quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ponto de Vista


Por Guilherme Parizio

Existem pessoas que vem ao mundo só para sofrer? Aparentemente, sim.
Mas, que fique bem entendido: só aparentemente.
Um dia desses quase fui persuadido pela força desse engano. Aconteceu quando observei uma pessoa muito próxima a mim deitada no sofá de sua casa. Era uma senhora muito querida, mas que já passou por coisas que só uma verdadeira cristã poderia suportar e perdoar aqueles que a fizeram sofrer. Ela estava lá, deitadinha, enrolada num lençol, naquele sofá velho, magrinha como ela só. Sabedor de todos os sofrimentos pelos quais ela já havia passado, comecei a conjecturar:
-Coitada, veio ao mundo só para sofrer. E um a um os problemas da mesma foram se enfileirando em meus devaneios. Como os amigos de Jó, me indagava o motivo de tudo isso: qual o sentido de se sofrer assim? Havia alguma finalidade nisso?

Ainda tomado por esse estado mental, lembrei que uma vez um parente meu se dirigiu a mim com a seguinte frase: "você não viveu,passou pela vida" Detalhe: ainda não havia completado 30 anos! Era como eu só tivesse colecionado fracassos e nunca produzisse nada de concreto, de duradouro. Na hora eu repudiei aquela opinião a meu respeito. Eu não era só uma vítima passiva do destino, longe disso. Poderia não estar realizado financeiramente, que era o foco de seu diagnóstico, mas havia realizações na esfera do "espirito", no mundo do conhecimento, das boas amizades...

De repente, voltei ao planeta terra e me ví novamente naquela sala humilde, próximo aquela pessoa querida. Como um estalo, cheguei a uma conclusão: eu não estaria usando o mesmo princípio, as mesmas categorias para julgar a vida dessa pessoa? Não estaria focando só um aspecto de sua existência e desconsiderando outros? Não estaria usando uma "chave hermenêutica" inapropriada para interpretar uma vida humana, uma vivência?

Longe de ser uma desculpa para perdedores, essa visão é mais profunda e tende a ser mais acertada do que a anterior. Onde eu vejo sofrimento ela talvez veja abnegação, onde eu vejo pobreza ela pode ver simplicidade, onde eu vejo falta de perpectiva ela pode ver falta de ansiedade.

Temos de levar em consideração a vida interior do ser humano, perceber o ser antes do ter. Isso não implica em dizer que devamos parar de lutar por nossos objetivos (ideiais) e não nos esforçar para melhorar a cada dia, materialmente inclusive. Todas essas coisas em sí mesmo não são pecados. Mas não podemos fazer desses desejos legítimos o principal objetivo de nossas vidas. Não podemos fazer do dinheiro um ídolo de papel ou metal. E não devemos julgar quem assim não procede e taxa-los de preguiçosos, vítimas de sí mesmos, covardes ou perdedores. Acredito, hoje, que existam pessoas muito felizes mesmo em meio à pobreza muito grande, ao passo que existem ricos que deixam verdadeiras fortunas no analista e após anos ainda são infelizes.

Talvez essa pessoa de quem eu estou falando seja a pessoa mais feliz do mundo, ou talvez não. Mas, quem pode saber? Quem pode medir um sentimento tão pessoal e tão subjetivo? Seja como for, não posso deixar de constatar que essa pessoa, apesar das vissitudes nunca perdeu a esperança, que é parente próxima da felicidade.

8 comentários:

Paulo Campos Jr disse...

Conheço uma pessoa que já é uma senhora de idade. Ela é muito maltratada pelas filhas e isso me fazia sentir muita pena dela, pois é uma senhora bondosa e cristã há mais de 30 anos.

Completando meu raciocínio, um dia fui conversar com as filhas dela, não sobre isso, mas o assunto veio à tona. As filhas vivem um evangelho mentiroso, estão na igreja mas não vivem a Palavra, e me contaram porque a mãe sofre desse jeito. Não porque ela foi um exemplo de cristã, muito pelo contrário, batia nelas todas as vezes que brigava com o marido, e não batia pouco não! Era pra arrebentar, maus tratos mesmo!

Ainda assim, vivendo de aparências, era respeitada e profetizava dentro da igreja.

A gente não sabe de nada, mas sei de uma coisa: A gente planta pra colher.

Quem sofre hoje, plantou ontem para colher, mesmo inconscientemente. O que você plantar hoje, vai refletir amanhã, pois a colheita é certa.

Guilherme Parizio disse...

Paulo, a lei da colheita conforme a semeadura é inevitável. No caso dessa senhora que a que vc se refere talvez ela tenha sido aplicada. Todavia, é fato que nem tudo que nos acontece é provocado por nossas ações diretas. De qualquer modo é temerário emitir juizo de valor em situações de sofrimento. Muitas vezes somos acometidos do que eu costumo chamar de "síndrome dos amigos de jó". Acredito que agraça de Deus é atuante no mundo e por mais que tenhamos errados nunca é tarde para para fazer a coisa certa. Valeu.

Inajá disse...

Amei esse artigo! Me levou a meditar muito e ampliou minha forma de pensar. Acho que de todos os textos lidos esse foi o que gostei mais... Acho que minhas idéias se assimilam com a do autor... Concordo com sua opinião. Muitas pessoas se cegam pelo materialismo e esquecem da espiritualidade da vida, tornando-se incapazes de entender ou aceitar os mistérios divinos numa vida. Existem inclusive, igrejas que pregam fanaticamente a prosperidade, pregam que se o cristão viver em pobreza não está tomando posso das bençãos divinas... Se isso for verdade, não só os dissípulos, como os profetas e apóstolos não tomaram também, pois eles tinham como objetivo a vida futura e não as prósperidades desta. No mundo onde o capitalismo é tão grande até instituições religiosas tem cedido a ele. Devemos orar e vigiar para que nossos olhos espirituais permaneçam abertos e lúcidos.

Inajá disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Inajá disse...

Cabe uma observação quanto ao comentário que seu parente lhe fez: Nunca ouvi uma frase de Charles Chaplin tão deturpada e tão mau empregada! Essa frase é parte do texto Vida do autor mensionado, mas está deturpada! Foi uma frase criada para insentivo que dizia no original: "Não passo pela vida...
e você também não deveria passar. Viva!!! Porque a vida é muito para ser insignificante!" A intensidade de uma vida não se deve medir pela conta bancária do indivíduo. Viver bem nem sempre quer dizer viver bem financeiramente. Ainda mais como ele colocou: "Você não viveu." Horrível... Até parece que sua vida acabou. Fala sério... Com um parente desses ninguém precisa de inimigo rsrsrs. O que mais importa é isso... Combater o bom combate... Pois a coroa da vitória lhe espera.

Guilherme Parizio disse...

Esse meu parente é uma das pessoas mais amarguradas que eu já conhecí. As vezes acho que ele na verdade projetou suas frustrações sobre mim.

Obrigado Inajá pelos comentários. Abraço.

Paulo Campos Jr disse...

Bem, Guilherme, com relação aos amigos de Jó não vejo como comparar a sua situação com a deles, pois da mesma forma que viram o sofrimento de Jó, seus amigos também viram seu sucesso muito maior depois, o que não foi o seu caso.

Infelizmente lembra-se muito dos sofrimentos de Jó, mas esquecem-se de que ele foi muito abençoado por Deus, muito mais do que era antes. Jó não conhecia a Deus, apesar de ser um homem justo e temente a Ele, ainda teve mais filhos com a mensma esposa que chamou de louca, ou seja, em tudo Jó foi próspero, mais do que isso, conheceu a Deus e foi salvo, creio eu.

Um forte abração meu amigo, gosto muito de seu blog e de todos os que comentam nele, são pessoas de Deus mesmo.

I LOVE YOU disse...

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