as bênçãos sobre uniões entre pessoas do mesmo sexo, a ordenação de clérigos homossexuais ou a designação de bispas mulheres.

Fonte: Damian Thompson, editor do Telegraph Media Group in anglican-mainstream.net